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Policiais de UPP agem em favela onde idoso foi baleado na cabeça

3.mar.2018 - Soldados removeram barricadas há três dias na Vila Kennedy - Brenno Carvalho/Agência O Globo
3.mar.2018 - Soldados removeram barricadas há três dias na Vila Kennedy Imagem: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

06/03/2018 10h36

A UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Vila Kennedy, comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro, realiza, na manhã desta terça-feira (6), uma operação em conjunto com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora.

O objetivo, segundo a assessoria da UPP, é checar informações do setor de inteligência e coibir ações de criminosos na região. Até o momento, não há registro de confronto, prisões ou apreensões.

Trata-se de uma operação de rotina, segundo a PM. A ação ocorre após um tiroteio entre policiais da UPP e criminosos no último domingo (4) --que resultou na morte de um idoso vítima de uma bala perdida--, e após três operações das Forças Armadas com a Polícia Civil que retiraram cerca de cem barricadas feitas por criminosos para bloquear o tráfego de carros nas ruas do bairro. Criminosos voltaram, contudo, a levantar as barricadas depois das operações militares

Ontem, uma operação do Batalhão de Choque foi feita no bairro. Segundo a assessoria da PM, o objetivo da ação foi "reprimir atos criminosos".

De acordo com o comando do Batalhão de Polícia de Choque, durante a ação, três pessoas foram conduzidas à delegacia --uma por ter mandado de prisão expedido e duas por posse de entorpecentes. As ocorrências foram registradas na 34ª DP (Bangu). Não houve registros de feridos ou mortos durante a ação.

No domingo, um idoso de 66 anos morreu após ter sido baleado na cabeça durante um tiroteio entre criminosos e policiais da UPP.

Valdir Vieira da Silva, morador da comunidade, foi socorrido no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiu aos ferimentos. Uma mulher de 40 anos, atingida por um tiro na coxa esquerda, foi atendida na mesma unidade e recebeu alta.

Operações das Forças Armadas

As operações da PM e a morte do idoso ocorrem após três operações das Forças Armadas na região.

A última ação se deu no sábado (3), quando as Forças Armadas removeram 16 tipos de barreiras e obstáculos feitos por criminosos.

No entanto, imagens aéreas veiculadas pela "TV Globo" e pela "Rede Record" na manhã de segunda-feira mostraram que há vias bloqueadas novamente. A avenida Marrocos, uma das principais vias do bairro, já apresentava bloqueio. Não se sabe exatamente quando os criminosos ergueram as novas barricadas.

Procurado sobre o retorno das barricadas, o porta-voz do GIF (Gabinete da Intervenção Federal), coronel Carlos Cinelli, informou que "os dados já estão sendo analisados pela inteligência do Comando Conjunto e da Secretaria de Segurança, e serão submetidos ao Gabinete de Intervenção Federal".

Antes da operação do último fim de semana, outras duas ações já tinham sido realizadas na comunidade.

A primeira ocorreu no dia 23 de fevereiro, quando os moradores tiveram seus documentos de identidade fotografados e cadastrados pelas forças de segurança. Os agentes fizeram a verificação de antecedentes criminais e tiraram fotos dos moradores.

No dia 26, as Forças Armadas voltaram ao local em nova operação, desta vez, para destruir barricadas feitas por traficantes.

Intervenção

Desde 2016, o Rio sofre com uma profunda crise econômica e política que castiga todas as áreas do Estado, inclusive a da segurança.

O governo fluminense conta com o auxílio das Forças Armadas, por meio da GLO (Garantia de Lei e Ordem), desde julho do ano passado, na tentativa de contornar a criminalidade.

Em 16 de fevereiro, o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal na área da segurança do Rio, que ficou sob comando do general do Exército Walter Souza Braga Netto.

Cotidiano