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Operação Lava Jato


MPF: Gerente de empresa de amigo de Temer tentou abrir contas para R$ 20 mi

Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo
Sede da empresa Argeplan Imagem: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

2019-04-17T14:58:42

17/04/2019 14h58

Resumo da notícia

  • Quando pediu a prisão, MPF não tinha informação sobre quem tentou abrir as contas
  • Segundo banco, pedido de abertura de contas foi feito por gerente da Argeplan
  • Argeplan pertence ao coronel Lima, amigo do ex-presidente Michel Temer
  • Gerente indicou que contas receberiam movimentação de R$ 20 milhões

Um gerente financeiro da Argeplan tentou movimentar R$ 20 milhões dias após a PF (Polícia Federal) ter pedido a abertura de um inquérito contra o ex-presidente Michel Temer (MDB) sobre o pagamento de propinas envolvendo as obras da usina nuclear de Angra 3. A Argeplan pertence ao policial militar reformado João Baptista Lima, conhecido como coronel Lima. Ele é amigo de Temer e teria relação com o esquema de corrupção, de acordo com o MPF (Ministério Público Federal). Temer e Lima negam envolvimento.

A informação foi anexada ontem pela força-tarefa do MPF na Operação Lava Jato do Rio no processo em que o ex-presidente e o policial reformado foram alvos de mandados de prisão preventiva em março. Eles foram soltos dias depois. A Lava Jato não tinha a informação sobre a participação do gerente quando solicitou a prisão do emedebista.

Em outubro de 2018, o gerente Antonio Carlos Correia da Silva tentou fazer o depósito da quantia, "supostamente em espécie", segundo a Procuradoria. Na ocasião, Silva queria abrir duas contas jurídicas no banco Santander e elas serviriam para receber valores de uma conta no banco Bradesco.

Uma conta de pessoa física, pertencente a Carlos Alberto Costa, também receberia os valores. Costa é sócio da Argeplan e, segundo o MPF, seria um "laranja" do coronel Lima.

Jefferson Coppola/Folhapress
Empresas do coronel Lima são investigadas pelo MPF Imagem: Jefferson Coppola/Folhapress

Ao Santander, Silva disse que era representante do coronel Lima. O valor seria referente à venda de galpões, lojas e obras. A abertura das contas foi recusada porque "já havia notícias de que a Argeplan estaria envolvida em investigações", segundo uma gerente do banco.

Para a Lava Jato, a ação de Silva "pode caracterizar tentativa de dissimulação ou ocultação de valores".

"Os indícios de irregularidades na tentativa de movimentação financeira são ainda mais graves, na medida em que tudo indica que o que se pretendia era efetivar a transferência de recursos de uma pessoa jurídica para contas de outras duas pessoas jurídicas e uma pessoa física", disse o MPF em documento apresentado ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio.

As contas jurídicas pertenceriam à empresa PDA, empresa do coronel Lima que existe apenas no papel. Bretas determinou o bloqueio de R$ 62,5 milhões dos bens da empresa. Em sua conta, porém, foram encontrados R$ 21,6 milhões.

Segundos os investigadores, a PDA tentou transferir valores para a conta de Costa, que "sequer é sócio da PDA, [o que] indica a necessidade de aprofundamento das investigações de possíveis crimes de lavagem de dinheiro".

Em razão dos novos dados, obtidos junto ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) após as prisões de março, o MPF abriu procedimento investigatório a respeito das movimentações financeiras envolvendo Argeplan, PDA e Costa.

Procurada, a Argeplan ainda não se manifestou. A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Costa e de Silva. A empresa PDA não foi localizada.

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