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Forças Armadas vão patrulhar ruas do Rio de Janeiro, anuncia intervenção

Militares das Forças Armadas durante operação na Vila Vintém - Luis Kawaguti / UOL
Militares das Forças Armadas durante operação na Vila Vintém Imagem: Luis Kawaguti / UOL

Luis Kawaguti e Marina Lang

Do UOL, no Rio

26/03/2018 15h14Atualizada em 26/03/2018 18h50

O Comando Conjunto da intervenção, que reúne Forças Armadas e polícias do Rio de Janeiro, anunciou na tarde desta segunda-feira (26) que militares passarão a fazer patrulhamento ostensivo nas ruas da capital fluminense.

Apesar do anúncio de que reforço na segurança começaria hoje em áreas das zonas sul e norte e em parte da região central, a reportagem do UOL circulou durante a tarde pelas principais vias da região e não identificou a presença das Forças Armadas e da Força Nacional.

O Comando Conjunto afirmou que, no primeiro dia de patrulhamento, o objetivo da tropa era apenas fazer um trabalho de reconhecimento para identificar locais da cidade onde devem ser instalados pontos fixos de policiamento. Militares se deslocaram em veículos pelas zonas sul, norte e central do Rio, segundo afirmou o órgão.

O anúncio da ação ocorre após uma série de episódios de violência no Rio. Entre sábado (24) e esta segunda-feira (26), ao menos nove pessoas morreram em confrontos entre policiais e criminosos na favela da Rocinha, na zona sul carioca.

Um confronto envolvendo milicianos no bairro da Praça Seca também causou medo em moradores da região de Jacarepaguá, na zona oeste. Criminosos foram gravados por helicóptero da TV Globo atirando com armas de fogo dentro de favelas da região e também se deslocando por uma grande avenida portando fuzis e outros armamentos. A região não foi, contudo, incluída na zona de patrulhamento de militares anunciada hoje.

26.mar.2018 - Carro atingido por tiroteio na Praça Seca, zona oeste - OSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
26.mar.2018 - Carro atingido por tiroteio na Praça Seca, zona oeste
Imagem: OSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O objetivo da ação anunciada nesta segunda pela equipe de intervenção é aumentar a sensação de segurança em áreas estratégicas da cidade.

Segundo o Comando Conjunto, tropas das Forças Armadas, da Força Nacional de Segurança, policiais militares e guardas civis, da Prefeitura do Rio de Janeiro, farão o patrulhamento nas ruas. 

O número de agentes envolvidos na ação não havia sido divulgado pelas autoridades até a tarde desta segunda-feira. Também não há data para o reforço de segurança deixar as ruas da capital.

Corpo de Matheus da Silva Duarte Oliveira, 19, é sepultado no Rio. Jovem foi morto no último sábado (24) durante tiroteio na Rocinha, onde morava - Luciano Belford/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Corpo de Matheus da Silva Duarte Oliveira, 19, é sepultado no Rio. Jovem foi morto no último sábado (24) durante tiroteio na Rocinha, onde morava
Imagem: Luciano Belford/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Apoio à intervenção

Até agora, a cúpula da intervenção federal vinha descartando grandes ações ostensivas de tropas nas ruas. As operações envolvendo militares vinham se concentrando em favelas, especialmente na zona oeste do Rio. Sete delas foram alvo de ações desde o início da intervenção.

Mesmo assim, segundo fontes ligadas à cúpula da intervenção, o foco principal do general interventor Walter Braga Netto continua sendo o que os militares chamam de "ações estruturantes". Isso significa investir na reestruturação dos órgãos policiais para aumentar efetivos, melhorar a gestão, comprar equipamentos, punir corruptos e treinar policiais.

Eles dizem acreditar que essas ações de gestão nos bastidores são sustentáveis e devem se transformar no legado da intervenção, programada previsto para acabar no fim do ano.

A novidade da ação de hoje é a adoção, em paralelo às ações administrativas, de operações ostensivas para que a população veja as forças de segurança nas ruas do Rio.

Segundo fontes ouvidas pelo UOL, a ideia dos interventores é obter mais apoio da população à intervenção mostrando um Estado presente. Eles dizem que isso teria efeito de dissuadir bandidos de cometer certas ações criminosas e estimular a população a denunciar o paradeiro de suspeitos e armas. Mas, embora considerem esse tipo de ação ostensiva importante, os militares admitem que elas não terão efeito a longo prazo se a reestruturação das polícias não tiver sucesso.

Segundo o Datafollha, 76% dos moradores do Rio são favoráveis à intervenção federal na segurança pública. A pesquisa, publicada no domingo (25), revela ainda que metade dos entrevistados (52%) acredita que o panorama vai melhorar ao fim desse processo. No levantamento, 17% disseram ser contra a intervenção e 5% não se manifestaram. O instituto ouviu 1.012 pessoas entre quarta (20) e sexta-feira (22) da semana passada. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O Comando Conjunto da intervenção afirmou também que o patrulhamento ostensivo não afeta a experiência piloto que vem sendo realizada na favela da Vila Kennedy, na zona oeste. O local vem sendo alvo de ações de segurança das Forças Armadas desde o dia 23 de fevereiro.

A comunidade vai continuar a receber patrulhamento permanente de militares até que o 14º Batalhão de Polícia Militar, responsável pela área, passe por uma reestruturação e aumente sua capacidade de patrulhamento. Se esse modelo der certo, pode ser implantado em outras favelas do Estado.

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