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15 dias

Com Ciro e Haddad, atos pelo Brasil contra Bolsonaro focam inflação e covid

Herculano Barreto Filho, Juliana Arreguy, Letícia Mutchnik, Vinícius Vieira, Rafael Neves, Marcela Lemos, Hygino Vasconcellos e Aliny Gama

Do UOL, em São Paulo e em Brasília, e colaboração para o UOL, no Rio, em Balneário Camboriú (SC) e em Maceió

02/10/2021 11h09Atualizada em 02/10/2021 21h55

Com faixas atacando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), críticas à condução do combate à pandemia pelo Ministério da Saúde, à alta de preços (principalmente do gás de cozinha) e o reforço de vacinados que foram pela primeira vez às ruas, os atos contra o governo federal e pelo impeachment do presidente da República ocorreram neste sábado (2) nas principais capitais.

A maior concentração pela manhã ocorreu no Rio de Janeiro. Em São Paulo, os manifestantes se concentraram à tarde na região do Masp, na avenida Paulista.

As manifestações ocorreram em 304 cidades brasileiras e em 18 países, segundo a organização do ato. No exterior os protestos aconteceram na Alemanha, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Porto Rico, Portugal, Suíça, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Holanda, Irlanda, México e República Checa.

Os atos no Brasil tiveram a presença de três candidatos derrotados à Presidência: Ciro Gomes (PDT) —que foi aos atos no Rio e em São Paulo, onde sofreu tentativa de agressão—, Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT), na capital paulista. O pré-candidato ao governo do Rio, Marcelo Freixo (PSB), também foi ao ato em São Paulo e posou para fotos com o petista.

União

Haddad afirmou que a luta pela democracia deve estar acima de rusgas entre políticos. "Nós estamos aqui em nome de uma causa suprapartidária. Se formos nos deixar levar por isso, vamos perder uma causa maior, que é a luta pela justiça e pela democracia. E hoje não temos no Brasil nem justiça nem democracia", afirmou.

Membros do PSDB de São Paulo também participaram do ato na Paulista. "Não é um problema [estar ao lado de militantes de partidos de outras correntes políticas]. Não estamos aqui para defender candidatos do nosso partido. Estamos aqui contra o Bolsonaro", disse Carolini Gonçalves, presidente do núcleo religioso do PSDB em São Paulo. Leandro Braga, que também faz parte da sigla, entende que o momento é de união, "necessária para a sobrevivência da democracia".

Boulos também indicou que defender o sistema democrático é o foco no momento. "Existe muita diferença de pensamento entre quem está aqui hoje na Paulista. Mas a ameaça golpista é maior do que as nossas diferenças políticas."

A presença de Ciro, porém, gerou ataques por parte de integrantes do PCO (Partido da Causa Operária) —que, em manifestações passadas entrou em atrito com membros do PSDB. O pedetista criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal nome do PT, em declarações recentes.

Ciro, porém, diz que sua participação no ato fazer parte de "uma tarefa comum que nós temos, que é proteger a democracia". "Depois, em outra ocasião, nós sempre falaremos quem é quem, quem é responsável pelo quê e quem não tem ideia nenhuma pelo futuro do país."

No momento em que Ciro começou a discursar na Paulista, os manifestantes presentes começaram a vaiar e xingar. Quando ele foi deixar o local, houve tumulto e um manifestante tentou agredi-lo. "Fingi que não ouvi", disse ele logo após o discurso, ao deixar a manifestação. Questionado sobre se isso o atrapalhou, disse: "Procure a história do cabo Anselmo".

Além da tentativa de agressão ao pré-candidato do PDT, uma bandeira de um movimento ligado ao PCdoB foi rasgada por um grupo de black blocs. Com rostos cobertos por toucas-ninja e guardas-chuva para impedir que fossem identificados, cerca de 30 manifestantes danificaram o objeto. A ação foi registrada pelo UOL. Houve princípio de confusão. Após o ato de vandalismo, os black blocs discutiram com outros manifestantes.

fotos aéreas - Estadão Conteúdo/AFP/Reprodução Montagem/UOL - Estadão Conteúdo/AFP/Reprodução Montagem/UOL
Imagens aéreas mostram manifestações realizadas a favor de Bolsonaro no dia 7 de setembro (à esq.), e contra o presidente nos dias 12 de setembro (centro) e 2 de outubro (à dir.)
Imagem: Estadão Conteúdo/AFP/Reprodução Montagem/UOL

Em razão do ato, cerca de 2 km da avenida Paulista foram interditados, entre a rua da Consolação e a alameda Joaquim Eugênio de Lima. A organização diz que cerca de 100 mil pessoas compareceram; a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo disse ter estimado em 8 mil pessoas o público no ato.

Em comparação, nos protestos de 7 de setembro (pró-Bolsonaro) e de 12 de setembro (também contra), a SSP divulgou números bem diferentes: 125 mil no primeiro e 6 mil no segundo.

