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2 meses

Leia a íntegra da fala de Bolsonaro ao deixar hospital em São Paulo

Sem máscara, Bolsonaro fala com jornalistas na saída do hospital em São Paulo - Bruno Rocha/Agência Enquadrar/Folhapress
Sem máscara, Bolsonaro fala com jornalistas na saída do hospital em São Paulo Imagem: Bruno Rocha/Agência Enquadrar/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

18/07/2021 14h09Atualizada em 18/07/2021 17h26

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu hoje alta do hospital onde ficou internado por 4 dias. Na saída, falou com jornalistas por cerca de meia hora.

Confira a íntegra da fala do presidente ao sair do Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo.

Obrigado pela atenção. Tô acompanhado aqui do meu ex-colega Olímpio [José Olímpio Silveira Moraes, vereador em São Paulo pelo DEM conhecido como Missionário José Olímpio], deputado federal comigo, recebi a visita agora do Valdemiro [pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus], também conheço há algum tempo, acompanho o trabalho dele, entre outras pessoas. Bem. Comecei a passar mal depois de uma cirurgia de implante e obviamente, né, a origem disso é complicado descobrir o que é. Alguns dias depois agravou a crise de soluço, parecia que estava pegando fogo o estômago. Bem. Causa disso: era obstrução intestinal, porque a aderência é comum para quem já sofreu cirurgias como eu sofri vivendo aquela facada do ex-psolista Adélio, lá em Juiz de Fora. Fui atendido lá em Brasília pelo doutor [Antônio] Macedo, doutor Leandro [Echenique] também, e vim para cá com chances de 90% de cirurgia. Talvez a viagem, talvez a sacolejada da ambulância, talvez um milagre de Deus, que eu acredito em Deus, o quadro se evoluiu de um dia pro outro e foi numa constante evolução, de modo que dois dias depois foi descartada a possibilidade de cirurgia.

Bem. Mas tive que me submeter a uma dieta, fiz o que tinha que ser feito, orientado pelos doutores Macedo e Leandro. Queria ir embora desde o primeiro dia, não me deixaram ir embora. E espero daqui a uns dez dias estar comendo aí um churrasquinho de costela, comendo qualquer negócio.

No resto, a luta continua, o Brasil está aí, temos muita coisa para resolver, estou ciente da minha responsabilidade, da dificuldade de deixar o país com tantos problemas como nós encontramos em janeiro de 2019. O Brasil quase que destruído ética, moral e economicamente. Graças a Deus estamos evoluindo no tocante a isso daí.

[Jornalista pergunta se o presidente vai voltar a trabalhar amanhã]

Não deixei de trabalhar aqui. Conversei com vários ministros, paguei missão para vários ministros. Vou pegar o Queiroga amanhã, conversar com ele, a questão da covid. Todo mundo tá preocupado, obviamente. Mas estudei agora, tive acesso a estudos do CDC, centro de controle de doenças dos Estados Unidos, o que mais mata de covid em primeiro lugar é quem ta com obesidade, segundo lugar é quem está tomado pelo pavor ou pelo pânico. Lembra o que eu falava lá atrás? Temos que enfrentar, é um problema, temos que enfrentar, não temos alternativa. Então quem está com pânico, com pavor, a chance de evoluir para uma piora gravíssima é o pânico ou o pavor.

Sem fundamentação, Bolsonaro diz que o coronavírus contamina quem está tomado pelo medo. Desde o início da pandemia, o presidente defende a divulgação de notícias positivas sobre a crise sanitária e critica a imprensa, afirmando que o noticiário causa pânico na população — embora mais de meio milhão de pessoas já tenham morrido por covid-19 no Brasil.

Agora, o que me surpreende é a gente ver o mundo aí, alguns países investindo em remédio para curar o covid, e aqui se você fala de cura pra covid você pode ser criminoso, Valdemiro! Pode ser criminoso. Você não pode falar em cloroquina, ivermectina.

Não há qualquer substância que tenha eficácia comprovada para prevenção ou tratamento precoce da covid-19. A cloroquina já é inclusive contraindicada para a doença. A ivermectina ainda está sendo estudada.

