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Braço armado do Hamas assume lançamento de foguetes contra Israel

Em Gaza

26/07/2014 18h34

As Brigadas "Azadim al-Qassam", braço armado do movimento islamita Hamas, assumiu neste sábado (26) a autoria do disparo de sete foguetes contra Israel, logo após o fim da trégua de 12 horas estipulada na sexta-feira (25).

Sami Abu Zuhri, porta-voz do movimento em Gaza, já havia advertido minutos antes que as milícias islamitas não aceitavam a proposta de prolongar por mais quatro horas a cessação das hostilidades, até a meia-noite, como Israel havia feito.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

Os foguetes foram lançados contra a cidade de Tel Aviv e contra a região de Nachal Oz, e pelo menos um deles foi interceptado pela bateria antiaérea "Iron Dome" e nenhum deles causou vítimas ou danos.

As 12 horas de cessar-fogo deram neste sábado um respiro aos moradores de Gaza para receber provisões, mas também revelou uma cruel realidade: bairros completamente arrasados e mais de 100 corpos sob os escombros.

Faltando uma hora para o fim do prazo pactuado, o número de cadáveres desenterrados de toneladas de escombros passava de 130 e elevava o número total de palestinos mortos nestes 19 dias de ofensiva israelense para mais de mil.

Segundo números do Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos 1.050 palestinos morreram --na maioria civis-- e mais de 6.000 ficaram feridos em ataques israelenses desde que em 8 de julho o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ordenou uma ofensiva contra Gaza.

Cerca de 800 deles --incluindo mais de 150 crianças-- morreram durante a atual incursão por terra, iniciada há nove dias, na qual também morreram em combate 42 soldados do Exército de Israel.

Reunidos em Paris, os ministros de Relações Exteriores de Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Catar, Reino Unido e da UE solicitaram hoje uma extensão do cessar-fogo, 24 horas mais e com opção a renovação.

Essa ampliação, segundo indicaram fontes oficiais francesas, essas condições "impõem a cada parte uma espécie de autodisciplina".

"O massacre não pode continuar, é insustentável, e todos os países que estavam na mesa de negociações falaram em uma só voz", disseram as fontes francesas, que afirmaram que o objetivo comum é tornar a cessação longa e durável.

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados