O MH370 pode ser um 'voo fantasma'? Conheça 5 casos anteriores

Do UOL, em São Paulo

  • Louisa Gouliamaki/AFP

    Bombeiros carregam corpo de vítima de acidente com Boeing 737 da Helios Airways, na Grécia, em 2005

    Bombeiros carregam corpo de vítima de acidente com Boeing 737 da Helios Airways, na Grécia, em 2005

Embora as circunstâncias sejam ainda um mistério, há um crescente consenso entre os investigadores do desaparecimento do voo MH370 em torno da idea de que, por algum motivo, o avião da Malaysia Airlines mudou de rota e voou de maneira estável a uma área remota até que o combustível acabou e ele caiu, afirmou nesta quinta-feira (27) o jornal "Washington Post".

Na última segunda-feira, o governo da Malásia anunciou que o voo havia "terminado" sobre o sul o oceano Índico sem deixar sobreviventes, sendo muito criticado pelos familiares dos ocupantes da aeronave ao não apresentar evidências.

Objetos detectados no mar por satélites e que poderiam ser do avião ainda não foram alcançados pelas equipes de busca. 

Segundo reportagem da "New York Magazine", "muito do que sabemos apoia a teoria de que o MH370 foi um 'voo fantasma' -- mais espeficamente, que um incêndio, uma despressurização ou algum outro evento catastrófico forçou o piloto a tentar um pouso de emergência, o que explicaria a misteriosa mudança de rota feita pelo Boeing 777".

"Antes que o pouso pudesse ser executado, diz a teoria, a tripulação ficou incapacitada, deixando o avião, cheio de pessoas mortas ou à morte, voando sozinho em direção oeste, sobre o oceano Índico, até que o combustível acabou e ele caiu do céu", continua a reportagem.

A revista lembra que "não seria a primeira vez que tal evento derrubou um avião". "As histórias de cinco 'voos fantasmas' anteriores podem jogar luz sobre o que aconteceu" com o voo da Malaysia Airlines, finaliza.

Eis a lista, de acordo com a "New York Magazine".

1. Boeing 737 da Helios Airways (2005)

Tripulação em terra colocou o sistema de pressurização do avião em modo manual para checar um suposto vazamento e esqueceu de colocá-lo em automático. A pressão começou a cair 13 minutos após o começo do voo, que ia do Chipre para Praga. Alarmes soaram a bordo, mas os pilotos, já sofrendo de hipóxia (baixa oxigenação), não agiram, e o avião continuou subindo. O Boeing 737 entrou no espaço aéreo grego e foi interceptado por dois F-16. De fora, eles viram os passageiros com máscaras de oxigênio e os pilotos caídos sobre a mesa de controle. O avião caiu em montanhas perto de Maratona, na Grécia, matando todos os 121 ocupantes. 

2. Learjet 35 (1999)

Dois tripulantes e cinco passageiros, entre eles o golfista Payne Stewart, morreram nesse acidente. O jato decolou da Flórida em direção a Dallas, nos EUA, mas 14 minutos depois já não havia contato com a cabine. Jatos foram despachados para ver qual era o problema e encontraram as janelas opacas e cobertas de gelo. Investigações apontaram que "a causa provável do acidente foi a incapacitação da tripulação como resultado de falta de oxigenação após uma perda de pressurização da cabine, por razões indeterminadas". O avião voou por 4 horas, caindo em um campo em Dakota do Sul, a 2.400 km de distância.

3. Beechcraft 200 Super King Air (2000)

O avião foi fretado para levar funcionários de Perth para uma mina na cidade de Leonora, ambas no oeste da Austrália. Após meia hora, a aeronave começou a ganhar muita altitude. Quando controladores de tráfego aéreo perguntaram ao piloto o que havia de errado, ele respondeu com a língua enrolada e depois ficou em silêncio. Por cinco horas seguidas, o avião sobrevoou a Austrália com seus oito ocupantes inconscientes devido à falta de pressão na cabine. Ele caiu mais de 3.000 km adiante.

4. Cessna 441 (1980)

O técnico de futebol americano Bo Rein estava a bordo de seu Cessna particular em um voo que deveria durar apenas 40 minutos, quando o piloto desviou da rota para evitar uma tempestade. O avião perdeu contato com o Controle de Tráfego Aéreo quando atingiu a altitude de 23.000 pés, mas continuou subindo, chegando a 41.000 pés -- 6.000 pés a mais do que permitido. Cerca de 1.600 km depois, sem combustível, o avião caiu em um espiral na costa da Virgínia. Foram encontrados apenas pequenos pedaços de destroços e nenhum corpo, mas investigadores acreditam que o piloto tivesse perdido a consciência devido a uma despressurização. 

5. Cessna 421  (2012)

O médico Peter Hertzak, 65, deixou Slidell, no Estado americano da Louisiana, em direção a Sarasota, na Flórida, pilotando seu Cessna, mas nunca chegou. Em certo momento, a Administração de Aviação Federal percebeu que o avião estava voando em círculos sobre o golfo do México. Como não havia resposta às comunicações via rádio, dois F-15 foram despachados para o local. O piloto já estava desacordado, e a janela, cheia de gelo, uma indicação de despressurização da cabine. Depois de duas horas em círculos, o avião caiu e afundou no mar. O corpo de Hertzak nunca foi encontrado. Nos dias seguintes, relatos deram conta de que ele havia sido proibido de realizar cirurgias, o que levantou a tese de suicídio. 

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