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Tragédia em Brumadinho

Sobreviventes foram ouvidos para investigação, diz polícia sobre Brumadinho

Do UOL, em São Paulo

Alex Tajra

30/01/2019 18h40

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quarta-feira, o delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, Luiz Carlos Ferreira, afirmou que os sobreviventes da queda da barragem de Brumadinho foram ouvidos para ajudar na investigação em relação ao desmoronamento da estrutura.

"Hoje conseguimos iniciar a formalização das provas subjetivas. Foram inqueridas formalmente aos cinco sobreviventes, eles já foram ouvidos e com certeza haverá outras oitivas tanto de sobreviventes quanto de outras pessoas que tinham correlação com o espaço", afirmou o delegado.

Questionado sobre detalhes das investigações, Luiz Carlos Ferreira afirmou que não pode dar mais detalhes para não atrapalhar o trabalho da polícia. 

O delegado afirmou ainda que, a partir desta quarta (30), os familiares que estão procurando pessoas desaparecidas não devem mais ir ao Instituto Médico Legal de Belo Horizonte, e sim utilizar o e-mail do órgão para comunicação. "Estamos usando as redes sociais para mostrar como fazemos a coleta do DNA, é simples e indolor", afirmou Ferreira. 

Análise de DNA

Por causa do avançado estado de decomposição dos corpos, a partir de agora, o IML (Instituto Médico Legal) passará a realizar exames da arcada dentária e de DNA para fazer a identificação das vítimas.

A Polícia Civil de Minas pediu que famílias dos desaparecidos, ao serem contatadas pelo IML, compareçam para a coleta de material genético. Também foi pedido a elas que tragam radiografias, principalmente odontológicas, de vítimas para os peritos analisem.

O tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros, afirmou que todos os corpos que estavam na superfície da lama já foram recuperados e que o trabalho, agora, requer a realização de escavações, e pera isso é preciso que seja feito um trabalho de preparação e suporte das estruturas.

Aihara contou ainda que os equipamentos disponibilizados pelo Exército israelense foram muito importantes na primeira fase dos trabalhos da equipe de resgate, mas que agora, entrando em outra fase, alguns deles não precisaram ser mais utilizados. Mesmo assim, as tropas continuam a atuar na região, auxiliando os bombeiros. 

"Eles continuam. A previsão é que eles permanecessem até a sexta-feira", afirmou.

Funcionários e engenheiros presos

Dois engenheiros que atestaram a estabilidade da barragem de Brumadinho (MG) e três funcionários da Vale responsáveis pelo local e seu licenciamento foram presos na manhã da última terça-feira (29), quatro dias após o rompimento que deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos

Os mandados de prisão temporária, expedidos pela juíza Perla Saliba Brito, da Comarca de Brumadinho da Justiça de Minas Gerais, têm validade de 30 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período.

Segundo o MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais), os três funcionários da Vale --César Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Artur Gomes de Melo--, presos na região metropolitana de Belo Horizonte, estavam "diretamente envolvidos e responsáveis pelo empreendimento minerário e seu licenciamento".

Oliveira é gerente de meio ambiente, saúde e segurança do complexo, e Melo, gerente-executivo operacional. Grandchamp é geólogo e especialista técnico da Vale. 

Em São Paulo, foram presos os dois engenheiros terceirizados "que atestaram a estabilidade da barragem", segundo a PF (Polícia Federal). Eles são Makoto Namba e André Jum Yassuda, que atuam para a empresa alemã Tüv Süd, responsável por fazer a auditoria na barragem que se rompeu.

Na decisão, a magistrada diz que os dois engenheiros e Grandchamp "subscreveram recentes declarações de estabilidade das barragens, informando que aludidas estruturas se adequavam às normas de segurança". 

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