E tem uma coisa que já acompanho há algum tempo e que temos que estudar aqui no Brasil: chama-se proxalutamida, já tem uns 3 meses que isso não tá no mercado, é uma droga ainda sendo estudada, mas que alguns países já têm mostrado melhora. Isso existe no Brasil de forma não ainda comprovada cientificamente, de forma não legal, mas que tem curado gente. A proxalutamida, eu quero ver se eu? Como é que é o nome do órgão lá da Saúde que trata desse assunto? Comep, Conep [Conep - Comissão Nacional de Ética em Pesquisa], não sei. Vamos ver se a gente faz um estudo aí para a gente apresentar uma possível alternativa.

Não há como dizer que a proxalutamida "tem curado gente" se não há comprovação científica de que a proxalutamida é eficaz contra a covid-19. Saiba mais sobre o medicamento aqui.

Mas temos que tentar. Como eu dizia, sempre disse: na Guerra do Pacífico, não tinha sangue para os feridos, resolveram botar água de coco e deu certo. Tem que buscar alternativas. E com todo o respeito: eu não errei nenhuma ainda. Até quando, lá atrás, eu zerei os impostos da vitamina D. Nós não erramos absolutamente nada no tocante a isso aí. Não é chute, é estudo. Agora, não consigo entender por que criminalizar qualquer possibilidade de descobrir uma alternativa, um remédio. Será o peso da indústria farmacêutica?

Teve agora aqui a CoronaVac, pelo que tudo indica está com uma eficácia muito baixa. Olha o Chile, até o governador daqui [João Doria, PSDB-SP] pegou pela segunda vez, apesar de ele dizer que respeitava todos os protocolos, acabou se reinfectando, segundo ele disse.

Bolsonaro é adversário político de Doria e tem atacado com frequência a Coronavac, que é fabricada pelo Butantan, do governo de São Paulo. Já mostramos no UOL Confere em junho que a declaração sobre a eficácia da Coronavac é mentirosa. Nenhuma vacina elimina o risco de contágio; o objetivo é reduzir o risco de quadros graves. A desinformação nas redes sobre a reinfecção de Doria, ecoada agora pelo presidente, foi checada pelo Projeto Comprova, do qual o UOL faz parte.

E no mais, eu gostaria muito que a CPI, eu não vou aqui clamar no deserto, né? Olha o exemplo do Senado americano, eles estão em cima da origem do vírus e em cima da possibilidade de alternativa de cura. A CPI daqui fica o tempo todo me acusando de corrupto por algo que eu não comprei, algo que eu não paguei. E quem paga é alguém lá do ministério.

De fato, o governo não desembolsou nada com doses da Covaxin, cujo contrato é repleto de suspeitas. O que Bolsonaro não diz é que o governo mantém reservado, desde fevereiro, um valor de R$ 1,6 bilhão para a compra — como o UOL Confere já mostrou.

É todo dia uma narrativa, é a CPI da cloroquina, do gabinete paralelo! Eu conversar com uma pessoa agora passa a ser gabinete paralelo? É como se eu não tivesse autoridade, se tinha que mudar alguém de ministério, mudar. Nós temos que buscar é solução. E não buscar o inferno. Querem derrubar o governo? Já disse, só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só Deus me tira daquela cadeira? Se tiver? Se aparecer uma corrupção no meu governo, vou ser o primeiro a buscar uma maneira de apurar isso aí e deixar na mão da Justiça para que seja punido esse possível responsável. Estamos há dois anos e meio sem corrupção. Parece que alguns estão com saudades.

Bolsonaro omite todas as suspeitas de irregularidades não só na compra de vacinas, como em outras áreas. Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, é investigado sob suspeita de ter afrouxado a fiscalização da exportação de madeira. Marcelo Álvaro Antônio, ex-ministro do Turismo, foi pivô do esquema de candidaturas laranjas do PSL denunciado pela Folha.

Eu não entendo por que, por exemplo, não querem voto auditável. Não entendo por quê. Será que esse voto eletrônico usado no mundo todo é tão confiável assim? Por que essa briga? Nós queremos transparência nas eleições. Não existe eleições sem transparência, isso é fraude. Não queremos isso. Mais alguma coisa, para eu poder ir embora?

Segundo o TSE, o voto eletrônico já é auditável: há fiscalização do funcionamento das urnas e é possível fazer recontagem. Bolsonaro costuma tratar o voto impresso como sinônimo de "voto auditável" (esta reportagem explica melhor este debate). Bolsonaro tem usado a questão do "voto auditável" para afirmar, sem provas, que há risco de fraude eleitoral. Nunca houve fraude registrada desde que a urna eletrônica passou a ser usada no Brasil.

