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PSB quebra acordo com Aécio e lança candidato ao governo de Minas

Divulgação/Wagner Ziegelmeyer
O sanitarista Apolo Heringer Lisboa, candidato do PSB ao governo de Minas Gerais, com apoio da ex-senadora Marina Silva. Há 50 anos, ele deu aulas de marxismo e filosofia para Dilma Rousseff Imagem: Divulgação/Wagner Ziegelmeyer

Carlos Eduardo Cherem

Do UOL, em Belo Horizonte

09/04/2014 19h21

O lançamento da candidatura do sanitarista Apolo Heringer Lisboa, 71, pelo PSB em Minas Gerais nesta terça-feira (8) abre um cenário político que pode repercutir em outros Estados nas eleições deste ano. Lançada pela ex-senadora Marina Silva, a candidatura promove um racha no acordo entre PSDB e PSB, que reelegeu o prefeito Marcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte, candidatura que tinha o apoio do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Lisboa nega um suposto acordo entre Aécio Neves e o ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), ambos pré-candidatos à presidência, em torno de um palanque único em Minas Gerais. No acerto, o governador pernambucano não viria a Minas Gerais e o tucano não iria a Pernambuco.

Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso, o advogado Pimenta da Veiga ficou afastado da política por duas décadas. Voltou esse ano para ser candidato ao governo de Minas do PSDB pelas mãos do ex-presidente, que indicou seu nome para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Nesta quarta-feira (9), Pimenta da Veiga foi convocado pela PF (Polícia Federal) a depor sobre o repasse de R$ 300.000 que recebeu de agências do empresário Marcos Valério de Souza, condenado no mensalão.

A legenda está dividida no Estado entre a facção liderada pelo deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG), presidente estadual do partido, que quer apoiar o tucano Pimenta da Veiga, e do ex-deputado federal Mário Assad Júnior, vice-presidente do Diretório Estadual do PSB, um dos responsáveis pela pré-candidatura do sanitarista. 

"Gostaríamos que o PSB debatesse essa possibilidade [a candidatura de Lisboa] por se tratar de personalidade política que goza de respeito da sociedade mineira e cuja candidatura teria potencial de atender aos anseios de mudança do eleitor do estado. (...) Entendemos ser fundamental que tenhamos candidatura própria também em Minas, por sua importância política, econômica, social e cultural", afirmou Marina Silva.

Em Belo Horizonte, com cerca de 1,2 milhão de eleitores, Marina Silva teve 39% (560 mil votos) dos votos válidos no primeiro turno das eleições presidenciais, superando Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Ex-guru

O médico sanitarista Apolo Heringer Lisboa, foi responsável por introduzir as noções de marxismo à presidente Dilma Rousseff e ao ex-ministro Fernando Pimentel (PT). Hoje, 50 anos depois, ele afirma que, se pudesse, voltaria a dar aulas aos dois. “Eles esqueceram tudo [que aprenderam]. Se pudesse, gostaria de oferecer aos dois um curso de pós-graduação em política”, disse após o lançamento de sua candidatura ao governo mineiro.

“Sou fundador do PT, caminhei com [o ex-presidente] Lula por todo o Estado para criação do partido na década de 1980. Portanto, muito antes da entrada dela [Dilma] na legenda, em 2001”, afirmou o sanitarista.

Ex-guerrilheiro, preso político e exilado, Lisboa tinha 21 anos quando conheceu Dilma Rousseff, então com 16 anos e cursando o 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Central de Belo Horizonte. Fernando Pimentel, na época com 18 anos, estava no 3º ano do ensino médio na mesma escola.

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Lisboa era presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e responsável por ministrar os cursos de política, filosofia e marxismo aos integrantes do grupo de resistência à ditadura que se formava em Belo Horizonte, entre 1964 e 1965, e que deu origem ao Colina (Comando de Libertação Nacional).

“Não era só a Dilma que me chamava de guru político. Eram todos os alunos que tinham cinco, seis anos menos do que eu. Eu era o teórico do grupo de resistência e acabei conquistando certa admiração da turma”, afirmou Lisboa.

A exemplo da presidente, que vai tentar a reeleição este ano, o ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel é pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo PT.

“Estaremos em palanque diferentes. Com certeza”, afirma Lisboa.