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Tragédia em Brumadinho


Brumadinho: Secretária municipal, moradores e operários estão entre mortos

Lucas Borges Teixeira e Luciana Quierati

Do UOL, em Brumadinho e Colaboração para o UOL, em São Paulo*

30/01/2019 12h29

O rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho (MG), na sexta-feira (25) deixou um rastro de destruição pela região e causou pelo menos 110 mortes, sendo que 57 corpos foram identificados, enquanto 238 estão desaparecidas, de acordo com o comando das Forças Integradas de Segurança.

Entre as vítimas estão uma secretária municipal de Brumadinho, os donos de uma pousada na cidade (que morreram ao lado do filho), moradores que estavam em suas casas e que foram atingidas pela lama, e operários que trabalhavam na Vale. A tragédia ocorreu próxima ao horário do almoço e devastou o refeitório em que estavam parte das vítimas.  

Conheça as histórias de outras das vítimas já identificadas:

Adriano Caldeira do Amaral

Reprodução/Facebook/Ana Flávia Silva
Imagem: Reprodução/Facebook/Ana Flávia Silva
Era funcionário da Vale e estava trabalhando na hora do rompimento da barragem. Morador de Belo Horizonte, ele deixa uma mulher e um casal de filhos pequenos.

"Você, pai dedicado, vivia para nós, para a nossa família. E agora, quem vai mimar meus sonhos, os nossos sonhos? Mas não vou me despedir, essa foi a nossa última foto, mas nunca... nunca mesmo será o nosso último encontro", declarou a mulher Ana Flavia, em uma publicação no Facebook. "Vá em paz, continue segurando a minha mão, que eu seguirei aqui firme e com fé.""Ele não era só nosso cunhado, ele era um irmão pra nós", publicou a irmã da esposa, Ana Paula, também na rede social.

Alano Reis Teixeira

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Alano era funcionário da Vale. Natural de Taguatinga, no Distrito Federal, ele vivia em Belo Horizonte. Casado desde 2006, deixa dois filhos pequenos.

Seu corpo foi enterrado na manhã desta terça-feira (29) no Bosque da Esperança Cemitério Parque, na capital mineira.

Alex Rafael Piedade

Alex, 36, começou a trabalhar na Vale há 10 anos como operador de máquinas e atualmente ocupava o cargo de eletromecânico. Ele estava em serviço na unidade de Brumadinho quando a barragem rompeu.

Casado, deixa dois filhos, de 8 e 2 anos. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Bom Jardim, em Sarzedo, município vizinho a Brumadinho, na tarde da última terça-feira (29).

Amauri Geraldo da Cruz

Reprodução/Facebook
Amauri Geraldo da Cruz era motorista e transportava funcionários da Vale em Brumadinho (MG) Imagem: Reprodução/Facebook

O motorista responsável pelo transporte de funcionários da Vale. No Facebook, colegas comentam sobre as viagens de Amauri até a Estação Conhecimento, em Brumadinho (MG). "Esta é a pessoa que levava minhas filhas em segurança para a Estação Conhecimento. Vá em paz 'Mais Veio', jeito carinhoso que minhas filhas costumavam chamá-lo", escreveu Adriana Alves.

Uma publicação nas redes sociais afirma que o corpo de Amauri foi sepultado no início da noite de quarta-feira (30), em Conceição de Itaguá. 

André Luiz Almeida Santos

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Morador de Brumadinho e funcionário da Vale, André era casado com Ana Paula Almeida Rocha e deixa um filho. "Meu Deus. Quantas horas trabalhando juntos, quantas histórias, quantas risadas", comentou Bruno Lemos Lima na página do Facebook de André Luiz.

Segundo publicação de um colega, o corpo foi sepultado na tarde da última quarta-feira (30). 

