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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta segunda-feira (25)

Do UOL, em São Paulo

25/05/2020 13h01Atualizada em 25/05/2020 20h52

Em meio à crise política enfrentada pelo Brasil, que fez o coronavírus perder o espaço nas manchetes para o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o país segue caminhando para se tornar um epicentro da pandemia. Além dos números alarmantes, a imprensa mundial voltou sua atenção para o momento brasileiro, com veículos de diversos espectros políticos criticando a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Bolsonaro, que no fim de semana esteve em mais aglomerações e foi visto comendo cachorro quente no sábado e prestigiando uma manifestação a seu favor ontem, segue contrário ao isolamento social, medida mais eficaz para evitar a propagação da doença enquanto não se acha uma cura por medicamentos ou vacina, de acordo com a OMS. Esta visão é alvo de críticas no exterior.

Com baixo isolamento social, o Brasil já tem mais de 23.000 mortos. Segundo no mundo em casos confirmados de coronavírus, com quase 370 mil pessoas contaminadas, o Brasil caminha para chegar perto ou mesmo ultrapassar os números assustadores dos Estados Unidos, que hoje têm quase cem mil mortos.

"É bem plausível que o Brasil alcance as estatísticas estratosféricas dos Estados Unidos. As pessoas aqui não aderiram ao isolamento social", avalia o infectologista Dalcy Albuquerque, da Sociedade Brasileira de Doenças Tropicais.

Com este quadro, jornais como o Financial Times e veículos de TV como a CNN voltaram seus olhos para o Brasil.

O texto publicado no Financial Times, intitulado como "O populismo de Jair Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre", escrito pelo colunista Gideon Rachman, comenta sobre a abordagem "irresponsável e perigosa" que Bolsonaro utiliza diante da pandemia, medidas semelhantes à de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A CNN publicou longa matéria sobre a situação brasileira e avaliou: "Enquanto os médicos lutam bravamente para salvar vidas, o presidente do país, Jair Bolsonaro, parece mais focado em outro paciente doente: a economia de seu país".

Ontem, o New York Times também publicou uma reportagem sobre o veto de viajantes vindos do Brasil para os EUA e denominou Bolsonaro como "um cético pandêmico que zombou das medidas de distanciamento social".

Hoje, durante conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que sua imagem é ruim no exterior porque "a imprensa mundial é de esquerda".

Reflexos na economia

Analistas internacionais definem o Brasil como uma nação governada por um presidente populista que dá respostas contraditórias à pandemia. Os efeitos concretos da percepção no exterior de que o país ruma para um precipício - ao viver uma tempestade perfeita com crises simultâneas na saúde, na política e na economia - já aparecem nos números e na postura distante que nações e investidores têm preferido tomar.

Desde o início do ano, o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo, com queda de 45% ante o dólar. A despeito das intervenções diárias do Banco Central, a cotação da moeda americana encostou nos R$ 6. No mesmo período, o CDS (Credit Default Swap), indicador que sinaliza o nível de risco país, cresceu mais de 250%.

Números brasileiros e preocupação com casos graves

O Ministério da Saúde confirmou hoje que a covid-19 provocou a morte de 23.473 pessoas no Brasil. Houve a confirmação de 11.687 casos no novo boletim, o que elevou a soma de brasileiros infectados para 374.898.

No momento, cinco estados estão sob risco grave de um colapso na saúde: São Paulo, Rio, Pará, Amazonas e Pernambuco.

Apenas um em cada três pacientes graves de covid-19 que são entubados nas UTIs brasileiras se recupera e consegue voltar para casa, diz levantamento do Projeto UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e do Epimed

A mortalidade desses doentes é de 66%, um número muito alto quando comparado aos internacionais. Segundo especialistas, o porcentual reflete as precariedades do sistema de saúde do País e, eventualmente, o uso indiscriminado de medicamentos sem benefícios comprovados cientificamente, como a cloroquina.

EUA proíbem entrada pelo Brasil

Devido aos números acima, o governo dos Estados Unidos reagiu anunciando a proibição da entrada de estrangeiros em seu território que estiverem partindo do Brasil.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, declarou que as novas restrições visam garantir que estrangeiros não aumentem o número de infecções no país, que hoje é o mais afetado pela doença e tem 1.639.872 casos oficiais e 97.672 mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins. O NSC afirmou que "reconhece os esforços" do Brasil na pandemia.

A administração doará 1.000 ventiladores para ajudar o Brasil em suas necessidades médicas. Os Estados Unidos reconhecem os fortes esforços que o governo brasileiro tem tomado e irão brevemente fortalecer nossa parceria na Defesa e no comércio"
Conselho Nacional de Segurança (NSC) dos EUA, sobre a decisão.

Chamado de bosta, prefeito de Manaus responde Bolsonaro

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), se manifestou após ser chamado de "bosta" por Jair Bolsonaro durante a reunião ministerial do dia 22 de abril.

Em entrevista à CNN, Arthur também criticou a postura do presidente diante da pandemia do novo coronavírus.

