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Intervenção quer esvaziar UPP de 'favela laboratório' e reforçar batalhão local

7.mar.2018 - Mulher e crianças passam por blindado das Forças Armadas na Vila Kennedy - Mauro PIMENTEL/AFP
7.mar.2018 - Mulher e crianças passam por blindado das Forças Armadas na Vila Kennedy Imagem: Mauro PIMENTEL/AFP

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

20/03/2018 12h16

O GIF (Gabinete de Intervenção Federal) quer esvaziar a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Vila Kennedy --favela que vem sendo usada como palco de experiência piloto de pacificação durante a intervenção federal no Rio-- e transferir seus policiais para o 14º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. A intenção foi revelada nesta terça-feira (20) pelo general Mauro Sinott, chefe do GIF. A medida faz parte de estratégia de avaliar o desempenho das UPPs e desativar as que não têm atingido bons resultados.

Segundo Sinott, à medida em que o 14º Batalhão da PM recupere sua capacidade, tropas das Forças Armadas começarão a deixar a Vila Kennedy. A estimativa é que isso não ocorra antes de duas semanas, mas a data de saída não está fechada.

"Não abandonaremos a Vila Kennedy. A saída será gradual e, se for preciso, podemos voltar rápido", disse o coronel Carlos Cinelli, porta-voz do Comando Conjunto da Intervenção.

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Os policiais de UPPs a serem transferidos passarão por novo treinamento antes de serem incorporados em batalhões da PM. Iniciado em 2008, o programa de UPPs era parte de estratégia de manter policiais constantemente em favelas.

"Existem várias UPPs que estão sendo avaliadas em seu desempenho e para a finalidade que se destinam e podem contribuir para a recomposição dos efetivos da PM", disse Sinott.

As Forças Armadas e os traficantes vinham travando uma queda de braço na Vila Kennedy desde que os militares lançaram sua primeira operação na região em 23 de fevereiro. Quando as tropas deixavam a região, o crime organizado reerguia barricadas e voltava a operar.

Para evitar que isso ocorresse, há dez dias, as Forças Armadas passaram a fazer patrulhamento permanente na região. Atualmente, as Forças Armadas mantêm efetivo aproximado de 300 militares em ações de patrulhamento permanente na Vila Kennedy. Eles reforçam as ações da polícia durante o dia, mas no período noturno o trabalho cabe apenas à PM.

No último sábado (17), o interventor federal, general Walter Braga Netto, visitou a região e ordenou ao comandante da PM, coronel Luiz Cláudio Laviano, que garanta que os traficantes não vão voltar a dominar a Vila Kennedy após a saída das Forças Armadas.

O general Mauro Sinott passou na manhã de hoje o cargo de comandante da Primeira Divisão de Exército para o general António Manoel de Barros. Ele falou com jornalistas após a cerimônia.

O general Sinott também afirmou que outra UPP que pode ser esvaziada para que seus policiais reforcem batalhões de área é a da favela do Batan, em Realengo, zona oeste. O local foi palco em 2008 de um episódio de tortura e sequestro de dois jornalistas e de um motorista do jornal "O Dia" que faziam uma reportagem no local. Eles teriam sido atacados por milicianos --a região é conhecida pela presença de milícias, que são grupos de policiais que se organizam para cobrar proteção e taxas por serviços básicos em favelas, como gás e transporte.

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