[Jornalista pergunta sobre a denúncia de que o ex-ministro Eduardo Pazuello negociou doses da CoronaVac por um preço maior que o oferecido pelo Instituto Butantan]

Você trabalha de Brasília ou aqui em São Paulo? Em São Paulo. Os teus colegas lá em Brasília sabem, lá é o paraíso dos lobistas. Todos vocês aqui nos pressionavam por vacinas. Então muitas pessoas foram recebidas lá no Ministério. Se você ver o próprio traje do Pazuello, se eu não me engano ele tá sem paletó. Aquele pessoal se reuniu com o diretor responsável por possíveis compras lá no Ministério. E na saída, ele conversou com um pessoal. Aquele vídeo? Se fosse algo secreto, negociar algo superfaturado, ele estaria dando entrevista, meu Deus do céu? Ou estaria escondidinho lá no porão do ministério? É só analisar isso aí! Outra coisa: nós botamos compliance em todos os ministérios em março, abril de 2019. Além dos filtros do Ministério, tem a CGU [Controladoria-Geral da União], tem o TCU [Tribunal de Contas de União], não tem como você fraudar no nosso governo. É igual vocês acusaram o Pazuello de querer comprar Covaxin com 1000% de superfaturamento, não existe isso. Não existe, absurdo. É igual acreditar num cargo que, com todo respeito aos cargos do Brasil, das Forças Armadas, auxiliares, etc., que ele negociou uma propina de US$ 400 milhões. R$ 2 bilhões. O último depoimento, esqueci o nome do cara aqui, ele tava completamente nervoso. É um cara que inclusive, já que é tão lobista assim, negocia bilhões, ele recebeu auxílio emergencial. São pessoas que não têm credibilidade nenhuma. Agora, lá em Brasília não falta gente pra vender lote na Lua, acredita quem quiser. E lamentavelmente, a imprensa, grande parte da imprensa, adota um caminho de simplesmente denunciar. Denunciar... Divulgar aquilo que nós não fizemos. É motivo de orgulho para mim saber que todos esses possíveis contratos não foram? não deram mais que um passo. E foi apontado que existia irregularidade. Eu sempre determinei pro Ministério da Saúde, comprar vacina duas condições: passar pela Anvisa e só pagar depois que chegasse. Esse agora, que você falou que negociou com o Pazuello, eles queriam que pagasse 50% adiantado. Dar bilhões de reais para um cara, para receber a vacina não sei quando. Não existe isso. Não vai. O Elcio [Coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde] trabalhou muito bem nessa questão, não tem um centavo nosso estendido para essas pessoas para vender vacina. Ou vocês acham que nunca? No bolo que fica nas reuniões no palácio, chega o cara: tenho uma vacina, me apresenta o ministro, eles não vão olhar pro cara? Que Brasília é o paraíso dos lobistas, dos espertalhões, ou não é?

[Jornalista pergunta se Bolsonaro acha normal o ministro receber representantes das empresas]

Se eu tivesse na saúde, teria apertado a mão daqueles caras todos. O receber, ele não tava sentado à mesa. Geralmente eles tiram a fotografia sentados na mesa, negociando. E se fosse propina, não daria entrevista, não faria aquele vídeo, dá pra você entender isso aí? Dá para a Globo entender isso aí? Geralmente quando o cara fala em propina, é pelados dentro da piscina. Ou não é? Se ele falou abertamente! Você sabia como era o Ministério da Saúde no passado? Como é no presente? A diferença de antes e depois do Pazuello? O primeiro momento era evitar os furos ali, sabia que o orçamento diário da saúde são R$ 550 milhões? Pode alguém estar fazendo besteira? Pode. A gente fica gratos se alguém apresentar realmente algo que a gente possa corrigir, punir os responsáveis. A gente agradece aí. Agora, nos acusar... A mim, né? De corrupção por algo que não compramos? [tosse] algo que não pagamos, isso é má-fé, pessoal. Eu agradeço a imprensa se fizer um trabalho investigativo, colaborar, o que tiver problema, a gente vai atrás. Olha o que nós já fizemos pelo Brasil. As vacinas tão aí. Qual país do mundo? Olha o tamanho do Brasil. São mais ou menos 170 milhões de pessoas acima de 18 anos, porque abaixo de 18 anos não tem a recomendação para tomar a vacina ainda. Olha o que nós já fizemos. Quando se fala em negociar a vacina em fevereiro ou março, oferecer vacinas, um milhão de doses. Não tinha no mercado! A primeira vacina foi no início de dezembro, no Reino Unido. O Brasil começou no mês seguinte. Estamos lá na frente no tocante à vacina. E no que depender de mim, a vacina é não obrigatória, ponto final.

