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Reino Unido identifica suspeito de decapitar jornalista, diz jornal

Em Londres

24/08/2014 07h59

Os serviços secretos do Reino Unido identificaram o jihadista britânico suspeito de ter decapitado o jornalista americano James Foley, segundo fontes governamentais citadas neste domingo pelo jornal "The Sunday Times".

De acordo com essas fontes, o serviço de contra-espionagem britânico MI5 e o serviço de espionagem MI6 revelaram que o jihadista é conhecido por outros militantes extremistas como "Jihadi John".

O aparente assassinato de Foley, de 40 anos, e que foi sequestrado na Síria em novembro de 2012, foi divulgado em um vídeo em fóruns jihadistas pelo grupo Estado Islâmico (EI), no qual é possível ouvir o suposto executor da decapitação do jornalista falar em inglês com sotaque de Londres.

Apesar de as fontes oficiais citadas não apresentarem detalhes sobre esse homem, o jornal diz que um suspeito chave é Abdel-Majed Badel Bary, de 23 anos, que deixou sua casa no bairro de Maida Vale, no oeste da capital britânica, no ano passado.

Em declarações a esse mesmo jornal, o ministro das Relações Exteriores, Philip Hammond, afirmou que a suposta origem britânica do jihadista representa uma "absoluta traição" aos valores do país.

Hammond declarou que seu governo investe "recursos significativos" para erradicar o que chamou de "barbárie ideológica" e que, segundo ele, pode ameaçar o Reino Unido.

O chefe da diplomacia britânica concordou com outros membros do governo de Londres ao opinar que a "ameaça" procedente de Síria e Iraque pode durar toda uma geração.

"É horrível pensar que o autor deste ato atroz pode ter sido educado no Reino Unido", afirmou o chefe do 'Foreign Office'.

Desde que o governo de coalizão de conservadores e liberais-democratas chegou ao poder, em 2010, mais de 150 cidadãos foram expulsos do Reino Unido por "comportamento inaceitável".

Entenda a violência no Iraque

  • O que está acontecendo?

    Desde que as tropas americanas saíram do Iraque, em 2011, o grupo islâmico EI vem rapidamente ocupando cidades do país. Desde junho, já tomou Mosul, segunda maior cidade e bastião da resistência à ocupação dos EUA e aliados, e partes de Tikrit, cidade de Saddam Hussein próxima da capital Bagdá

  • Quem está atacando?

    O EI (Estado Islâmico), um grupo islamita sunita que surgiu da união de diversos grupos que lutaram contra a ocupação do Iraque pelos EUA e que recentemente criou um califado nas áreas sob o seu controle no Iraque e no Levante (parte de Síria e Líbano). Seu principal líder foi Al-Zarqawi, morto em 2006. Hoje a liderança tem vários nomes, mas o principal é Al-Baghdadi

  • O que é um califado?

    É uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre

  • Qual a força do EI?

    O grupo, que recebe grandes doações ocultas de dinheiro, tem milhares de militantes, inclusive "jihadistas" americanos e europeus, e se aproveita da disputa entre o governo de Maliki, apoiado pelos xiitas, e a minoria sunita para conquistar espaço. Acredita-se que seja patrocinado por governos da região. Embora seja considerado um braço da Al-Qaeda, se rebelou e foi expulso pelo líder Al-Zawahiri

  • Qual o papel dos EUA?

    Alegando risco de genocídio, o presidente dos EUA, Barack Obama, determinou o bombardeio de áreas controladas pelos militantes do EI no norte do país. Os EUA também estão fornecendo armas e munição aos curdos para que combatam o movimento

  • Quem está na mira do EI?

    Cerca de 50 mil membros da minoria yazidi, que estão isolados em montanhas no noroeste do Iraque, sem comida nem água, depois de terem fugido de suas casas, e cristãos, que chegaram a ser crucificados. Mulheres tem sido forçadas a se submeter à mutilação genital e usar véus cobrindo o corpo inteiro

  • O Iraque pode se dividir?

    Apesar de o governo central de Bagdá ainda controlar oficialmente as províncias do país, é possível que haja a fragmentação em ao menos três territórios. Isso porque a divisão do Iraque entre árabes sunitas, xiitas e curdos já está bem avançada