Ele tem cumplicidade com as mortes de coronavírus no Brasil, ele é responsável. Seu sonho é fazer uma ditadura, mas ele é burro demais. Senhor presidente Bolsonaro, por favor, cale a boca e fique em casa. Se demita. Ele não governa o Brasil."

Governador do Espírito Santo está com covid

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), recebeu a confirmação de que contraiu covid-19. De acordo com uma nota oficial divulgada pelo governo local, ele apresentou alguns sintomas e já está em isolamento.

Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande está com covid-19 - Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo - Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo

A primeira-dama, Maria Virgínia Casagrande, também testou positivo para a doença. Ela sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na última semana e foi internada por dois dias. Ela sentiu os sintomas da covid-19 ao voltar para casa.

Na semana passada, Casagrande revelou que faria o exame após seu motorista e a mulher dele, que trabalha em um hospital, testarem positivo para a doença.

Preços dos itens de saúde sobem e criam novo problema

Comprar remédios, equipamentos hospitalares e insumos ficou mais caro no Brasil, em comparação aos preços praticados antes da pandemia da covid-19.

Hospitais e secretarias de Saúde relatam inflação de até quase 2.000% em produtos, fato que tem causado problemas em unidades públicas e privadas de saúde, que temem uma redução na capacidade de atendimento a pacientes.

"Precisamos fazer uma escolha dura: ou aguardamos por preços menores, mas aí deixamos de ter o serviço ou o bem à disposição; ou pagamos o que o mercado pede no momento. É uma escolha bem complicada. A procura por esses itens está sendo muito maior, e o mercado está praticando sobrepreço", afirmou ao UOL Januário Cunha Neto, presidente do Cosems (Conselho de Secretários Municipais de Saúde) do Amazonas.

SP prevê contaminação até outubro

O estado de São Paulo faz previsões pessimistas para o fim da pandemia do coronavírus caso os índices de isolamento social não aumentem. O governo paulista prevê que haverá casos de contaminação até outubro.

"As projeções com os níveis atuais de isolamento social, que já foram melhores e hoje estão na média abaixo de 50%, você prevê uma duração maior da epidemia", disse hoje Dimas Tadeu Covas, chefe do Centro de Contingência da covid-19 no estado, em entrevista à Globonews.

"Quanto menor o índice de isolamento social, mais longa se torna essa epidemia. Nesses níveis atuais, inferiores a 50%, essa epidemia passará junho, julho, agosto, provavelmente em setembro deve ter uma inflexão, e até outubro teremos casos ainda", previu Dimas.

O índice de isolamento social de ontem, divulgado hoje, foi o maior desde 3 de maio: 55%. Na capital, foi de 57%. De acordo com o governo, 55% é o mínimo aceitável para evitar medidas mais severas, como o lockdown.

RJ: 90% de leitos de UTI ocupados

A cidade do Rio de Janeiro iniciou a semana com 282 pessoas com suspeita de covid-19 aguardando uma vaga em hospitais da rede pública. Desse total, 201 pacientes precisam de um leito em UTI. A capital está com 90% de seus leitos de tratamento intensivo ocupados na rede pública.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em toda a rede SUS da cidade - que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais - há 1.908 pacientes internados com suspeita da doença, sendo 669 em UTI.

Bahia: 35 são presos em "covidfest"

Uma operação envolvendo Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal encerrou uma festa com 35 pessoas, com direito a bebidas, drogas e som alto.

covidfest - Divulgação/Polícia Militar - Divulgação/Polícia Militar
Imagem: Divulgação/Polícia Militar

A "covidfest", como foi chamada, foi descoberta na madrugada de hoje no município de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. A cidade da festa está com toque de recolher decretado desde o dia 15, com circulação vedada nas ruas entre 20h e 5h.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública) da Bahia, o flagrante da festa ocorreu após uma denúncia anônima, que levou a realização de uma operação conjunta entre os órgãos.

Duas boas notícias com macacos: vacina e imunização

A revista Science publicou na última semana dois resultados de estudos com macacos-rhesus que trouxeram notícias promissoras para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Ambos foram conduzidos por pesquisadores da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sendo que uma envolve imunização à covid-19 e a outra, uma potencial vacina para a doença.

21.ago.2013 - Cientistas dos Estados Unidos criaram um tratamento experimental que protegeu macacos Rhesus do vírus Ebola, doença que provoca uma febre hemorrágica devastadora em menos de uma semana. O estudo mostrou que 43% dos primatas se curaram do vírus quando receberam um coquetel de anticorpos por via intravenosa logo após o aparecimento dos sintomas da doença, isto é entre 104 e 120 horas depois do começo da infecção - Ed Jones/AP - Ed Jones/AP
Macacos-rhesus têm respostas semelhantes às dos humanos
Imagem: Ed Jones/AP

Os macacos-rhesus são uma espécie próxima do ser humano e são usados como modelos para testes que são realizados antes de que eles sejam feitos com humanos. Assim, dão bons indícios do que se verá no Homo Sapiens para encorajar ou não o prosseguimento dos estudos.

Em um primeiro momento, os macacos foram contaminados, enfrentaram a covid-19 e depois foram expostos novamente ao vírus. E o que se observou é que eles criaram uma resposta imunológica com anticorpos que realizaram uma resposta suficiente para evitar que uma pessoa se infectasse novamente com a doença.

