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Vazamentos da Lava Jato


Políticos criticam Lava Jato por ironia com morte de parentes de Lula

Igor Mello

Do UOL, no Rio

27/08/2019 14h00

Petistas e outros políticos próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usaram as redes sociais para criticar procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba após o UOL mostrar que eles ironizaram a morte de Marisa Letícia, mulher do ex-presidente. Os procuradores também ironizaram o luto de Lula pela morte do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. A revelação foi feita com base em chats privados vazados por uma fonte anônima ao site The Intercept Brasil e analisados em parceria com o UOL.

Após saberem da morte de Marisa, procuradores da Lava Jato fizeram comentários irônicos sobre o fato. A procuradora Laura Tessler negou que as ações da força-tarefa contra Lula e sua família tenham influenciado no estado de saúde da ex-primeira dama. "Ridículo... Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão... ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula", afirma Laura em 4 de fevereiro de 2017, um dia após a morte.

No dia 24 de janeiro, quando foi noticiada a internação de Marisa, o chefe da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, disse aos colegas ter recebido informações de que ela chegou ao pronto-socorro "sem resposta, como vegetal". Com base nisso, o procurador Januário Paludo aponta, sem nenhuma prova: "Estão eliminando as testemunhas...".

Candidato do PT à Presidência em 2018 e advogado de Lula, Fernando Haddad afirmou que "faltavam sobriedade e isenção" no tratamento da Lava Jato em relação a Lula.

"Triste a troca de mensagens dos promotores sobre a família de Lula. Realmente faltavam sobriedade e isenção e sobravam preconceito e ódio. As mortes da esposa, do irmão e do neto não foram minimamente respeitadas", escreveu.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) compartilhou a reportagem do UOL e disse que os procuradores "merecem a nossa repulsa" por ironizarem o luto de Lula:

"A reportagem de hoje mostra que procuradores zombaram da morte de Marisa Leticia e do sofrimento de Lula pela perda da mulher, do neto e do irmão. (https://t.co/Mr5KSz3sEF). Merecem a nossa repulsa", defendeu a ex-presidente.

Já Gleisi Hoffman, presidente do PT, afirmou que o tratamento dado pelos investigadores à família do ex-presidente "sem dúvida" levou à morte de Marisa.

"Não bastasse o sofrimento causado a toda família de Lula pela forma como foram investigados, expostos, humilhados, o q sem dúvida levou a morte de d Marisa, essa turma ainda se dava ao direito de chamar de mimimi a dor de luto do Lula. A quem responderão?", postou em seu perfil no Twitter.

Aliados de Lula em outros partidos também repudiaram as declarações dos procuradores. Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, declarou que os membros da Lava Jato "deveriam ter a dignidade de pedir desculpas à família".

O senador Renan Calheiros (MDB), que foi presidente do Senado nos governos Lula e Dilma Rousseff, também atacou os investigadores.

"Na basta perseguir, condenar @LulaOficial sem prova, acobertar investigados, faturar alto com ilegalidades. Tem que tripudiar sobre a dor inigualável da perda de uma esposa, um neto, um irmão. Último degrau da indigência. Desprezíveis", disparou.

Candidato à Presidência pelo PSOL em 2018, Guilherme Boulos disse que os procuradores reservam empatia para políticos como Onyx Lorenzoni (DEM), ministro-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro; o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB); e para Paulo Guedes, ministro da Economia.

"As mensagens dos procuradores da Lava Jato sobre as mortes de Dona Marisa, Vavá e do pequeno Arthur revelam um bando de celerados. A empatia eles reservaram para o Onyx, o FHC e o Paulo Guedes", disse.

O PSOL também divulgou uma nota de repúdio em seu perfil oficial: "É repugnante que se tripudie da morte de alguém, como fizeram procuradores da Lava Jato com as mortes da esposa de Lula, Marisa Letícia, do irmão e do neto do ex-presidente. A lata do lixo da história está reservada para essa gente. Nossa solidariedade aos familiares de Lula", declarou o partido.

Procurada pela reportagem, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba disse ontem que não poderia se manifestar sem ter acesso integral às conversas. O espaço continua aberto a manifestações de seus procuradores.

Veja como outros políticos se posicionaram:

Paulo Pimenta, deputado federal pelo PT (RS)

Jean Willys, ex-deputado federal pelo PSOL

Erika Kokay, deputada federal pelo PT (DF)

Rogério Correa, deputado federal pelo PT (MG)

Humberto Costa, senador pelo PT (PE)

Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL (SP)

Talíria Petrone, deputada federal pelo PSOL (PJ)

Manuela D'Ávila, candidata à Vice-Presidência pelo PCdoB em 2018

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