Todas as pandemias selecionam um país. Todas. Todas. Onde é que tinha vacina para comprar? Me responda aí. Me responda, onde tinha vacina para comprar? Por que nós recebemos um lote de poucos milhões? Por que não pode receber de 30, 40, 50, 100 milhões? Se tivesse, eu teria comprado.

Eu assinei uma medida provisória em dezembro do ano passado, de R$ 20 bilhões para comprar a vacina. A vacina tá aí, à disposição. Agora, hoje não tem vacinação em São Paulo, pelo que me contam aqui. Vai amanhã nos postos e acompanha, a imprensa acompanha a população. Quando se aponta determinado nome de vacina, o povo não quer tomar. Faça um trabalho no tocante a isso. Agora, a vacina ainda em fase experimental ou não é? É. É uma autorização emergencial por parte da Anvisa.

Como em outras vezes em que falou a esse respeito, o presidente mentiu. As vacinas contra a covid-19 não estão em fase experimental porque, no Brasil, diferentes imunizantes receberam o aval da Anvisa depois de passar por análises de segurança, qualidade e eficácia. Mesmo aquelas com autorização para aplicação emergencial passaram por esse tipo de teste.

[Jornalista pergunta se ele vai tomar a vacina]

Depois que todo mundo tomar? Eu vou estar numa fila. A hora que chegar a última dose, tem 200 caras atrás de mim. Eu como chefe aprendi no Exército: primeiro os subordinados. Sei que você não é minha subordinada. Primeiro quem está atrás de mim. Depois de todos vacinados, aí vai chegar a minha vez.

[Jornalista pergunta sobre o voto impresso]

Excelente pergunta. No artigo nº 85 da Constituição, eu estou em? Eu posso responder por crime de responsabilidade se eu interferir no trabalho do legislativo. Agora, depois que o Barroso [Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral] visitou o parlamento, é que os líderes partidários trocaram os integrantes da comissão para que eles votassem contra o voto impresso.

Agora, você quer eleição limpa? Acho que todos vocês querem eleição limpa. Vocês precisam responder para mim? É que vocês são educados, orientados a não responder, mas no fundo aqui: eu acho, eu sei disso, que a maioria de vocês não acredita no voto como ele tá aí. Daí alguns falam: ele foi eleito, reeleito tantas vezes. As coisas evoluem, pessoal. É igual o banco, todos os bancos têm uma equipe de hackers para buscar uma maneira de evitar que os clientes tenham suas contas invadidas e mexidas nela. Isso daí é dos anos 90, a tecnologia que tem é dos anos 90. Mas por que essa vontade do Barroso, doida, de buscar uma maneira de manter o sistema como está? Eu peço que o cidadão que vai demonstrar para vocês a fraude nas eleições, que esteja bem, ele tá com covid, eu vou convidar vocês a assistirem a uma demonstração dele. Eu posso adiantar uma das coisas importantes, existe uma estatística.. Eu errei, 271, né? Melhor, 231 vezes a apuração do segundo turno de 2014, dá Aécio, Dilma, Aécio, Dilma, Aécio, Dilma? E toda vez que a Dilma ganha é por uma margem maior do que quando o Aécio ganha. É possível jogar uma moedinha pra cima, 231 vezes e ela alterar cara e coroa? É impossível. Então nós temos que resolver uma só possibilidade de fraude, tem que combater isso aí. Deveria ser, isso aí, a Bíblia do TSE, e não o contrário. Por que não interessa entrar isso aí? Por que a apuração, tudo, a chave criptográfica, fica na mão de meia dúzia de técnicos? Não é todo o TSE, é meia dúzia de técnicos.

Uma auditoria feita pelo próprio PSDB constatou que não houve fraude na eleição de 2014.