Em um estudo paralelo, foi testada uma vacina em que se introduzia um pedaço de DNA que estimulava os macacos a criarem anticorpos que atacariam as proteínas "spike", pontudas, e destruíam o coronavírus. Foram feitas seis variações dessa vacina, e algumas delas tiveram bom resultado, impedindo a contaminação e a infecção pela covid-19.

Os resultados em macacos não significam que o mesmo se observará em humanos, mas indicam um caminho promissor para a realização dos testes em humanos.

OMS suspende testes com a cloroquina

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, anunciou que suspendeu os testes com hidroxicloroquina em suas pesquisas para avaliar um tratamento contra o coronavírus. A decisão foi tomada depois que a revista The Lancet publicou um estudo sobre os riscos do remédio, com observação de prontuários de quase 100 mil pacientes.

Segundo Tedros, a "pausa" nas pesquisas será adotada até que a questão da segurança do remédio seja avaliada em detalhe. A pesquisa com 96 mil pacientes publicada na revista científica diz que o uso desse medicamento pode estar relacionado a um aumento no risco de morte por problemas cardíacos, como arritmia.

A OMS insistia que não tinha evidências científicas do resultado positivo da hidroxicloroquina. Mas decidiu incluir o remédio nas pesquisas que estava conduzindo em cerca de 400 hospitais pelo mundo. Diante da constatação da revista de que o remédio pode representar um risco, a decisão foi a de suspender por enquanto a continuação dos testes.

Pesquisa: Soro hiperimune

Pesquisadores do Instituto Vital Brazil e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão estudando um soro hiperimune que pode tratar a covid-19. Esse medicamento é do mesmo tipo daqueles usados contra a raiva e contra picada de animais peçonhentos.

O soro é feito a partir do plasma sanguíneo de cavalos. No caso dos soros antiveneno, o sangue equino produz agentes de defesa contra a toxina inoculada no corpo. A partir desse plasma com anticorpos, é criado o soro.

No estudo contra o novo coronavírus, a UFRJ isolará e inativará o vírus, para que ele possa começar a ser inoculado em cavalos do Instituto Vital Brazil. O teste começa nesta quarta-feira (27).

Europa em reabertura: vez da Espanha

A Espanha é mais um país a avançar na crise e ampliou o relaxamento gradual de suas restrições impostas pela pandemia, desde as primeiras horas de hoje

Agora, nenhuma cidade se encontra na "fase 0" da reabertura, iniciada nos primeiros dias de maio, que permitia poucas ações fora de casa, como saídas rápidas de casa para caminhada.

Entre as ações de relaxamento da quarentena, estão a possibilidade de reuniões de até 10 pessoas - desde que o distanciamento de 2 metros e o uso de máscaras seja mantido -, a reabertura de parques e a liberação para igrejas receberem público que ocupe até 30% de suas lotações.

A vida de um motoboy que leva material de laboratório

Sabemos que os deliveries estão em alta, mas os motoboys não estão na ativa só levando comida pra cima e pra baixo. Alguns deles são os responsáveis por materiais mais delicados ainda: materiais laboratoriais.

motoboy - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Imagem: Acervo pessoal

O Tilt ouviu alguns deles para saber como é ter na mão essa responsabilidade, maior ainda em tempos de pandemia, que ressignificou o que é "correria" para estes profissionais.

A situação em tempos de pandemia ganhou um outro componente: o risco de contaminação, como conta Fabiano Macedo Constante, de 42 anos.

Já atuo há uns dez anos na área de saúde. Hoje carrego material biológico como coletas de sangue. Então o risco aumentou muito, porque eu acabo frequentando lugares de maior risco, como os hospitais"

Uma série para ajudar na quarentena

A série de oito episódios "The Midnight Gospel", que estreou em abril na Netflix, é fruto da parceria entre o produtor Pendleton Ward, criador de "Hora de Aventura", e o comediante norte-americano Duncan Trussell.

gospel - Reprodução/Netflix - Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Baseados nas entrevistas reais que o ator conduziu no podcast "Duncan Trussell Family Hour", os episódios trazem especialistas que refletem sobre filosofias orientais, angústias existenciais e a natureza da realidade, enquanto lidam com ataques zumbis, brigas de titãs ciumentos e demônios.

O desenho é uma cacofonia de estímulos dissociados entre fala e imagem que causam uma espiral de vertigens, como se o nosso cérebro girasse em uma máquina de lavar no nível "turbo" — guias podem ajudar a organizar o caos mental. Quem vence os primeiros estágios de confusão é recompensado com conhecimentos que podem despertar partes sonolentas da consciência.

Em meio à pandemia, a animação virou febre e um estímulo para a reflexão, ainda que seus criadores lamentem as perdas pela covid-19.

Não quero que a série se beneficie de pessoas morrendo. Ao mesmo tempo, fico feliz, porque os convidados dos episódios têm coisas maravilhosas para dizer e oferecem métodos pragmáticos para atravessar o sofrimento e encontrar um lugar estável, que não seja baseado nos noticiários"

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