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Mancha Verde é a campeã do Carnaval 2019 de São Paulo

Do UOL, em São Paulo*

05/03/2019 17h12Atualizada em 06/03/2019 19h04

A Mancha Verde é a campeã do Carnaval 2019 de São Paulo. A escola, que fez um espetáculo de cores e simbolismo resgatando a luta pelos direitos dos negros e das mulheres, conquistou a nota de 270 pontos e seu primeiro título. Escorada em um investimento de mais de R$ 3 milhões da patrocinadora do Palmeiras, a agremiação levou alegorias ricamente decoradas e fantasias com esmero nos detalhes.

A disputa foi acirrada com a Acadêmicos do Tatuapé, que estava na corrida pelo tricampeonato. O título foi decidido no último quesito, da alegoria, que acabou jogando a escola da zona leste para a sétima posição, terminando com 269,5 pontos. No ano passado, a Mancha ficou em terceiro lugar e perdeu por pouco no desempate com a Tatuapé (vencedora) e a Mocidade Alegre (vice).

Diretor da ala musical, Osvaldo Luís disse que o título deste ano é um "desabafo". "O povo não viu a força e o trabalho da Mancha, achava que ali não tinha sambista, só torcida. Mas aqui tem sambista sim, e hoje nós mostramos que sabemos fazer o Carnaval de São Paulo", falou ele ao UOL.

Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, disse que o Carnaval da cidade está com um alto nível e qualquer falha mínima pode prejudicar. "Não existe mais escola grande e pequena, estão todas competindo de igual para igual". Sobre as críticas de outras escolas ao patrocínio da Crefisa à Mancha, ele disse que as escolas podem ir atrás de patrocínios, que ajuda realmente em alguns quesitos, mas não em tudo. "A Mancha não estava em primeiro desde o início da apuração, tanto que ela foi subindo. Tem que valorizar o trabalho da escola."

A Mancha Verde volta à avenida na próxima sexta-feira (8) para o Desfile das Campeãs, junto com as outras quatro primeiras colocadas do Grupo Especial: Dragões da Real, Rosas de Ouro, Unidos de Vila Maria e Império de Casa Verde. Também desfilarão Pérola Negra e Barroca Zona Sul, campeã e vice do Grupo de Acesso, respectivamente.

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O desfile da Mancha

Terceira escola a desfilar na primeira noite, a Mancha Verde trouxe o enredo "Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra" e colocou o desfile em outro patamar visual. Extremamente disciplinada e técnica, a escola teve uma evolução contínua, sem sustos e com bom desempenho de canto. Não chegou a arrebatar as arquibancadas, mas conquistou a simpatia dos jurados.

A escola contou a história de Aqualtune, uma princesa e guerreira escravizada no Congo e trazida para o Brasil. Segundo a tradição popular, ela é a mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. De acordo com a lenda africana, deuses teriam tornado Aqualtune um ser imortal, que conduziu seus guerreiros até a queda definitiva do Quilombo de Palmares.

A Mancha Verde foi a agremiação que mais arrecadou em São Paulo com o mecanismo de apoio à cultura, R$ 3,4 milhões, mais da metade do orçamento do desfile. Segundo Paulo Serdan, o dinheiro garantiu fantasias mais elaboradas e carros mais grandiosos. "O dinheiro que pegamos na lei é carimbado. Ele tem lugar certo para ir. Tenho que comprovar tudo que gasto", disse ele ao UOL.

Tucuruvi e Vai-Vai caem

As escolas Acadêmicos do Tucuruvi e Vai-Vai foram rebaixadas e desfilam no Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo no ano que vem. A Tucuruvi ficou com 269,2 pontos e terminou em penúltimo lugar. A última posição foi da Vai-Vai, uma das escolas mais tradicionais de São Paulo e detentora do maior número de títulos no Carnaval paulistano, que ficou com 268,8 pontos.

Com um enredo de forte cunho social, a Vai-Vai procurou retratar a luta dos negros por justiça e igualdade. Com o samba-enredo "Vai-Vai, o Quilombo do Futuro", a escola homenageou figuras como Barack Obama, Nelson Mandela e a vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado. Apesar de elogiada por suas alegorias e energia na avenida, a escola teve um mau desempenho no quesito comissão de frente, onde obteve duas notas 9,7. A escola também perdeu pontos no quesito fantasia.

A Tucuruvi pisou na avenida com um forte enredo político. Com o samba-enredo "Liberdade - O Canto Retumbante de um Povo Heroico", a escola relembrou a história brasileira falando sobre a escravidão e criticou a homofobia, a violência contra a mulher, a classe política e o sistema de Justiça brasileiro.

*Com informações de Soraia Gama

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