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Atos antirracismo se espalham pelo mundo contra violência policial

Londres, Reino Unido: com o braço em riste, manifestante participa de protesto contra violência policial e por justiça para George Floyd - Dan Kitwood/Getty Images
Londres, Reino Unido: com o braço em riste, manifestante participa de protesto contra violência policial e por justiça para George Floyd Imagem: Dan Kitwood/Getty Images

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

04/06/2020 01h30

Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha prometido conter os protestos antirracismo, eles acontecem com força nos Estados Unidos há mais de uma semana. E manifestações semelhantes estão se espalhando pelo mundo.

Hoje os EUA entram na nona noite de protestos, que explodiram após George Floyd morrer depois que um policial branco ajoelhou sobre seu pescoço durante quase nove minutos em Mineápolis, no dia 25 de maio. O caso ressuscitou a questão da brutalidade policial contra afro-americanos. ONU (Organização das Nações Unidas), Papa Francisco e líderes mundiais criticam a violência policial no país.

Mesmo com o toque de recolher imposto em dezenas de cidades para conter os atos, os americanos voltaram às ruas entre a noite de terça-feira e a madrugada de ontem. Segundo a imprensa local, cada vez mais os atos têm se tornado pacíficos e mais celebridades aderem ao movimento.

Na manhã de quarta-feira, milhares de pessoas se reuniram no Hyde Park, em Londres, para pedir o fim da violência e da discriminação contra negros e imigrantes. Os manifestantes portavam cartazes do movimento "Black Lives Matter" (Vidas negras importam) e diziam que o Reino Unido não era inocente com relação a este tipo de violência.

O ator John Boyega, de Star Wars, participou dos atos em Londres e discursou, pedindo para que a morte de Floyd não seja esquecida. Diversos artistas se uniram aos manifestantes, seja presencialmente, seja com doações.

No mesmo dia, o líder britânico Boris Johnson condenou o assassinato de George Floyd e afirmou que o racismo "não tem lugar em nossas sociedades", em uma "mensagem" ao presidente dos EUA, Donald Trump. Mais cedo, na sessão semanal de perguntas na Câmara dos Comuns, ele condenou "o ocorrido nos Estados Unidos" como algo "terrível, indesculpável".

Na França também houve atos antirracismo devido à data da morte de um homem negro em uma operação policial em 2016 — foi feita uma comparação com a morte de George Floyd nos EUA. Policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, depois que alguns começaram a provocar incêndios e montaram barricadas ao redor da Avenue de Clichy, no norte de Paris.

Na internet, fãs de k-pop novamente se uniram aos protestos pelo Twitter. Após derrubar um aplicativo da polícia que serviria para denúncia de ativistas em protestos, eles agora foram responsáveis por "afundar" uma hashtag racista.

ONU e papa se manifestam

Na mesma linha das críticas, a alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, voltou a dizer que os Estados Unidos sofrem um "racismo estrutural" e denunciou o que considera "agressões sem precedentes" contra os jornalistas na atual crise política.

O Papa Francisco disse estar preocupado com a situação dos EUA e que o racismo não deve ser tolerado. "Queridos amigos, não podemos tolerar ou fechar os olhos para qualquer tipo de racismo ou exclusão", discursou durante as saudações aos fiéis de língua inglesa na audiência geral. O papa acrescentou que "o racismo é um pecado".

Tiffany Trump, filha mais nova do presidente de Donald Trump, participou da manifestação virtual Blackout Tuesday ("Terça-feira do apagão") e pediu justiça para George Floyd.

Contrariando Trump, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, disse que não é a favor da invocação da Lei de Insurreição para mobilizar as forças militares para conter os tumultos civis por ora.

"A opção de usar forças da ativa em um papel de cumprimento da lei só deveria ser usada como último recurso e só nas situações mais urgentes e graves. Não estamos em uma situação destas agora", disse.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que prefeitos repensem o uso da força policial nas cidades do país. "Eu peço que cada prefeito reveja o uso da força policial e faça as mudanças que forem necessárias", afirmou Obama numa live. Ele citou um relatório que propõe reformas na polícia.

Novos desdobramentos do caso

Houve ontem novos desdobramentos no caso do assassinato do homem negro. Além da prisão preventiva de Derek Chauvin, o policial que pressionou o joelho contra o pescoço de Floyd, os outros três ex-policiais que acompanharam Chauvin na abordagem serão acusados de homicídio, afirmou hoje o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison. Eles serão acusados de favorecer o assassinato do ex-segurança.

Além disso, foi solicitado o agravamento na acusação a Chauvin. Atualmente, o policial está sendo acusado de assassinato em terceiro grau, que no Brasil seria o equivalente a um homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. O procurador-geral Ellison vai pedir que Chauvin seja acusado de assassinato em segundo grau.

Benjamin Crump, advogado da família de George Floyd, disse que eles estão "gratos" pela prisão e acusação formal dos policiais envolvidos na morte. Ele espera a condenação dos responsáveis.

Um dos filhos de George Floyd se manifestou ao retornar ao local onde o seu pai morreu. Ao lado do advogado da família, Quincy Mason Floyd voltou a pedir justiça. "Quero tentar justiça para o meu pai. Nenhum homem ou mulher deveria perder o pai assim. Queremos justiça", disse Quincy, visivelmente emocionado. "Agradeço todo o suporte de vocês, todo o apoio", acrescentou.

A filha de Floyd, Gianna, de 6 anos, também visitou o local que foi transformado em memorial. Erguida nos ombros do tio, ela dizia para a câmera "o papai mudou o mundo". O vídeo foi compartilhado no Instagram pelo ex-jogador de basquete Stephen Jackson. Na terça-feira, a mãe de Gianna chorou em coletiva de imprensa e lamentou que a filha não será levada ao altar pelo pai.

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