Andrea Ferreira Lima

Reprodução/Facebook
Andrea Ferreira Lima, morta no rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG) Imagem: Reprodução/Facebook

Nascida em Marabá (PA), a advogada de 40 anos trabalhava para uma empresa terceirizada na parte administrativa da Vale, e estava prestando serviço à mineradora havia pouco mais de seis meses, conforme confirmou um amigo dela. Vivendo em Belo Horizonte há aproximadamente 12 anos, Andrea deixa dois filhos: Guilherme, de 24 anos, e Davi, de 6 anos.

Cruzeirense, ela atualizava suas redes sociais com informações e fotos do clube de coração, além de fotos do filho caçula. Nas mesmas redes, conhecidos mandaram mensagens de conforto. Colega de classe na faculdade de direito, Marina Rolim de Sá era uma das melhores amigas da advogada, e escreveu: "Passamos muito tempo como amigas inseparáveis. Ela vivia na minha casa e eu na dela. Andrea foi por muito tempo minha amiga confidente, mais velha que eu, me dava os melhores conselhos e estava pronta para me ajudar. (...) Estou muito triste e abalada com a notícia."

Ângelo Gabriel da Silva Lemos

O homem de 54 anos, era um funcionário terceirizado e prestava serviço para a Vale em Brumadinho (MG). 

Carlos Eduardo Faria

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O homem de 45 anos era motorista da empresa de pavimentação Moura Bento, que prestava serviço para a Vale na região de Brumadinho (MG).

Morador do município de Ibirité, Carlos Eduardo era divorciado, tinha três filhos, um neto e vivia na casa da mãe, de 86 anos de idade. O motorista também tinha oito irmãos.

No dia do rompimento da barragem de Brumadinho, Carlos Eduardo estava na região, juntamente com outros quatro funcionários da Moura Bento. O corpo dele foi identificado com base em suas digitais na quinta-feira (31).

Sua família chegou a acreditar em um trote telefônico que dizia que ele havia sido resgatado com vida.

Carlos Roberto Deusdedit

Reprodução
Imagem: Reprodução

Funcionário da Vale havia dois meses, o serralheiro Carlos Roberto Deusdedit, 47, era o mais velho entre seis irmãos. "Ele perdeu a minha avó muito cedo e ajudou a cuidar dos irmãos", conta a sobrinha Viviane Cristina Dias de Paula, que o descreve como o "alicerce" da família.

"Ele era muito honesto. Com ele não tinha tempo ruim", diz Viviane. Antes de conseguir o emprego na Vale, o serralheiro ficou desempregado por cinco meses. "Ele estava muito feliz, porque demorou um bom tempo para entrar lá", afirma a sobrinha. 

Natural de Contagem (MG), Carlos Roberto deixa a mulher e um filho de oito anos. Na manhã da tragédia, a mulher saiu para trabalhar antes dele, deixando o marido e o filho dormindo juntos. A família, conta Viviane, está "indignada". "Ele saiu para trabalhar, para dar um futuro para o filho. Não foi para roubar ninguém", lamenta. 

Claudio José Dias Rezende

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Natural de Contagem (MG), Claudio era funcionário da Vale havia oito anos e trabalhava no local na hora do acidente. Casado, ele deixa também um filho de cinco anos.

Mércia Dias, mãe de Cláudio, prestou homenagem nas redes sociais nesta terça-feira (29). "É, meu filho, você está deixando saudade em muitas pessoas", publicou ela, com uma série de fotos dele.

"O que nos mantém firmes é a certeza de que em breve vamos nos encontrar e vou poder te entregar aquele abraço que ficou pendente. Olhe por nós dai de cima, que aqui embaixo você sempre será lembrado e carregado em nossos corações! Amamos você", publicou um amigo em umvídeo-homenagem no Facebook.

Cleosane Coelho Mascarenhas

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Cleosane - conhecida como Cléo - morava na pousada Nova Estância com o marido, o empresário Márcio Mascarenhas, fundador da rede de escolas de inglês Number One. Marcio e um dos filhos do casal, Márcio Coelho Mascarenhas, também morreram na tragédia, sendo identificados na quarta-feira (30), dois dias após o reconhecimento do corpo de Cléo.

