PUBLICIDADE
Topo

Política

Com poesia e música, Campos oficializa chapa com Marina

Marina Silva (PSB) postou selfie com o pai e familiares para estrear a sua conta no Instagram, antes de seguir para evento da aliança PSB-Rede-PPS - Reprodução/Instagram/@_marinasilva_
Marina Silva (PSB) postou selfie com o pai e familiares para estrear a sua conta no Instagram, antes de seguir para evento da aliança PSB-Rede-PPS Imagem: Reprodução/Instagram/@_marinasilva_

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

14/04/2014 14h41Atualizada em 14/04/2014 22h02

Em um evento com clima de casamento, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) oficializa nesta segunda-feira (14) a ex-ministra Marina Silva, também do PSB, como sua vice na chapa presidencial que concorrerá em outubro ao Planalto.

A cerimônia, realizada no Hotel Nacional de Brasília, iniciou com uma apresentação de cerca de meia hora do pianista Arthur Moreira Lima, que tocou algumas peças, incluindo algumas do cancionário popular brasileiro, como “Trenzinho Caipira” e “"Asa Branca”. Coube a ele também executar o Hino Nacional.

Campos e Marina foram recepcionados com bandeiras e gritos de guerra em um salão lotado com mais de 600 pessoas. Diversos políticos foram prestigiar a formalização da aliança, como os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Pedro Taques (PDT-MT) e Cristovam Buarque (PDT-DF), e o deputado federal Walter Feldman (PSB-SP), além do escritor pernambucano Ariano Suassuna.

Até as 16h40, Marina e Campos ainda não haviam discursado no evento.

O primeiro-secretário nacional do PSB, Carlos Siqueira, foi quem anunciou os nomes de Campos e Marina e acrescentou que ainda precisarão ser homologados na convenção do partido em junho. "Mas certamente serão confirmados", apressou-se em dizer.

Em um dos momentos de maior desconcentração do evento, o escritor Ariano Suassuna brincou com a platéia relembrando "causos", fez elogios à gestão de Campos e destacou o papel estratégico de Marina para tornar o ex-governador pernambucano mais conhecido nacionalmente. "Espero então que o Brasil me de a mesma alegria [que tive em Pernambuco com os governos de Campos], porque a Marina vai ajudar muito nessa tarefa, a gente precisa mostrar quem é Eduardo Campos, o que é que ele faz e como é que ele faz."

A estratégia de Campos é tentar se beneficiar da parcela de votos que Marina arrebanhou na eleição de 2010, quando recebeu 19,6 milhões de votos ao concorrer pelo PV e terminou as eleições em terceiro lugar.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada há uma semana, a ex-senadora recebeu 27%, maior percentual entre os potenciais adversários da presidente Dilma Rousseff, incluindo o próprio Campos, que teve 14%.

No ato, foi lida uma carta de princípios da futura campanha de Campos e Marina, com diretrizes como intensificar o diálogo com diversos setores da sociedade e rejeitar todas as práticas que possam provocar desgaste dos demais candidatos, como ataques pessoais.

O evento, classificado por Carlos Siqueira como um ato político-cultural, teve até declamação de poesia, em que Campos foi chamado de "a maior revelação" e Marina, de "a maior confirmação". A plateia, empolgada, começou a entoar: "Brasil, pra frente, Eduardo presidente" e foi acompanhada do palco por vários políticos, incluindo a própria Marina.

Em um breve discurso, Cristovam Buarque foi na contramão do seu partido, o PDT, que já acenou apoio ao PT de Dilma Rousseff, e declarou seu apoio à dupla Campos/Marina: "Pelo sonho de alternância, podem contar conosco".

Em seguida, Roberto Freire, do PPS, saiu em defesa da aliança e criticou o "esgotamento de ciclo de diversas forças políticas".

Partidários da aliança deram seus depoimentos acalorados e recheados de críticas ao PT e PSDB. "Somos os portadores da esperança", discursou o economista Eduardo Gianetti em tom ufanista. "Estamos gerando expectativa e alimentando esperança além das urnas eleitorais",emendou a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).

O lançamento oficial da dupla como candidatos, porém, só ocorrerá de junho em diante, com a devida aprovação dos nomes em convenção partidária e o registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda nesta segunda-feira, após o evento, Marina e Campos participam de um chat com internautas às 17h30. 

Filiação ao PSB

Em outubro do ano passado, após ter o registro do partido Rede Sustentabilidade negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a ex-senadora se filiou oficialmente ao PSB, surpreendendo até a seus aliados.

À época, Marina afirmou dar total apoio à candidatura de Eduardo Campos à Presidência. Mas, em várias entrevistas desde então, Marina não deixou claro se seria vice do ex-governador de Pernambuco nas eleições de 2014.

"Muitas vezes me perguntavam se esse era um plano A ou B. Posso dizer que esse é um plano C. O plano C é o Eduardo Campos. Escolhemos por que ele sempre nos apoiou no começo. Tivemos uma carta de apoio dele já quando resolver criar a Rede", disse na ocasião.

Política