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História da Armênia e Ellen Rocche de águia são destaques da Rosas de Ouro

Desfile da Rosas de Ouro - Ricardo Matsukawa/UOL
Desfile da Rosas de Ouro Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Do UOL, em São Paulo

03/03/2019 03h34

Há nove anos sem saber o que é vencer o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Rosas de Ouro chegou ao Sambódromo do Anhembi apostando na alegria e na história milenar do povo armênio com o samba-enredo "Viva Hayastan", composto por  Vini Carvalho, Didi Pinheiro, Marcinho JK, Bolt Mascarenhas, Rafael Pinah, Sandra Miranda e Fernando de Paula.

Ao todo, 500 armênios desfilaram pela escola da zona norte que entrou na avenida por volta das 3h35 da madrugada de hoje. Os destaques da agremiação foram a bateria com coreografia, trajes nada típicos que deram samba e uma aula sobre a cultura do país que um dia já fez parte da União Soviética.

O último carro trouxe a imagem de Eduardo Basílio, fundador da Rosas, homenageando importantes carnavalescos que desfilavam na Avenida Tiradentes -- a concentração acontecia onde hoje é a Estação Armênia do metrô.

O cargo de rainha de bateria foi responsabilidade da atriz Ellen Rocche. A Rosas de Ouro é a quinta agremiação a desfilar pelo Anhembi no segundo dia do Carnaval. A próxima a entrar na avenida será a Unidos de Vila Maria. 

Bateria com coreografia

Mestre Rafa, à frente da bateria da Rosas de Ouro, aprontou no desfile. Na hora do recuo, os mais de 200 ritmistas criaram uma coreografia: várias fileiras foram formadas e, de repente, elas acabaram se unindo no restrito espaço, preenchendo os espaços vazios. Uma fileira ao lado da outra, cada uma em uma direção, criou um visual interessante na avenida e deu pontos a mais para a escola. O melhor disso tudo é que em nenhum momento a harmonia sofreu com o arriscado movimento.

Ellen Rocche

"Muito emocionada, muito feliz. Sempre dá um frio na barriga, mas minha família é Rosas de Ouro", declarou a rainha de bateria antes de desfilar. Integrante da escola há quase 20 anos, Ellen Rocche se sentiu em casa no Anhembi com sua fantasia dourada representando uma águia. O traje ainda trazia grandes asas laranjas e penas no topo da roupa. "A fantasia está muito bonita, muito delicada e tem bastante riqueza. Gosto de vestir a fantasia. Sou uma rainha que visto o enredo da escola e gosto de representar. Também não recusaria vir muito pelada, quem sabe no dia em que eu me aposentar", disse antes de cair na folia.

Comissão de frente

A coreógrafa Helena Figueira trabalhou por nove anos na Gaviões da Fiel, e fez um trabalho interessante com a comissão da Rosas de Ouro. Os integrantes, vestidos de rosa, representavam o renascimento do povo armênio em busca de sua identidade após o genocídio cometido pelo Império Otomano no início do século 20. Coreografia criativa também foi vista nos carros alegóricos, em que os integrantes capricharam nos movimentos para dar um toque significativo no desfile.

Desfile da Rosas de Ouro - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Desfile da Rosas de Ouro
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Senta que lá vem história

A Rosas de Ouro explorou diversos aspectos da Armênia, um país de apenas 3 milhões de pessoas. A forte presença religiosa ganhou destaque em dois carros alegóricos, celebrando o azul, rosa e branco. O cristianismo foi visto em grandes construções que combinavam com os versos do samba-enredo "A fé que ilumina o meu caminhar / Fez o povo acreditar / Mudou a história, foi preciso seguir / Vencer batalhas, não desistir". A arte armênia também ganhou destaque, assim como a culinária do país. Porém, a política foi lembrada com mais fervor. Além do genocídio armênio, o restabelecimento da independência do país após o fim da União Soviética, em 1991, e o processo para encontrar sua identidade foram vistos no Carnaval.

Trajes típicos

Se no Carnaval estamos acostumados a ver muitos foliões e carnavalescos com poucas roupas, a Rosas de Ouro veio na contramão. Muitas alas retrataram com precisão as roupas típicas da Armênia, mais longas, fechadas e com chapéus que cobrem parte do rosto. Mesmo assim, isso não foi desculpa para todos caírem no samba e se divertirem na Anhembi.

Confira a letra do samba-enredo

"Viva Hayastan"

Roseira é felicidade
A esperança de um novo amanhã
Viva Hayastan!

Tem que respeitar a minha identidade
Roseira é felicidade
A esperança de um novo amanhã
Viva Hayastan!

Ganhei o mundo
O destino escolheu assim
O sentimento mais profundo
Está guardado em mim
Tu és o Sol que faz brilhar o meu sorriso
Reflete o esplendor do paraíso
Símbolo de força e coragem
Deus levou todo pecado em suas águas
Berço de guerreiros fascinantes
Onde a vida teve outra chance

A fé que ilumina o meu caminhar
Fez o povo acreditar
Mudou a história, foi preciso seguir
Vencer batalhas, não desistir

A fé que ilumina o meu caminhar
Fez o povo acreditar
Mudou a história, foi preciso seguir
Vencer batalhas, não desistir

Palavras bordadas no tempo
Revelam o amor que eu sinto por ti
Orgulho estampado no peito
Que hoje reluz e floresce aqui
Teus filhos te abraçam, oh mãe soberana
Somos herança da tua raiz
A arte que corre nas veias faz nossa gente feliz
A Rosas ergue a bandeira da superação
E canta Armênia nesse carnaval
Celebrando a união

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18,40%
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8,15%
Mariana Pekin/UOL
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