Vamos fazer uma eleição limpa. Já que o outro cara [o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)] tem, segundo o Datafolha, tem 49% agora e no segundo turno 60%. Por que não vai tomar um café no bar? Não precisa passear por aí não, andar na [Avenida] Paulista, pegar aí o interiorzão. Vai tomar café num bar, ver o que o povo acha dele. Todos nós queremos, o cara que chegar, ninguém ter desconfiança. E ainda me acusa de ser golpista! Meu Deus do céu, quanta má-fé, vocês querem o quê? Já perguntaram para o Lula o que ele acha do movimento que está acontecendo agora em Cuba? Pergunta para ele. Alguém perguntou aí? Balança a cabeça, alguém perguntou para o Lula? Pergunta se ele apoia ou não. Eu peço a Deus que o povo de Cuba seja libertado, não existe algo mais sagrado na nossa vida do que a liberdade.

[Jornalista começa a perguntar sobre o voto impresso e é interrompida pelo presidente]

Não, aí não vou responder essa pergunta aí. Vai começar com se, se, se? Se Pedro Álvares Cabral voltar para cá, em vez de ir para América do Sul ir para outro lugar, não vou responder isso aí. Manda uma pergunta.

No começo, eu confiei na urna eletrônica. Eu confiei. Mas as tecnologias evoluem, eu te pergunto: já que é tão confiável assim, por que o Japão não usa o mesmo método? A Coreia do Sul? Reino Unido, Estados Unidos? Vários países. O Paraguai está usando a urna eletrônica com o voto impresso ao lado. É o que nós queremos. E olha a má-fé de algumas autoridades: "é o retrocesso, é a volta do voto em papel". É mentira quem fala isso, falta caráter para quem fala isso. É o papel do lado da urna eletrônica, e ninguém bota a mão no papel.

E outra coisa, não é só isso: a apuração tem que ser, também, pública. Tem que afastar aquela história de quem ganha a eleição não é quem vota, e sim quem conta o voto. O TSE não é uma constituição que tem poderes absolutos, não. Agora, por coincidência, o que faz o maior ativismo contra o voto impresso, o voto auditável, e o presidente do TSE, o ministro Barroso do Supremo Tribunal Federal. Dá para entender que é complicado a gente trabalhar dessa maneira? Por que ele não tentou falar comigo alguma coisa? Agora, nós queremos? Quem ganhar, quem os números apontarem em 2022, todo mundo fica tranquilo, sem problema nenhum.

[Jornalista pergunta se ele vai retomar reunião com os chefes dos demais poderes, agendada antes da internação]

Com toda certeza, sem problema nenhum, não tem nada de anormal essas reuniões nossas. É acertar aí alguma coisa, trocar uma ideia. O único chefe que não tem problema pela instituição sou eu, porque eu tenho o ministro que eu nomeio. O ministro Fux [Luiz Fux, presidente do STF] tem o Supremo ali que alguns pensam diferente dele, o Lira [Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados] e o Pacheco [Rodrigo Pacheco, presidente do Senado] também. Mas nós vamos cada vez mais nos acertando em alguma coisa para o bem do Brasil. Da minha parte não tem briga, eu sempre fui de paz e amor.

Eu respeito integralmente a Constituição. Deixa eu falar uma coisa pra vocês: tem gente sendo processado porque levantou uma faixinha de artigo 142. É isso? É ou não é? É. É ou não é? É. Eu respeito o artigo 1º da Constituição, respeito o artigo 2º da Constituição, o 10º, o 100º, e respeito o 142 também. Isso é crime? Eu jurei respeitar a Constituição, e estou respeitando isso daí. Algumas outras autoridades do Brasil aí não respeitam, a Constituição é ele, vale o que ele interpreta. Quando o cara levanta uma faixinha lá, AI-5, o que é AI-5? Existe ato institucional no Brasil? Não existe ato institucional. Tem que pegar aquele cara que levantou a faixinha do AI-5 e falar: amigo, isso aí não existe. É pedido absurdo.

O presidente se refere ao inquérito dos atos antidemocráticos, arquivado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A investigação apurava a organização de protestos pelo fechamento do Congresso e do Supremo. Bolsonarou discursou em um desses eventos.

É mesmo eu pedir a volta do cosmo de lipe para os militares, usado há dois séculos. E outra coisa: qual é, tem limite a liberdade de expressão? Quem quiser passar aqui gritando qualquer coisa aqui, fica à vontade. Se uma pessoa por ventura, se incomodar, recorra à Justiça. Ponto final. Ato antidemocrático, não dá para a gente conviver num país democrático com pessoas sendo presas e processadas por fake news e atos antidemocráticos.

