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CPI mantém convocação da advogada de delatores da Lava Jato

Ruy Baron/Valor
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento e refino da Petrobras, ao lado de sua advogada, Beatriz Catta Preta Imagem: Ruy Baron/Valor

Carolina Gonçalves

Da Agência Brasil

2015-07-28T13:45:39

28/07/2015 13h45

O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito),  da Petrobras deputado Hugo Motta (PMDB-PB) disse nesta terça-feira (28), em uma rápida passagem pela Câmara durante o recesso parlamentar, que respeita a manifestação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas vai manter a convocação da advogada Beatriz Catta Preta, que defende delatores da operação Lava Jato, para depor no colegiado. A convocação foi aprovada no último dia 9 pela comissão e provocou reações dentro e fora da Casa.

“Não acho que houve interferência alguma, mas a convocação está mantida e no momento certo vamos marcar a data [para o depoimento]”, disse ao comentar o ofício do presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, que pediu a dispensa do depoimento. Para a entidade, a criminalista não é obrigada a fornecer qualquer informação que viole o sigilo profissional.

A criminalista defendeu vários nomes investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, entre eles, do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, do ex-executivo da Toyo Setal Augusto de Mendonça e do lobista Julio Camargo que, recentemente, denunciou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de receber US$ 5 milhões para viabilizar um contrato da estatal.

Motta explicou que a comissão quer explicações sobre a origem do dinheiro pago pelos acusados. “A nós cabe seguir o que o plenário decidiu e o plenário decidiu convocá-la para saber de onde está recebendo os recursos de honorários. Dinheiro ilícito é dinheiro ilícito”, avaliou. Motta quer esclarecer se o dinheiro dos honorários é parte dos recursos desviados pelos investigados.

O peemedebista acredita que a CPI conseguirá encontrar a advogada no “tempo certo” para convocá-la e ainda confirmou os depoimentos previstos para a próxima semana, com a volta do recesso parlamentar. No dia 4, a CPI ouve os presidentes da Mitsui, Shinji Tsuchiya, e da Samsung no Brasil, J. W. Kim. Os dois não compareceram à sessão do último dia 15 quando deveriam prestar depoimento para falar sobre o pagamento de propina a Eduardo Cunha em um contrato de aluguel de sondas celebrado com a Petrobras. No dia 6, está marcada a acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Além dessas audiências, o colegiado terá que decidir sobre uma série de requerimentos. Motta explicou que vai definir a agenda da CPI numa reunião de trabalho na primeira semana de agosto. Na lista polêmica estão os requerimentos apresentados pelo líder do PSC, André Moura (SE), para a acareação entre a presidenta Dilma Rousseff e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação), a acareação da presidenta com o doleiro Alberto Youssef e dos ministros com o do dono da UTC Engenharia,  Ricardo Pessoa. Outro pedido na pauta, foi o apresentado pela deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA), que defende a acareação entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo.

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