Exame confirma que corpo encontrado sob prédio que caiu era de morador quase resgatado

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/TV Globo

    Ricardo (d) era resgatado pelos bombeiros quando o prédio desabou

    Ricardo (d) era resgatado pelos bombeiros quando o prédio desabou

A Polícia Civil de São Paulo confirmou na noite desta sexta-feira (4) que o corpo encontrado nesta tarde pelos bombeiros nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida é de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, o "Tatuagem".

A identificação foi possível a partir de uma verificação de impressões digitais realizada no IML (Instituto Médico Legal). Os bombeiros ainda procuram outras cinco possíveis vítimas do desabamento: um casal, uma mulher e os dois filhos gêmeos dela.

Segundo os bombeiros, às 14h de ontem a cadela Vasty identificou um sinal em meio aos escombros. As equipes passaram, então, a remover manualmente o material até encontrar a vítima, 22 horas depois.

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No momento da queda do prédio, Ricardo, que estava próximo ao para-raio do edifício, colocava um cinto de proteção e estava sendo resgatado pelos bombeiros para escapar do incêndio. Com o desabamento, porém, o cabo do cinto se rompeu, e o homem sumiu em meio à fumaça e aos destroços.

À tarde, bombeiros já suspeitavam que o primeiro corpo encontrado fosse de Ricardo. Apesar de a cabeça ter sido dilacerada, o tórax apresentava tatuagens semelhantes às do morador. Além disso, ele vestia uma roupa semelhante no momento da tentativa frustrada de resgate.

Outros 5 moradores do prédio são considerados desaparecidos pelos bombeiros. São eles: Eva Barbosa da Silveira, 42, e o companheiro Walmir de Souza Santos, 47, e uma mulher chamada Selma e seus dois filhos gêmeos.

As buscas entraram hoje no quarto dia de trabalho. De manhã, os bombeiros localizaram armários de roupas e vestimentas, indício de que as equipes estariam já mais próximas de áreas habitáveis do edifício. Segundo os bombeiros, o trabalho de rescaldo deve durar, no mínimo, mais 15 dias.

De acordo com o tenente Guilherme Derrite, 80 oficiais do Corpo de Bombeiros trabalham no local --efetivo que será mantido durante todo o fim de semana.

Cobrança de aluguéis

Nesta noite, a Secretaria de Segurança Pública também informou que, por determinação do do secretário Mágino Alves Barbosa Filho, o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) instaurou um inquérito para investigar a cobrança de aluguéis de moradores de ocupações.

Moradores do Wilton Paes de Almeida relataram pagar entre R$ 200 e R$ 400 por mês para viver no local. Segundo eles, eventuais atrasos não podiam passar de três dias, sob risco de despejo.

Apontado como um dos líderes do movimento pelos residentes, Ricardo Luciano, conhecido como "Careca", negou a cobrança de aluguel e disse que havia uma contribuição "voluntária" de R$ 50 para que fosse realizada a manutenção e limpeza do edifício.

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