Falando em fake news, cadê a Folha de S.Paulo? É uma máquina de fake news. Ou tem democracia, e democracia sim: desde liberdade de expressão, direito de ir e vir. O artigo 5º da Constituição, meu deus do céu, tá lá, cláusula pétrea. Nenhum parlamento pode modificar nenhum inciso do artigo 5º da constituição. Entre os direitos, é o de ir e vir. Olha o que alguns governadores fizeram. Toque de recolher, lockdown, sem comprovação científica. Tiraram o emprego de milhões de pessoas, fecharam igrejas, que que é uma igreja? Um refúgio, a pessoa tá apavorada, para não fazer uma besteira, procura o padre, procura o pastor, vai lá, recebe uma palavra de conforto. Redireciona sua vida. Fecharam isso tudo, a troco de quê?

Ao contrário do que diz Bolsonaro, lockdown e formas mais brandas de isolamento social são duas das principais medidas de combate ao coronavírus defendidas por cientistas. Bolsonaro também culpa governadores pelo fechamento de igrejas, mas a decisão foi tomada pelo STF em abril.

Olha o governador de São Paulo. Diz ele, seguindo todos os protocolos, cumprimento de cotovelo, máscara 24h por dia, duas doses da CoronaVac, foi reinfectado. Como diz o CDC, um estudo do CDC, o pavor corrobora com o agravamento da doença. Tomem seus cuidados, em especial os que têm comorbidades. Tirem da cabeça das pessoas o pânico. Infelizmente nós vamos conviver com o vírus por muito tempo, ou quem sabe a vida toda. Qual médico vai dizer que eu tô mentindo no tocante a isso aí, ou tô equivocado? Não existe.

Nós temos que enfrentar os problemas. Quase que a economia quebrou. Sem a equipe de Paulo Guedes, nossos ministros, trabalhar pelo auxílio emergencial.. O auxílio emergencial que nós gastamos no ano passado, foi maior do que o gasto nos últimos 10 anos com Bolsa Família! Esse governo, alguns acusam que não tem coração, imagine este povo, 48 milhões de pessoas, mas na verdade 60 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial, sem ter dinheiro para comprar o arroz com feijão, que inclusive aumentou de preço. É lógico que aumentou de preço! Estimularam todo mundo a ficar em casa.

É muito fácil fechar São Paulo, e daí? O que você vai fazer com o pessoal que trabalha de manhã para poder almoçar de noite. "Se vire?" "Eu tô cuidando da tua vida?" Fome também mata. Fecharam escola, eu não errei nenhuma. E vamos começar agora, amanhã eu pego o Queiroga, eu quero um estudo sobre a proxalutamida. Eu tô há 3 meses atrasado, porque tudo o que eu falo se volta contra mim, como se fosse um genocida. Como se só no Brasil morresse gente!

[Jornalista pergunta quanto dinheiro o governo vai investir na pesquisa sobre o medicamento]

Vai falar em dinheiro pra mim? Pra vocês mesmo da imprensa, obrigado. A TV Globo tá preocupada com dinheiro para salvar vidas? Vida não tem preço. Estudo não custa caro, é fazer o teste, voluntários. Não vou perguntar para você, mas minha mãe, por exemplo. Tem 94 anos. Se for descoberta um pouco avançada já a covid, eu autorizo, porque minha mãe já não responde por ela, a ser submetida a um tratamento com proxalutamida. Qual o problema? Agora, o protocolo Mandetta, que o garoto protocolo da Globo era o Mandetta [Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde], era: vá pra casa, quando tiver sentindo falta de ar, procure o médico. Eu perguntei para ele: Mandetta, procurar o médico para quê? Para ser intubado? Uma senhora, uma mulher, quando tem problema no seio, o que ela faz? Ela se submete aos exames, e se tiver algum ponto ali que acuse para um câncer, ela vai imediatamente para o tratamento. O caso de nós homens. Leva um toque lá e sentiu que tem problema, vai imediatamente tratar a próstata. Por que somente a covid-19 você vai tratá-la numa condição de hospitalização? E como que tá sendo tratado, tem comprovação cientifica? Não tem. Nós estamos na fase ainda de buscar uma maneira de salvar vidas. É isso que falta, coragem, meu Deus do céu.

