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Militares distribuem flores para moradoras de favela em operação no Rio

08.mar.2018 - Militar oferece rosa para moradora da Vila Kennedy - Comando Militar do Leste/Divulgação
08.mar.2018 - Militar oferece rosa para moradora da Vila Kennedy Imagem: Comando Militar do Leste/Divulgação

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

08/03/2018 12h59

Militares das Forças Armadas aproveitaram o Dia Internacional da Mulher para distribuir nesta quinta-feira (8) flores para moradoras da favela Vila Kennedy, na zona oeste do Rio de Janeiro, que passa hoje pela quinta operação de segurança em duas semanas. As flores são parte do esforço da equipe de intervenção federal para tentar ganhar a confiança da população.

Essa é a segunda vez que os militares tentam uma aproximação amigável com moradores da área onde realizam operações militares. Foram distribuídas mil rosas brancas, segundo o Comando Militar do Leste. Elas foram doadas por um empresário ex-militar que apoia a intervenção.

Na última sexta-feira (2), um grupo de oficiais distribuiu gibis do “Recrutinha” --personagem criado pelo departamento de comunicação do Exército-- a crianças do Jardim Catarina, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Na história, um menino recebia ajuda do Exército para prender monstros de outro planeta que invadiam a vizinhança.

O UOL apurou que essas ações são só o começo de uma estratégia ampla adotada pelo interventor, general Walter Braga Netto, para tentar convencer moradores de favelas que não precisam dos “favores” de traficantes de drogas e podem confiar no Estado.

Ou seja, atualmente muitos moradores de comunidades pobres dominadas pelo tráfico de drogas acabam fazendo vistas grossas à ação de bandidos porque o crime organizado os ajuda com “favores” --como dar proteção, resolver desavenças e até ajudar financeiramente ou providenciar serviços básicos para moradores em dificuldade.

A ideia do interventor é tentar reverter essa lógica e tornar o Estado mais presente. A distribuição de flores e gibis é apenas o contato inicial dessa estratégia, segundo oficiais ligados ao Gabinete de Intervenção Federal.

Em breve, a equipe de intervenção deve levar para comunidades assoladas por traficantes não apenas as forças de segurança, mas também serviços públicos básicos.

Braga Netto se reuniu com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e seu gabinete há duas semanas para começar essa articulação. O processo de preparação para que outros órgãos públicos participem das operações militares, está em andamento. 

Militar entrega gibis do "Recrutinha" em ônibus em São Gonçalo - CML/Divulgação
Militar entrega gibis do "Recrutinha" em ônibus em São Gonçalo
Imagem: CML/Divulgação

Vila Kennedy

A operação desta quinta-feira na Vila Kennedy é a quinta grande ação das Forças Armadas na região desde o início da intervenção. A ação na favela é encarada como um possível modelo para as forças de segurança do Rio.

Segundo o Comando Militar do Leste, 1.400 militares, blindados, helicópteros e equipamentos pesados de engenharia, como tratores e britadeiras, participam da operação.

O objetivo principal é ajudar a polícia a patrulhar a região e evitar que criminosos voltem a instalar barricadas nas ruas.

Segundo o interventor, não haverá ocupação prolongada de favelas no Rio, mas as Forças Armadas e as polícias realizarão ações temporárias e de surpresa em regiões dominadas pelo crime organizado.

A primeira grande ação na Vila Kennedy ocorreu no dia 23 de fevereiro, após a polícia apreender na região a arma do sargento do Exército Bruno Cazuka, que havia sido assassinado dias antes por criminosos em Campo Grande, também na zona oeste.

As forças de segurança prenderam suspeitos e destruíram barricadas montadas pelo crime organizado para impedir a passagem de veículos pelas ruas.

A ação se repetiu nos dias 26 de fevereiro e 3 de março. Porém, na última segunda-feira (5), helicópteros de redes de TV sobrevoaram a área e mostraram que o crime organizado havia reinstalado barricadas.

As Forças Armadas então voltaram à favela na quarta-feira (7) e destruíram novamente as barreiras. A ação desta quinta-feira visa evitar que o crime organizado volte a dominar a região.

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