Então cercado de belezas naturais, o estabelecimento era um dos mais mais procurados da região e já havia recebido celebridades como o músico Caetano Veloso e o ator Marcos Veras. Agora, a pousada está destruída.

Cristiano Vinicius Oliveira de Almeida

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Mecânico formado pelo Senai, Cristiano era funcionário da Vale e estava trabalhando na hora em que houve o rompimento da barragem em Brumadinho.

Natural de Bela Vista de Minas, no interior do estado, ele morava em Brumadinho com a mulher.

Daniel Muniz Veloso

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Imagem: Reprodução

O técnico em eletromecânica Daniel Muniz Veloso havia se casado há pouco mais de três anos.

Natural de Coração de Jesus, cidade localizada a cerca de 460 quilômetros de Belo Horizonte, no norte de Minas Gerais, Veloso tinha 29 anos e trabalhava em uma empresa terceirizada da Vale.

A mulher de Daniel, Meriane Oliveira Costa Muniz, está grávida do primeiro filho do casal.

David Marlon Gomes Santana

Reprodução/Facebook/David Marlon
Imagem: Reprodução/Facebook/David Marlon

David tinha 24 anos, trabalhava para uma empresa terceirizada da Vale e morreu vítima de politraumatismo, segundo dados do IML. Solteiro, ele foi enterrado na manhã de segunda-feira (28) no cemitério Parque das Rosas, em Brumadinho

"Isso aqui é muito difícil, amigo", afirmou Rafael Carlos da Silva, de 21 anos, amigo de David que chegou ao cemitério acompanhado pelo amigo Rafael de Oliveira dos Santos, de 23 anos. "O David foi nosso colega de trabalho", contou Rafael da Silva. De acordo com integrantes da família, o corpo foi resgatado na manhã de domingo.

Djener Paulo Las-Casas Melo

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Imagem: Reprodução/Facebook

Djener, 31, era operador de máquinas da Vale havia dois anos. Morador de Brumadinho, ele estava noivo de uma empresária da cidade e era fã de motocross.

O jovem seguiu o caminho do pai, também funcionário da Vale, mas que não estava na barragem no momento do acidente. Seu corpo foi sepultado na cidade na tarde do último domingo (27).

"Nossa família está devastada", publicou uma prima da vítima, também moradora da cidade, no Facebook.

Duane Moreira De Souza

Reprodução/Facebook/Duane Moreira
Imagem: Reprodução/Facebook/Duane Moreira

Manobrador de uma empresa terceirizada pela Vale, Duane, 33, estava em uma operação na barragem na hora do rompimento. Ele morava em Brumadinho e deixa mulher e três filhos, de 15, 13 e 3 anos.

Seu corpo foi enterrado na manhã desta terça-feira (29), no Cemitério Municipal de Brumadinho.

"Em nome de todos os ferroviários, enviamos nossos sentimentos e nossa força à família e amigos de Duane, com todo nosso amor e respeito", publicou MRS Logística, onde trabalhava desde 2017, por meio de nota.

Edgar Carvalho Santos

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Natural de Nova Viçosa, na Bahia, Edgar Santos, 45, trabalhava como mecânico para a Vale. Ele deixa a mulher, com quem era casado há 16 anos.

Apaixonado por futebol, Edgar também era técnico de um time dos funcionários da empresa em Brumadinho. Seu corpo foi enterrado no Parque das Rosas, na cidade mineira, na manhã desta terça-feira.

"A minha família é só uma de centenas que a Vale destruiu. Não consigo me conformar... Agora fica só a dor e o ódio", protestou uma sobrinha de Edgar, moradora de Serra (ES), onde vive parte da família de Edgar, em sua conta no Facebook.

Edymayra Samara Rodrigues Coelho

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Ex-funcionária da Vale e moradora de Brumarinho, Edymayra estava trabalhando no momento do rompimento da barragem, de acordo com familiares. Ainda não se sabe em que local ou circunstância ela foi atingida pelo desastre. Ela também trabalhou na Sodexo, mas deixou a empresa no fim do ano passado.