Eu conversei com o prefeito de Brasília, converso com um montão de gente, nem sei quem é o prefeito! O prefeito de... Glicério, minha cidade, por exemplo, não falei com ele. Prefeito, por que fechou sua cidade? "Se eu não fechasse, eu ia ser acusado de não ter feito nada". Mas quem disse que deixando o povo dentro de casa, como fazem, não há contaminação domiciliar, como estudos em alguns estados americanos apontou para isso? Que 70% das contaminações aconteceram dentro de casa. Eu não sou médico, mas eu tenho que decidir. E óbvio que uma decisão mal tomada é uma indecisão, nós temos que decidir.

É um médico, por exemplo... Se não fosse uma decisão do doutor Borsato [Luiz Henrique Borsato] na Santa Casa de Juiz de Fora, eu teria morrido. Eu me lembro, quando eu deitava na maca, eu ouvi alguém falando, sabia que era medico: "corta imediatamente". Nem falou operar, eu ouvi falar "corta imediatamente". Eu perdi 3 litros de sangue, o primeiro milagre foi lá. O segundo foi a eleição.

E por falar em eleição: o que alguns querem no Brasil é a volta da corrupção e da impunidade. Parece, não: estão com saudade disso. Nós queremos o bem do Brasil, transparência. Não tem uma ação meu, uma canetada Bic minha, ou Compactor, fora das quatro linhas da Constituição. E nós queremos respeitá-la integralmente. Respeitar do primeiro ao último artigo da Constituição, acabar com abusos de certas autoridades.

O STF decidiu que Bolsonaro violou a Constituição ao extinguir por decreto conselhos criados por lei. A ministra Rosa Weber também derrubou trechos de decretos de Bolsonaro que flexibilizaram o acesso a armas. O STF revogou a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal por entender que a nomeação ocorreu "em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público".

[Jornalista pergunta se o médico recomendou uma dieta]

Ele falou? Lamentavelmente, eu desrespeito. Vou tentar seguir, não sou exemplo para ninguém quando se fala em dieta. Não sou exemplo. Mandou caminhar, tô com 66, não dá para jogar basquete mais, futebol, mandou caminhar. É a idade, vai pegar todos vocês um dia, tá certo?

[Jornalista pergunta se ele vai despachar do Palácio da Alvorada]

Mandaram despachar no Alvorada, essa é a primeira coisa que eu não vou seguir. Vou estar na Presidência amanhã. Vou estar direto da Presidência. Ali é melhor, essa semana estava reservada para mim como mais light, quando não sabia do problema ainda, para saber se eu podia fazer meu expediente com a família. Porque a gente não tem férias, não tô reclamando não. Mas vou continuar despachando. Mais do que despachar: eu vou avisar ministro. Gosto de pegar o ministro, conversar pessoalmente na sala dele.

Um apelo para a imprensa: vocês são importantíssimos, vocês vendem a verdade. Alguns órgãos de imprensa não podem ser politizados. Vamos criticar, enfia o c*cete, sem problema nenhum, e eu procuro corrigir? O que eu erro, que erro, né, a gente procura corrigir, tá certo? E todos nos estamos no mesmo barco. Ninguém quer voltar a ser o que é Cuba hoje em dia. Ninguém quer. Essa questão de comunismo, socialismo, apavora o mundo. Olha o que ta acontecendo com alguns países da América do Sul. Como disse: tá tendo inflação, alguma coisa? Sim, teve inflação no Brasil. Problema na cesta básica? Sim, não nego isso aí. Agora, o que nos fazemos: a Tereza Cristina [ministra da Agricultura] na Caixa Econômica, tá abrindo espaço para a agricultura familiar. A caixa do Pedro Guimarães tá trabalhando a todo vapor, o Banco do Brasil também. A Tereza Cristina é uma excelente ministra. Sobrevivemos a economia também graças aos agricultores, os caminhoneiros.

