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Morre 2º militar em operação das Forças Armadas em favelas do Rio

O cabo do Exército Fabiano de Oliveira Santos foi baleado em confronto e morreu a caminho do hospital - Reprodução/Facebook
O cabo do Exército Fabiano de Oliveira Santos foi baleado em confronto e morreu a caminho do hospital Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio*

20/08/2018 19h31Atualizada em 21/08/2018 07h59

Aumentou para dois o número de militares mortos durante operação das Forças Armadas nos complexos do Alemão, Penha e Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (20). O segundo agente, o soldado do Exército João Viktor da Silva, foi ferido em confronto por volta de 17h40 no conjunto de favelas da Penha. Mais cedo, o cabo do Exército Fabiano de Oliveira Santos (foto) foi baleado no ombro e morreu a caminho do hospital.

O CML (Comando Militar do Leste) não informou as circunstâncias das mortes. Trata-se das duas primeiras mortes envolvendo militares no Rio desde o início da intervenção federal no estado.

De acordo com o porta-voz do CML, Carlos Frederico Cinelli, um terceiro militar ficou ferido nas ações e foi encaminhado para o HCE (Hospital Central do Exército). O soldado identificado como Marcus Vinicius Viana Ribeiro foi atingido na perna e está fora de perigo.

Em postagem em uma rede social, a mãe do cabo Fabiano Santos lamentou a morte do filho: “Meu filho, cadê  você? Volta, meu filho, está doendo tanto!” Na rede social, Delcenea Lemos postou uma foto ao lado do filho.

O presidente Michel Temer usou as redes sociais para se solidarizar com a família de Santos. "Minha solidariedade à família do cabo Fabiano, que lamentavelmente faleceu hoje durante operação da intervenção federal no Rio de Janeiro. O Brasil agradece ao militar que dedicou a própria vida por um país melhor", disse o presidente, em mensagem publicada no Twitter, na noite de hoje.

As operações nos três grandes complexos de favelas da zona norte começaram na madrugada de hoje. Segundo o Gabinete de Intervenção Federal, cinco suspeitos morreram em decorrência de confrontos e 60 pessoas foram presas. Cinco reféns foram liberados.

De acordo com balanço divulgado na noite de segunda-feira, foram apreendidos 14 armamentos (sendo cinco fuzis), 1.045 munições, sete carregadores, 554 kg de maconha em tablete e uma moto. Duas barricadas foram retiradas e 4.646 carros e moradores foram revistados.

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AFP

Ônibus incendiado e família refém

No final da manhã desta segunda, um ônibus foi incendiado na linha Amarela, que liga as zonas norte e oeste da cidade. A via expressa chegou a ficar interditada por cerca de 40 minutos no sentido Barra da Tijuca, na altura do Complexo da Maré.

Segundo o coronel Cinelli, o incêndio do ônibus foi determinado por criminosos como uma tentativa de interromper a via e diminuir a intensidade da operação militar. "O ônibus incendiado é fruto de uma determinação da criminalidade para que a população das comunidades vá à linha Amarela e atrapalhe as operações", disse ele.

Dos 36 presos na operação, seis foram detidos após fazer uma família refém no Complexo da Penha. A principal hipótese, segundo os militares, é de que os criminosos fizeram o grupo refém para fugir das tropas na operação. Segundo Cinelli, nenhum morador se feriu na operação de hoje.

Ele lamentou as mortes de suspeitos, mas atribuiu os confrontos à "irracionalidade notória" dos criminosos de enfrentar forças policiais. "Inocentes não foram feridos. As forças de segurança dão voz de prisão, mas com o fuzil apontado na cara do policial ele não tem outra ação a não ser se defender, disse o porta-voz do CML.

*Com informação do Estadão Conteúdo

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