Um de seus tios, Olavo Henriques Coelho, este funcionário da Vale, está desaparecido. Ela deixa o marido Mayron, também ex-funcionário da mineradora, e um filho de um ano de idade.

"Hoje é um dia terrivelmente triste, não apenas para mim, mas para toda família e todos que a conhecem, minha prima. Você partiu de repente, sem aviso, sem um último adeus, e agora ficamos todos sem saber o que fazer com tanta tristeza, com tantas lágrimas, com tanta saudade", lamentou o primo Heberth Henriques, no Facebook.

Ednilson dos Santos Cruz

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Ednilson, 23, nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA) e morava há pouco tempo em Minas Gerais. Ele trabalhava em uma empresa terceirizada pela Vale e estava na unidade no momento do rompimento da barragem.

Ednilson era solteiro e não tinha filhos. A Prefeitura de Santo Amaro ajudou a família na ida para Minas Gerais e deverá ajudar no transporte do corpo para o enterro na Bahia. "Abraçamos a família de Ednilson com muito pesar", declarou o órgão em seu Facebook.

Eliandro Batista de Passos

Eliandro, 35, é mais uma das vítimas que morreram em período de trabalho na barragem. Ele prestava serviços a uma empresa de pavimentação, terceirizada pela Vale, havia três meses.

Natural de Itaipé, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, Eliandro morava em Belo Horizonte. Ele deixa a esposa e duas filhas.

Seu corpo foi enterrado em sua cidade natal na tarde da última segunda-feira (28). 

Fabrício Henriques da Silva

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Fabrício, 27, trabalhava havia cinco meses em uma empresa terceirizada da Vale e estava em horário de expediente no momento do rompimento da barragem.

Ele era solteiro e não tinha filhos. Seu corpo foi enterrado em Brumadinho no último domingo (27).

Flaviano Fialho

Reprodução/Facebook/Jussara Fialho
Imagem: Reprodução/Facebook/Jussara Fialho

Era auxiliar técnico de manutenção da Vale havia um ano e 7 meses e trabalhava no momento do acidente. Ele deixa mulher e dois filhos pequenos.

Nascido em Belo Horizonte, era torcedor do Atlético-MG. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Central de Ibirité, na Região Metropolitana da capital mineira, onde a família mora, na manhã desta segunda-feira (28).

Francis Marques da Silva

Reprodução/Facebook/Francis Marques da Silva
Imagem: Reprodução/Facebook/Francis Marques da Silva

Francis Marques da Silva, de 34 anos era técnico de manutenção de uma empresa terceirizada pela Vale. Morador de Brumadinho, ele deixa a mulher e uma filha pequena.

O mineiro era fã de futebol e apaixonado pelo Cruzeiro. O corpo de Francis foi enterrado na manhã de segunda-feira (28), no cemitério Parque das Rosas, em Brumadinho. 

Janice Helena do Nascimento

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Funcionária da Vale havia nove anos, Janice Helena do Nascimento, apelidada de "Jany", tinha 42 anos e deixa uma filha de dois anos e dois meses. O sepultamento de Janice aconteceu na tarde de terça-feira (29) e não houve velório.

Em seu perfil nas redes sociais, Janice curtia página de cantores sertanejos e do Clube Atlético Mineiro. Em uma publicação no Facebook, colegas deixaram mensagens de solidariedade aos familiares. "Minha amiga, nunca vou te esquecer", escreveu uma colega de Janice.

João Paulo de Almeida Borges

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Funcionário da Vale, João Paulo de Almeida Borges recebeu diversas homenagens nas redes sociais. Luzia Silva, que se identifica como prima de João Borges, publicou um trecho de um poema de Carlos Drummond de Andrade e o dedicou ao parente. "Quantas toneladas de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro?", escreveu Luzia Silva. 

Em outra publicação, Luzia informa que o corpo de João Paulo de Almeida Borges lamenta: "A dor seria ainda maior se não tivessem encontrado. João Paulo de Almeida Borges retornou aos braços do Pai."