Preço do combustível, uma coisa importante, pessoal. Tá alto? Tá alto. Culpa de quem, minha? Eu tô com um projeto na Câmara, tá indo para quatro meses, para cumprir uma Emenda Constitucional de 2001 que diz que o ICMS tem que ter um valor nominal em todo o Brasil. O projeto não ia passar, conversei com o Lira, que tem colaborado bastante conosco. O projeto tá pronto agora, cada estado fixo nominalmente o valor do seu ICMS. Tô chegando no posto de gasolina e ver que a gasolina no Brasil tá custando em média R$ 1,90 na refinaria, não pode custar R$ 6, R$ 7 na ponta da linha. Quem é o vilão da história? O imposto federal, que é um valor nominal? Eu não reajustei desde que peguei do [Michel] Temer a presidência. Agora, o ICMS varia. Cresceu a arrecadação de ICMS em cima de uma ganância. Entendo que os estados têm problema financeiro, mas o injustiçado é o povo.

De vocês fizessem matéria sobre isso, seria excepcional. Por exemplo, por que eu decidi qualquer renúncia a esses tipos de receita no momento, a gente vai diminuir essa renúncia e eu quero que imediatamente seja compensado pra gente diminuir o PIS/COFINS do diesel, que tá em 30 e poucos centavos. Tem uma renúncia que nós estamos tirando fora agora, daqui a 3 meses, vou baixar 4 centavos do diesel. Diferentemente do estado de São Paulo, que aumentou o ICMS dos combustíveis durante a pandemia. Posso ir embora?

[Jornalista pergunta sobre a dieta]

Você não vai estar sabendo o que eu vou comer, mas eu sou um péssimo exemplo quando se fala em dieta.

[Jornalista pergunta sobre a CPI]

CPI já caiu em descrédito, né? Acredita? Olha os depoimentos lá. Olha como são tratados quem tá de um lado e quem tá do outro. Agora, já falei, repito para vocês: é um país de lobista, de picareta. Brasília, tudo o que há de ruim no Brasil vai para lá, para fazer lobby, tentar tirar proveito. Acredita quem quiser. O nosso governo não gastou um centavo com picareta. Nenhum. Parabéns a Pazuello, parabéns ao Coronel Elcio.

[Jornalista pergunta sobre os cuidados com a saúde]

Eu não sei, pô. Já falei que não sou exemplo, vou procurar seguir.

[Jornalista pergunta se ele vai fazer uma cirurgia de hérnia neste ano]

Não, não. Tenho uma lateral aqui, a barriga crescendo pro lado demais. Eu espero corrigir isso aí enquanto for presidente. Que depois que deixar a presidência fica mais difícil essa correção aí.

[Jornalista pergunta sobre a votação de Lei de Diretrizes Orçamentárias]

LDO eu tô vendo uma crítica em cima dos nomes? Os parlamentares aprovaram a LDO, é um documento enorme com vários anexos, tem muita coisa la dentro, certo? Agora, muitos parlamentares tentaram descartar essa questão. O deputado responsável por aprovar isso ai é o Marcelo Ramos [PL-AM], lá do Amazonas. O presidente. Ele que fez isso tudo, que se tivesse destacado, talvez o resultado tinha sido diferente. Então cobre em primeiro lugar do Marcelo Ramos.

E quem tá atacando parlamentares que votou o fundão, isso não é verdade. Teve a votação da LDO, que interessava pro governo. Então num projeto enorme, alguém botou lá dentro essa casca de banana, essa jabuticaba. Agora, o parlamento descobriu, tentaram destacar para que a votação fosse nominal para essa questão, e o presidente Marcelo Ramos do Amazonas, pelo amor de Deus, estado do Amazonas ter um parlamentar como esse? Pelo amor de Deus, estado do Amazonas.

Ele atropelou, ignorou, passou por cima e não botou em votação o destaque. Obrigado aos parlamentares que votaram a LDO, todos eles estão sendo acusados injustamente de ter votado esse fundão. E eu sigo a minha consciência, sigo a economia e a gente vai buscar dar um bom final para isso daí.

Afinal de contas, eu já antecipo: R$ 6 bilhões para fundo eleitoral, pelo amor de Deus. R$ 6 bilhões na mão do Tarcisio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura], ele recapearia grande parte da malha rodoviária do Brasil. R$ 6 bilhões na mão do Rogério Marinho [ministro do Desenvolvimento Regional], ele concluiria o Água Para o Nordeste. Agora, isso tudo vai pro orçamento, que nós temos um teto. Cada vez mais eu tenho menos recursos para investir. Quem perde com isso? Toda a população. E um bom parlamentar não precisa de dinheiro para fazer campanha, ele é reconhecido no seu estado. Tá ok? Obrigado.

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