Violência no Rio

Com mais de 5 mil homens, intervenção faz sua maior operação policial no Rio

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio de Janeiro

As Forças Armadas iniciaram na manhã desta quinta-feira (7) uma operação de segurança na Cidade de Deus e em outras cinco favelas da região de Jacarepaguá, zona oeste do Rio. O início da ação, por volta das 6h, ocorreu sob intensa troca de tiros e provocou o fechamento da estrada Grajaú-Jacarepaguá, uma das vias expressas mais importantes da região.

Ao todo, 4.600 militares e 760 policiais estão na região. Este é o maior efetivo utilizado em uma operação desde o início da intervenção federal no Rio. Blindados e helicópteros também são utilizados.

Militares e policiais entraram na Cidade de Deus em blindados Guarani e Urutu. Traficantes soltaram fogos de artifício para alertar outros criminosos sobre a chegada das forças de segurança.

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Logo em seguida começou um intenso tiroteio. A reportagem do UOL ouviu grande quantidade de disparos e rajadas de fuzil. O confronto inicial durou cerca de 20 minutos, depois os sons de disparos foram reduzidos.

Além da Cidade de Deus, a operação ocorre nas favelas Gardênia Azul, Outeiro, Vila do Sapê, Parque Dois Irmãos e Morro da Helena.

O objetivo da operação é enfraquecer a facção criminosa Comando Vermelho e abrir caminho para que policiais do 18º Batalhão da Polícia Militar reassumam o controle da região, habitada por cerca de 200 mil pessoas.

O Comando Conjunto da intervenção informou que um suspeito foi morto durante um confronto entre criminosos e as forças de segurança. Outras 13 pessoas foram presas. Um PM foi ferido e um militar motociclista morreu em acidente de trânsito na operação.

Também foram apreendidas três pistolas, uma granada e uma quantidade ainda não pesada de drogas. Um local que era usado para o preparo dos entorpecentes também foi encontrado, segundo os militares.

Segundo a Polícia Militar, em paralelo, ocorrem ações da polícia (sem participação das Forças Armadas) em outras favelas do Rio, entre elas, o Complexo do Lins, na zona norte, e a Rocinha, na zona sul.

Luis Kawaguti/UOL
Militares e policiais durante a operação contra facção criminosa na manhã desta 5ª

Moradores pedem ação permanente

Segundo moradores da região ouvidos pelo UOL, a ação é bem-vinda, mas eles pediram uma presença mais efetiva das Forças Armadas na comunidade.

"Acho bom acontecer isso porque está muito perigoso aí dentro. Ontem mesmo foi tiroteio o dia inteiro", afirmou um morador que pediu para não ter o nome revelado.

"O problema é a hora em que tudo aconteceu. O tiroteio começou forte quando as pessoas estavam se preparando para sai para o trabalho, tive que esperar para sair", disse.

Já um comerciante afirmou que as ações das forças de segurança deviam acontecer na área em caráter permanente. "Não adianta só entrar e sair, tem que ficar", disse.

Outro morador afirmou que qualquer operação é positiva. "Já ajuda muito, o crime aqui dentro está demais", disse também ser revelar seu nome.

Região é disputada por facções e milícias

Essa é a segunda vez que as Forças Armadas fazem uma operação de grandes proporções nessa área da zona oeste do Rio em menos de um mês. No dia 18 de maio, o foco foi em favelas do bairro da praça Seca, em Jacarepaguá, também área de responsabilidade do 18º Batalhão.

Essa região da zona oeste é considerada instável por ser palco de disputas entre facções criminosas e milicianos.

Entre os meses de março e abril, a intervenção adotou estratégia semelhante para fortalecer outro batalhão da PM, o 14º, de Bangu, responsável por áreas de favelas como Vila Kennedy, Batan e Vila Vintém.

Segundo a intervenção federal, as operações ostensivas das Forças Armadas em favelas do Rio são consideradas ações de caráter emergencial. Elas acontecem em paralelo a mudanças de bastidores que visam reequipar, melhorar a gestão e reestruturar as polícias do estado.

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