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Na reta final em SP, Covas aposta na vantagem e Boulos busca virada

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno em São Paulo - Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo
Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno em São Paulo Imagem: Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

29/11/2020 00h01

De um lado, Bruno Covas (PSDB) aposta na vantagem que conseguiu no primeiro turno e na liderança nas pesquisas de segundo turno. Do outro, Guilherme Boulos (PSOL) estimula o discurso de vira-voto. Este é o clima da reta final das eleições municipais em São Paulo, decididas neste domingo (29).

Segundo o Datafolha da véspera, Covas, candidato à reeleição, tinha 55% dos votos válidos contra 45%, de Boulos. Com vantagem de 10 pontos percentuais sobre o psolista, o tucano tem mirado no eleitorado mais velho para combater a abstenção. Diagnosticado com covid, Boulos, por sua vez, dobrou as apostas na aliança à esquerda e na força do apoio jovem para uma possível virada.

A serenidade da vantagem

O atual prefeito estruturou sua campanha sobre o discurso da experiência. "Compare os currículos", passou a sugerir depois de anunciado o concorrente no segundo turno. As pesquisas mostram que o argumento tem funcionado, seu desafio é, então, fazer seu eleitorado votar.

Nesta reta final, Covas manteve uma vantagem mínima de oito pontos percentuais nos votos válidos nas pesquisas divulgadas na capital, mas enfrenta a questão da abstenção que, por causa da pandemia, pesa sobre o eleitorado acima de 60 anos, onde ele tem 69% das intenções de votos.

No primeiro turno, o percentual de eleitores que não votaram chegou a 29,3% - diante de 21,8% na disputa de 2016. A preocupação com a saúde foi o motivo mais citado para não ir às urnas, principalmente entre os mais velhos, considerados do grupo de risco da covid-19.

No último dia de campanha, Covas se encontrou com eleitores idosos - Felipe Pereira/UOL - Felipe Pereira/UOL
No último dia de campanha, Covas se encontrou com eleitores idosos
Imagem: Felipe Pereira/UOL

Entre as campanhas, prevaleceu a avaliação de que a ausência dos idosos contribuiu para Covas ter obtido menos votos que o esperado. Não é de se estranhar que o tucano tenha passado seu último dia de campanha conversando com este público e reiterando seu discurso de serenidade e experiência.

"Amanhã [hoje] vamos às urnas decidir o futuro da nossa cidade. A experiência nunca se fez tão necessária para enfrentar os desafios de agora e do pós-pandemia", publicou o prefeito, em seu Twitter.

A luta pela virada

Boulos focou na outra ponta do eleitorado. Com discurso voltado à mudança e à "esperança", sua campanha conversou com jovens por meio das redes sociais e até em transmissão ao vivo de games.

Não à toa, tem apoio de 71% dos estudantes, segundo as pesquisas. Na reta final, empenhou-se em conseguir a simpatia entre grupos que não figura tão bem, como empresários, e os 4% de indecisos. O teste positivo para a covid-19 na última sexta (27) atrapalhou um pouco os planos, mas a campanha continuou mesmo sem ele.

O candidato do PSOL teve de desmarcar seus últimos eventos públicos e o debate da Rede Globo, onde ele teria a chance de falar com um público ainda maior, foi cancelado. Com lives e presença forte nas redes sociais a campanha apostou ainda mais no discurso de virar voto e a hashtag #ViradaComBoulos50 chegou aos trending topics do Twitter.

Diagnosticado com covid-19, Boulos fez campanhas nas redes sociais no último dia - Reprodução - Reprodução
Diagnosticado com covid-19, Boulos atuou nas redes sociais no último dia de campanha
Imagem: Reprodução

Na rua, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL), candidata a vice, assumiu a cara da campanha no sábado e até o ex-adversário Jilmar Tatto (PT) comandou, sozinho, uma carreata em apoio ao psolista.

"Estou recebendo dezenas de fotos, vídeos e relatos sobre o clima de virada na avenida Paulista nesse momento", publicou o candidato em seu Twitter sobre a carreata em seu apoio. Ele cumpre o isolamento em casa e não deverá nem votar neste domingo. No sábado, ele apresentou os primeiros sintomas da covid-19.

A não-polarização

Apesar de acusações de radicalismo ali e cutucadas sobre padrinhos políticos aqui, a disputa deste segundo turno foi mais republicana e menos permeada pela polarização política tantas vezes hostil que contrastou as últimas eleições.

Nos poucos debates em que se enfrentaram, ambos mantiveram um tom cauteloso, evitando rótulos e simplificações à direita ou à esquerda, embora cada um tenha se alinhado a espectros políticos diferentes.

Além dos membros tradicionais da centro-direita paulistana (PSDB, DEM e MDB), que já compunham a chapa, Covas recebeu ainda o apoio dos ex-adversários Celso Russomanno (Republicanos), Joice Hasselmann (PSL) e Andrea Matarazzo (PSD).

Boulos, por sua vez, formou uma frente à esquerda, com os apoios de lideranças nacionais, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e o governador Flávio Dino (PCdoB), artistas e os ex-adversários Tatto, Orlando Silva (PCdoB), Marina Helou (Rede) e o PDT paulistano, vice na chapa de Márcio França (PSB), que não declarou voto.

Em comum, nenhum dos dois quis o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), um cabo eleitoral não muito assertivo neste ano. Embora Covas tenha buscado a presença de Russomanno, candidato do presidente da capital, o tucano quis se desvencilhar ao máximo do Planalto.

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