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Israel convoca 20 mil reservistas para possível ação terrestre contra o Hamas

10.jul.2014 - Palestino chora sobre os escombros de sua casa, destruída por ataques aéreos israelenses no sul da faixa de Gaza - Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
10.jul.2014 - Palestino chora sobre os escombros de sua casa, destruída por ataques aéreos israelenses no sul da faixa de Gaza Imagem: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Isabel Kershner e Fares Akram

Em Jerusalém (Israel) e Cidade de Gaza (Faixa de Gaza)

11/07/2014 06h00

O número de mortos devido à ofensiva aérea de Israel em Gaza aumentou na quinta-feira (10), enquanto foguetes disparados do enclave costeiro palestino atingiam novos alvos em Israel. Um porta-voz das forças armadas israelenses afirmou que cerca de 20 mil reservistas foram convocados e que os preparativos para uma possível operação terrestre estão sendo concluídas.

O atual foco das forças terrestres é descobrir os túneis em Gaza utilizados pelos militantes para ataques.

Enquanto a campanha aérea entrava em seu terceiro dia, o número de palestinos mortos subiu para pelo menos 80, segundo autoridades em Gaza.

Ataques aéreos durante a noite contra uma casa em Khan Younis e um café na praia mataram pelo menos 15 palestinos, disseram autoridades em Gaza.

Segundo as autoridades, um ataque aéreo atingiu um carro usado por uma agência de notícias local que exibia sinais de identificação, matando o motorista, Hamed Shehab, 27 anos. As forças armadas israelenses disseram que também atingiram três membros da Jihad Islâmica, que estavam envolvidos na fabricação de foguetes de médio alcance. Em outro ataque, as forças armadas disseram que atingiram um membro do Hamas, o grupo militante islâmico que domina Gaza, dizendo que ele estava envolvido no disparo de foguetes contra Israel.

A seção palestina da Defesa da Criança Internacional, uma organização independente de direitos da criança, disse que 14 crianças foram mortas nos ataques aéreos na terça e quarta-feira, incluindo quatro crianças de 1 ano ou pouco mais. O grupo emitiu uma lista com os nomes e idades dos mortos, dizendo que seu funcionário de campo em Gaza verificou cada uma dessas mortes.

Mortes civis
Israel diz estar tomando precauções em um esforço para evitar morte de civis. As forças armadas afirmaram que alertam por telefone os ocupantes das casas marcadas para destruição de que ataques aéreos ocorrerão. Depois, disparam um sinal luminoso ou míssil sem ogiva explosiva no telhado para alertar que um ataque é iminente.

10.jul.2014 - Garoto palestino é atendido em hospital em Gaza, após ataque aéreo israelense - Wissam Nassar/The New York Times - Wissam Nassar/The New York Times
Garoto palestino é atendido em hospital em Gaza, após ataque aéreo israelense
Imagem: Wissam Nassar/The New York Times

Em um caso, quando sete pessoas morreram e 25 ficaram feridas em um ataque israelense contra a casa da família Kaware, em Khan Younis na terça-feira (8), o tenente-coronel Peter Lerner, um porta-voz das forças armadas israelenses, disse que os alertas foram feitos e que o ataque começou após os israelenses terem visto pessoas deixando o local. No breve intervalo entre o último alerta e o ataque aéreo, pessoas voltaram para dentro, disse Lerner aos repórteres na quinta-feira, acrescentando que era tarde demais para cancelar o míssil.

"É de fato uma tragédia, e não o que pretendíamos", disse.

Um membro da família disse antes que vizinhos vieram para "formar um escudo humano".

As forças armadas israelenses disseram que visam casas pertencentes a membros do Hamas envolvidos no lançamento de foguetes ou outras atividades militares e que já foram usadas como centros de operação.

Lerner afirmou não ter detalhes das circunstâncias do ataque ao café na praia, chamado Fun Time, onde clientes estavam reunidos para assistir a uma partida da Copa do Mundo. Ele também disse não ter detalhes do ataque ao veículo identificado como sendo de imprensa.

Clima sombrio
Na Gaza, o clima era sombrio, mas desafiador. Abu Tamer Ajour, 70 anos, disse que o conflito veio em má hora, com o Hamas em dificuldades financeiras e incapaz de pagar os salários integrais de seus 40 mil funcionários, entre outras dificuldades.

"Essa agressão torna as coisas ainda piores", ele disse, "mas a vitória será do povo de Gaza e de nossa resistência".

Riad Fawzi, 48 anos, que está desempregado, disse que não espera que o conflito dure muito. "Os judeus não estão interessados em uma maior escalada", disse referindo-se a Israel.

"Nós estamos acostumados a isso, mas eles não conseguem suportar tanto quanto nós", disse acrescentando "Deus está conosco".

A atual campanha aérea tem sido a mais intensa de Israel em Gaza. Lerner disse que as forças armadas israelenses atacaram pelo menos 750 locais nas primeiras 48 horas da operação, em comparação ao total de 1.450 locais atacados durante oito dias de combates em novembro de 2012.

10.jul.2014 - Palestino remove escombros de uma casa atingida por ataques aéreos de Israel, na cidade de Gaza - Wissam Nassar/The New York Times - Wissam Nassar/The New York Times
Palestino remove escombros de uma casa atingida por ataques aéreos de Israel, na cidade de Gaza
Imagem: Wissam Nassar/The New York Times

"O que estamos tentando fazer por ora é tirar proveito pleno do ataque aéreo", disse Lerner. "A opção terrestre precisa ser a última opção e apenas se absolutamente necessário."

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que "a operação será expandida e continuará até que os disparos contra nossas comunidades pare e a calma seja restaurada".

Grupos militantes em Gaza, que dispararam mais de 350 foguetes contra Israel desde o início da operação na terça-feira, segundo as forças armadas, continuaram com seus ataques na quinta-feira. Pelo menos um foguete foi interceptado sobre Tel Aviv pelo sistema antimísseis Domo de Ferro. Choveram estilhaços sobre a cidade, mas ninguém se feriu.

As forças armadas disseram que pelo menos três foguetes atingiram comunidades civis no deserto de Negev, a mais de 80 quilômetros de Gaza, e que áreas ao redor da cidade de Netivot foram atingidas.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.