Lira no alvo

Milhares de pessoas participaram do ato na capital fluminense. Estiveram presentes FUP (Federação Única dos Petroleiros), CUT (Central Única dos Trabalhadores), SinproRio (Sindicatos dos Professores do Rio) e partidos políticos como PT, PDT, PSOL e PCO. As camisas do Partido dos Trabalhadores dominam o tom do protesto "Fora Bolsonaro", com forte presença do PSOL.

Em discurso no Rio, Ciro defendeu o impeachment de Bolsonaro. "Precisamos tirar Arthur Lira da inércia criminosa. Isso só vai acontecer com a luta do nosso povo organizado, deixando de fora as diferenças para protegermos a democracia e a liberdade do nosso povo. É por isso que estou aqui de peito aberto", disse ele, citando o presidente da Câmara, que tem o poder de dar andamento a processos de impeachment contra Bolsonaro.

Em São Paulo, o líder da oposição na Câmara, deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), disse acreditar que a união de diversos partidos contra Bolsonaro nos atos de hoje pode ajudar a pressionar Lira a aceitar um dos pedidos de impeachment.

"É fundamental unir todos os democratas em defesa do impeachment e mostrar nas ruas o que as pesquisas mostram há muito tempo, que a maioria é contra Bolsonaro. É a importância desse ato. Espero que isso sensibilize o presidente Arthur Lira. Acredito que quanto mais pressão, mais chance tem [de impeachment]. Só a unidade de todos os democratas será capaz de ajudar", disse ao UOL.

Para a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), a presença de políticos com pensamentos distintos reforça o foco para uma ação de Lira. "Acho que esse ato com essa diversidade ajuda a aumentar a pressão. Não tínhamos isso nos outros atos. Isso reforça muito o movimento político dentro da Câmara", comentou ela, que esteve no protesto na capital paulista.

A PM não estimou o número de manifestantes no Rio. A avenida Rio Branco chegou a ter quatro quarteirões ocupados.

"Assassinato premeditado"

O ato em Brasília teve críticas contra a inflação e a gestão do governo no combate à pandemia. Entre os objetos levados pelos manifestantes havia um caixão de papelão com a logomarca da Prevent Senior e a inscrição "assassinato premeditado", em alusão às investigações contra a operadora de saúde. Segundo denúncias feitas à CPI da Covid, a Prevent pressionou médicos a receitarem remédios sem eficácia comprovada e alterou prontuários para omitir a covid-19 como causa da morte.

Manifestantes caminharam pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional e retornaram ao ponto inicial do evento, o Museu Nacional. Havia na manifestação objetos infláveis representando a alta de preços de alimentos, do gás e da luz, além de cartazes contra a reforma administrativa e as privatizações dos Correios e da Eletrobras.

No Recife e em Belém, os manifestantes se concentraram para os protestos na região central dessas capitais. Na capital pernambucana, uma manifestante foi atropelada ao final do ato.

Belém - MARX VASCONCELOS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - MARX VASCONCELOS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Manifestante segura bandeira brasileira em ato contra Bolsonaro em Belém
Imagem: MARX VASCONCELOS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em Maceió, os manifestantes pediram "mais Paulo Freire". Integrantes da manifestação em Fortaleza criticaram a alta do preço do gás de cozinha, de alimentos e cobraram o impeachment do presidente. A manifestação começou na praça da Bandeira, na manhã de hoje, e segue pela área central da capital.

Uma situação inusitada ocorreu em Florianópolis momentos antes do protesto. Pela manhã, a maior parte da organização decidiu adiar o ato para 16 de outubro devido à possibilidade de chuva. Porém, a manifestação acabou saindo à tarde.

A decisão de manter o protesto foi tomada por integrantes da organização, contrários ao cancelamento. "Setores do PCdoB, PSOL e PDT decidiram suspender. Mas, por conta da situação atual do país, a gente entendeu que seria até criminoso desmarcar em cima da hora. Sem contar que muitas pessoas já tinham se programado e o protesto foi organizado nacionalmente", explica o presidente do Sintrasem, Renê Marcos Munaro,

Os manifestantes carregavam bandeiras de partidos políticos e de movimentos sociais. A organização também confeccionou uma grande faixa amarela com a frase "Lula Presidente". Não foram divulgadas estimativas de público pela organização ou pela Polícia Militar.

Na capital gaúcha, Porto Alegre, os manifestantes se concentraram na praça Rui Barbosa, em frente à prefeitura, e depois partiram em caminhada pelas ruas e avenidas do centro da cidade pedindo a saída de Bolsonaro. Eles também carregaram uma bandeira gigante do Brasil, com manchas em vermelha, o que indicaria as mortes por covid-19, que se aproximam de 600 mil no Brasil

Nos atos, os organizadores reforçaram a necessidade de adoção de medidas de segurança contra a pandemia causada pelo coronavírus, como uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social.

Manifestações contra Bolsonaro pelo Brasil em 2 de outubro

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