Jonatas Lima Nascimento

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Jonatas era natural de Congonhas (MG), cerca de 81 km ao sul de Belo Horizonte, e trabalhava na Vale. Ele deixa um filho e uma filha, ambos crianças.

Em postagem de agosto de 2018 no Facebook, ele aparece abraçando os filhos em uma foto, comemorando o Dia dos Pais e os chamando de "meus amores"

Na rede social, ele demonstrava interesse por música sertaneja, além de jogos infantis para os filhos.

Leonardo Alves Diniz

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Leonardo morava em Belo Horizonte e era técnico em manutenção na Vale, em Brumadinho, havia 10 anos. Ele deixa mulher e um filho de oito anos. Torcedor do Atlético Mineiro, gostava de assistir às partidas do time com o menino.

"Ele foi um exemplo não só para mim, mas exemplo de pai, filho, esposo. Ele foi muito querido por todos. A prova foi hoje no velório. Muitas pessoas estavam lá. Era uma pessoa positiva. Em todas as fotos está sorrindo. A fé e a alegria dele em Deus são o legado que vamos levar", relatou uma afilhada de Leonardo ao UOL. Ela preferiu não se identificar. Segundo ela, o técnico em manutenção deveria estar de folga na sexta, mas, pela manhã, foi chamado para uma reunião no setor administrativo e foi trabalhar.

Ao saber do desastre, a família de Leonardo ligou para a Vale em busca de informações, mas não receberam orientação precisa. "Enrolaram a gente e aí fomos ao IML [Instituto Médico Legal]. E cada parente foi para um hospital. Não colocaram o nome dele porque ele não poderia estar trabalhando. Conseguimos às escondidas, com um conhecido, a informação de que o corpo dele estava no IML. A Vale omitiu as informações no tocante às responsabilidades que tinham", declarou ao UOL.

Luiz Taliberti Ribeiro da Silva

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

O arquiteto de 31 anos estava hospedado na pousada Nova Estância, destruída após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG). Luiz estava acompanhado de sua noiva, Fernanda Damian, de 30 anos, e de três familiares que seguem desaparecidos: seu pai Adriano Ribeiro da Silva, de 50 anos, sua irmã Camila Taliberti, de 33 anos, e sua madrasta Maria de Lourdes Ribeiro, de 59 anos. 

O perfil de Luiz no Facebook foi transformado em um memorial. Uma das últimas postagens dele na rede social foi o anúncio do noivado com Fernanda Damian, que estava grávida de quatro meses. O casal morava na Austrália e veio para Minas Gerais para compartilhar a notícia da gravidez de Fernanda com os parentes.

Amigos e familiares publicaram mensagens e fotos com a vítima desde o desaparecimento do arquiteto e de sua família, na última sexta-feira (25). Colega de Luiz e morador da Austrália, Thomas Deuel escreveu texto emocionado ao descobrir que o corpo do amigo fora reconhecido. "São tantas recordações, tantos bons momentos. Foram tantas surpresas nos últimos meses, nossas ligações cheias de novidades, né? Nossa, a vida é um sopro. Obrigado por tudo, foram lindos os nossos quase 12 anos né, Lu (o fera)? E, claro, nossos três juntos Fer (mama)", disse Thomas. 

Marcelle Porto Cangussu

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Primeira vítima identificada após o rompimento da barragem, a médica Marcelle Porto Cangussu completou 35 anos um dia antes da tragédia de sexta. Especialista em medicina do trabalho, ela fez aniversário no último dia 24. 

Funcionária da Vale desde 2015, Marcelle estava trabalhando no momento em que a barragem se rompeu. A onda de rejeitos que despencou destruiu a estrutura da área administrativa da empresa. 

Além de trabalhar na Vale, a médica também atuava no Hospital Público Regional de Betim (MG). Ela se formou na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Entre seus interesses no Facebook, constam páginas em defesa dos direitos dos animais, associações médicas e grupos musicais.

