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Vazamentos da Lava Jato


Moro acusa imprensa de sensacionalismo após divulgação de novos diálogos

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/07/2019 12h38Atualizada em 10/09/2019 15h46

O ministro Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública, acusou a imprensa de sensacionalismo e afirmou que não há ilicitude nas últimas mensagens reveladas pela revista Veja e pelo site The Intercept Brasil na manhã de hoje. Sem confirmar a autenticidade, o ex-magistrado afirmou que as mensagens foram "tiradas de contexto".

"Eu respeito muito a imprensa, mas acho que ali teve um erro de procedimento. Eu não tive direito de resposta, não apresentaram estas mensagens antes para que nós pudéssemos avaliar", afirmou o ministro em um evento voltado ao mercado financeiro em São Paulo na manhã de hoje.

O que eu repudio é que essas mensagens, embora a gente respeite a liberdade de imprensa, têm sido divulgadas com extremo sensacionalismo, fora do contexto, com deturpação do conteúdo. Além da possibilidade de adulteração Ministro Sergio Moro

A Veja informou na reportagem que solicitou a resposta de Moro, mas que entregaria apenas as mensagens pessoalmente, o que não teria sido aceito pelo ministro e também pelo coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Por isso, a revista alegou que Moro e Dallagnol "não quiseram receber a reportagem".

Nos diálogos divulgados hoje, são expostas mais evidências de que o ex-juiz orientou a investigação do Ministério Público Federal na Lava Jato, pedindo inclusão de provas e sugerindo a mudança de datas de operações, e mostrou contrariedade na delação de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara. A revista acusa Moro de ter omitido informações solicitadas pelo ministro do STF Teori Zavascki, morto em 2017, para manter um inquérito na 13ª Vara Federal, então chefiada pelo atual ministro da Justiça.

Moro voltou a reiterar que não tem como confirmar a veracidade das mensagens, mas afirmou que, caso sejam dele, não há nada de ilícito no conteúdo divulgado. "Eu não posso confirmar a autenticidade, mas posso verificar fatos", afirmou Moro. Segundo ele, não houve qualquer quebra da imparcialidade.

"A revista fala que eu mandei uma mensagem pedindo urgência do MP para se manifestar sobre um pedido de revogação de prisão preventiva. Uma mensagem de 17 ou 16 de fevereiro, dia 19 começa o recesso. Se for autêntica, eu estaria pedindo: preciso da manifestação para decidir o pedido. O que tem de ilícito de uma mensagem dessa espécie? Pelo contrário", argumentou.

Moro falou ainda que este é um "assunto desagradável e repetitivo" que tem sido tratado com sensacionalismo pela imprensa. "[A publicação] pega uma mensagem que a gente não sabe nem se é autêntica e cria um contexto totalmente falso", declarou Moro.

"Pelo menos tenham a honestidade, se quer produzir uma matéria dessa, de disponibilizar as mensagens antes e não construir narrativas", afirmou. "Outra questão: analise os fatos, vá aos processos. Me acusar de incluir um fato em uma acusação para depois eu absolver [o réu]... é só jornalista olhar o processo", encerrou.

Moro referia-se a uma informação dada pela Veja que ele alertou Dallagnol que o MPF não havia incluído uma informação considerada importante por ele na denúncia contra Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo e apontado como um dos maiores operadores de propina no esquema de corrupção.

Na conversa, que segundo Veja ocorreu no dia 28 de abril de 2016, Moro orientou os procuradores a tornar mais robusta a acusação. No diálogo, Deltan Dallagnol diz para a procuradora Laura Tesller que o então juiz havia alertado sobre a falta de informação na denúncia.

"Laura, no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e dá tempo. Só é bom avisar ele", disse. "Ih, vou ver", respondeu a procuradora.

Segundo Veja, no dia seguinte o MPF incluiu um comprovante de depósito de US$ 80 mil feito por Skornicki a Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobras, e Moro aceitou a denúncia minutos depois, mencionando o documento em sua decisão. Moro informou que ele mesmo absolveu Skornicki e Musa em 2 de fevereiro de 2017.

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