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Vazamentos da Lava Jato

Manuela diz que foi procurada por suposto hacker e passou contato de Glenn

Manuela D"Ávila em debate UOL, Folha e SBT com vices - Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress
Manuela D'Ávila em debate UOL, Folha e SBT com vices Imagem: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

26/07/2019 20h09

A ex-deputada federal e candidata à vice-presidência em 2018 Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) usou as redes sociais na noite de hoje para informar que ela teria sido procurada por um suposto hacker e que teria repassado a ele o contato do editor do site The Intercept, Glenn Greenwald.

Preso pela Polícia Federal por suspeitas de ter hackeado as contas do aplicativo Telegram de várias autoridades públicas, Walter Delgatti Neto, conhecido como "Vermelho", disse em depoimento na última terça-feira (23) - revelado hoje - que a ex-deputada teria intermediado o contato entre ele e o jornalista.

Manuela disse que em 12 de maio foi comunicada pelo aplicativo Telegram que seu dispositivo havia sido invadido no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Minutos depois, segundo ela, uma pessoa entrou em contato e se identificou apenas como alguém inserido em sua lista de contatos, dizendo que "tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras".

De acordo com a ex-deputada, a pessoa afirmou que queria divulgar o material coletado "para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza". Desta forma, achando poder ter sido alvo de uma "armadilha" e mesmo desconhecendo a identidade do interlocutor, ela passou o contato do jornalista Glenn Greenwald.

"Imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald", escreveu.

No depoimento, Delgatti afirmou que pediu o contato do jornalista a Manuela por ele ter atuado no caso de Edward Snowden. Em sua nota, porém, Manuela não detalha se contatou Glenn a pedido do interlocutor que a procurou.

Por fim, Manuela disse que, apesar de estar no exterior no momento, coloca-se "à disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração" e que está orientando seus advogados "a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens" do aplicativo Telegram à Polícia Federal.

Leia abaixo a nota completa da ex-deputada:

Tomando ciência, pela imprensa, de alusões feitas ao meu nome na investigação de fatos divulgados pelo "The Intercept Brasil", e por me encontrar no exterior em atividades programadas desde o início do corrente ano, esclareço que:

1. No dia 12 de maio, fui comunicada pelo aplicativo Telegram de que, naquele mesmo dia, meu dispositivo havia sido invadido no Estado da Virginia, Estados Unidos. Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza.

2. Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald.

3. Desconheço, portanto, a identidade de quem invadiu meu celular, e desde já, me coloco a inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração. Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial.

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