Marcelo Alves de Oliveira

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Imagem: Reprodução/Facebook

Engenheiro nascido em Santos, no litoral sul de São Paulo, Marcelo, 46, havia se mudado há poucos meses para Brumadinho.

Ele foi contratado para trabalhar na obra de uma empresa terceirizada pela Vale.

Seu corpo foi encontrado no último sábado (26) e enviado para a Baixada Santista para ser enterrado.

Márcio Coelho Barbosa Mascarenhas

Márcio Coelho era filho de Márcio Paulo Mascarenhas e Cleosane Mascarenhas, donos da pousada Nova Estância, também mortos no rompimento da barragem da Vale. Ele foi identificado nesta quarta-feira (30), ao lado do pai, dois dias depois de a mãe ser reconhecida no IML.

Ele tinha 43 anos e será enterrado nesta quarta-feira (30) no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, mesmo local onde também foram sepultados o pai e a mãe.

Marcio Flávio da Silveira Filho

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Técnico em segurança no trabalho, ele trabalhava para uma empresa terceirizada que prestava serviço para a Vale. Segundo seu perfil nas redes sociais, Marcio tinha 27 anos, nasceu em Barão de Cocais e chegou a morar em João Monlevade.

O corpo dele foi sepultado na tarde desta quinta-feira (31).

Márcio Paulo Barbosa Pena Mascarenhas

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Márcio era dono da pousada Nova Estância, ao lado da mulher Cleosane Coelho Mascarenhas, que foi a primeira da família a ser identificada na última segunda-feira (28). Além do casal, o filho Márcio Coelho morreu na tragédia.

Além da pousada, o empresário fundou da rede de escolas de inglês Number One, mas deixou a administração da rede há dois anos para se dedicar a cuidar da pousada com a mulher. 

No ano passado, ele havia postado um texto em rede social criticando as obras em Brumadinho. "Estão acabando com tudo em volta. Onde antes era uma Mata Atlântica cheia de nascentes, hoje está virando um deserto empoeirado e sem vida. O que é mais importante o dinheiro ou as pessoas que morrem de doenças pulmonares respirando esse pó poluído com minerais pesados e bebendo água misturada com esse mesmo veneno?"

Maurício Lauro de Lemos

Reprodução/Facebook/Juliana Lemos
Imagem: Reprodução/Facebook/Juliana Lemos

Era motorista, tinha 52 anos e trabalhava havia seis meses em um projeto na barragem da Vale por meio de uma empresa terceirizada. Ele deixa mulher e uma filha.

De acordo com o irmão, Marcelo, o corpo de Maurício foi encontrado num local que fica na frente de onde funcionava o refeitório da Vale, destruído pela avalanche de lama, e identificado no IML (Instituto Médico Legal) por meio das digitais. "Foi uma tragédia anunciada", disse a filha Juliana, durante o enterro do pai no cemitério Parque das Rosas.

"Saudade já grita aqui no peito", declarou a amiga Daniela Teles, moradora de Brumadinho, através das redes sociais.

Ninrode de Brito Nascimento

Reprodução
Imagem: Reprodução

Engenheiro, Ninrode havia sido transferido pela Vale para a unidade de Brumadinho há pouco mais de três meses. Ele estava trabalhando na barragem na hora do rompimento.

Natural de Ipatinga, no interior de Minas Gerais, ele deixa mulher e uma filha pequena. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Parque Senhora da Paz, em sua cidade natal, no começo da tarde desta terça-feira.

"Era meu primo, mas tinha como um irmão de sangue", lamentou Rodrigo Nascimento, no Facebook. "Ninrode foi aluno do Cadi [Colégio Adventista de Ipatinga] e era querido por todos nós! Muito sentida com sua partida tão precoce e de maneira trágica", comentou também uma ex-colega.

Robson Máximo Gonçalves

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Robson, 26, é um dos moradores de Brumadinho atingidos pela tragédia. Ele estava em sua casa, vendo televisão com a família, quando o local foi devastado pela lama vinda do rompimento da barragem da Vale.

