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Com orçamento milionário, Mancha Verde impressiona encenando escravidão

Ricardo Matsukawa/UOL
Vivi Araújo é rainha da bateria da Mancha Verde, terceira escola a desfilar no Anhembi Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo*

2019-03-02T01:41:29

2019-03-02T14:23:46

02/03/2019 01h41Atualizada em 02/03/2019 14h23

A Mancha Verde entrou no sambódromo do Anhembi tentando se consagrar pela primeira vez no Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2019. No ano passado, a escola ficou em terceiro lugar e perdeu por pouco no desempate com a campeã Acadêmicos do Tatuapé e a vice Mocidade Alegre.

Desta vez, a agremiação apostou em um orçamento milionário, com 3.000 integrantes e a história de uma princesa africana. O espetáculo de cores e simbolismo ainda resgatou a luta pelos direitos dos negros e das mulheres no samba-enredo "Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra", que trouxe verve política em suas entrelinhas.

Luxuosa, louvando negros e a figura feminina, sem problemas técnicos aparentes, a Mancha já surge como uma das favoritas ao título do Carnaval de São Paulo.

Ao fim do desfile, Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde, se disse satisfeito e admitiu que hoje entende o que passa um técnico ou presidente de um clube de futebol. "Agora eu vejo o que passa o Maurício [Gallioti, presidente do Palmeiras]. Temos patrocínio, temos torcida, e temos que dar uma resposta", disse ele ao UOL, fazendo um paralelo entre o bom momento vivido pelo clube com o da escola de samba. "Mas claro que também há diferenças. A principal é que aqui [no desfile] nós perdemos para nós mesmos", ponderou Serdan.

Resgate de Aqualtune

A escola contou a história de Aqualtune, uma princesa e guerreira escravizada no Congo e trazida para o Brasil. Segundo a tradição popular, ela é a mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. De acordo com a lenda africana, deuses teriam tornado Aqualtune um ser imortal, que conduziu seus guerreiros até a queda definitiva do Quilombo de Palmares.

Fantasia com penas de faisão

Adriana Gomes, primeira porta-bandeira da Mancha Verde, usou uma fantasia com 5.000 penas de faisão para representar a riqueza do Congo, antes de a princesa chegar ao Brasil e ser escravizada. "Queremos mostrar que não somos uma torcida, mas uma escola de samba", disse ela ao UOL. Essa nova posição se refletiu também nas arquibancadas, onde a torcida não ficou concentrada como em outros carnavais, um pedido feito pela diretoria.

Lei Rouanet

A Mancha Verde foi a agremiação que mais arrecadou em São Paulo com o mecanismo de apoio à cultura, R$ 3,4 milhões, mais da metade do orçamento do desfile. Segundo Paulo Serdan, o dinheiro garantiu fantasias mais elaboradas e carros mais grandiosos. "O dinheiro que pegamos na lei é carimbado. Ele tem lugar certo para ir. Tenho que comprovar tudo que gasto", disse ele ao UOL.

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Viviane Araújo

Usando plumas em uma fantasia de princesa africana, a rainha da bateria da Mancha brilhou intensamente, no passo e na atitude. Para fazer jus ao samba-enredo de temática africana, ela radicalizou no visual e deixou cabelos crespos ao estilo black power. Um diferencial entre rainhas. "Comecei a me arrumar às 9h", falou ao UOL a musa, que entra na avenida com a escola há 13 anos. "Enquanto me quiserem como rainha, estarei aqui."

Cena de tortura

A Mancha Verde lembrou em um de seus carros alegórico a cruel herança escravocrata brasileira, em especial a relação entre o capataz e o escravo, com direito a encenação de tortura. Dramatizada com um integrante negro acorrentado e chicoteado, a cena impressionou e trouxe uma mensagem forte ao desfile, que contou com vários outros momentos coreografados, o que deve render valiosos pontos junto aos jurados.

* Com reportagem de Daniel Lisboa e Soraia Gama

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