Sua mulher, Paloma, 22, foi encontrada com vida e encaminhada ao Pronto-Socorro do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O filho do casal, de apenas 1 ano, e a irmã de Paloma, que tem 13 anos, também estavam na casa e estão desaparecidos.

Sirlei de Brito Ribeiro

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Sirlei era secretária de Ação Social de Brumadinho e coordenadora do curso de direito da Faculdade ASA na cidade. Advogada de 48 anos, ela já havia sido procuradora-adjunto da cidade.

A vítima morava em frente ao portão da Vale, na Mina do Feijão, local do acidente. Segundo amigos e familiares, Sirlei era conhecida por fazer trabalho social na região e levava alunos da faculdade ASA para dar assistência jurídica aos moradores.

Sirlei era casada e deixa pai e três irmãos.

Wanderson de Oliveira Valeriano

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Wanderson, 35, era funcionário da Vale e estava trabalhando no momento em que a barragem rompeu. Natural de Barbacena (MG), onde deverá ser enterrado, ele deixa mulher e três filhos.

O mineiro recebeu diversas homenagens nas redes sociais. "Você, meu amigo, fez seu papel aqui na terra. Construiu sua família, fez amigos, mas infelizmente Deus te recolheu. Vai em paz porque Deus tem um lugar especial para você", publicou um amigo no Facebook.

Wanderson Soares Mota

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Wanderson, 32, trabalhava como mecânico na Vale. Natural do município de Filadélfia, no Tocantins, ele morava em Brumadinho, onde fez faculdade, há dez anos. 

Ele era casado e fã de motociclismo. Seu corpo deve chegar à cidade natal, a quase 500 km de Palmas, na próxima quinta-feira (31) para ser enterrado na sexta-feira (1º).

Wellington Campos Rodrigues

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Nascido em Bom Despacho (MG), Wellington trabalhava como analista de suporte para uma terceirizada contratada pela Vale. Ele era pastor e deixa mulher e três filhas.

Em sua última publicação em uma rede social, em dezembro de 2018, ele agradece os cumprimentos dos amigos pelo seu aniversário.

"Obrigado a todos os amigos que tiraram um pouco do seu tempo para me felicitar. Este é o maior presente: ter amigos", escreveu.

Willian Jorge Felizardo Alves

Reprodução
Imagem: Reprodução

Willian Jorge era funcionário da Vale em Brumadinho.

Segundo publicações de conhecidos seus em uma rede social, seu sepultamento ocorreu na manhã deste domingo (27) no cemitério da Paz, em Belo Horizonte.

 

Outras vítimas já identificadas são:

  • Anailde Souza Pereira
  • Angelo Gabriel da Silva Lemos
  • Camila Santos De Faria
  • Eudes José de Paula
  • Luiz de Oliveira Silva
  • Luiz Taliberti Ribeiro da Silva
  • Marcus Tadeu Ventura do Carmo
  • Moisés Moreira Sales 
  • Reinaldo Fernandes Guimarães
  • Renato Rodrigues Maia
  • Renato Vieira Caldeira
  • Renildo Aparecido do Nascimento
  • Ricardo Eduardo da Silva
  • Roliston Teds Pereira
  • Rosilene Ozorio Pizziani Mattar
  • Thiago Mateus Costa
  • Warley Lopes Moreira
  • Wellington Alvarenga Benigno
  • Wiryrlan Vinicius Andrade de Souza

A lista será atualizada assim que novos nomes forem confirmados.

* Colaboraram Alex Tajra, Ana Carla Bermúdez, Luciana Amaral e Mirthyani Bezerra, do UOL em São Paulo e em Brasília

Errata: o texto foi atualizado
01/02/2019 às 12h01
Edymayra Samara Rodrigues Coelho, que morreu na tragédia de Brumadinho, não trabalhava atualmente na Sodexo como foi informado. Ela deixou a empresa no fim do ano passado. A informação foi corrigida.

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