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Obama diz que cerco a monte Sinjar foi rompido; parte dos militares deixará Iraque

Jeff Mason e Mark Felsenthal

Em Edgartown (EUA)

2014-08-14T20:45:51

14/08/2014 20h45

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta quinta-feira (14) que o cerco dos islâmicos ao monte Sinjar foi rompido e que a maioria dos militares de seu país enviada para avaliar a situação será retirada do Iraque nos próximos dias.

Ele disse aos repórteres não esperar que os EUA tenham que realizar uma operação de retirada da montanha, onde milhares de membros da minoria religiosa yazidi foram encurralados pelos militantes, ou continuar a enviar ajuda humanitária por via aérea.

"Rompemos o cerco do Estado Islâmico no monte Sinjar", afirmou Obama.

"Ajudamos pessoas inocentes a chegar à segurança e a salvar muitas vidas inocentes. Por causa destes esforços, não esperamos que haja uma operação adicional para retirar pessoas da montanha, e é improvável que precisemos continuar com os envios aéreos de ajuda humanitária."

Kieran Dwyer, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Organização das Nações Unidas), disse ser cedo demais para declarar o fim da crise. A melhora na segurança permitiu que um grande número de yazidis escapasse do monte Sinjar, declarou, mas 'alguns milhares' ainda necessitam de ajuda.

"A crise na montanha não se encerrará até que todos possam chegar de maneira segura a uma localidade segura", disse Dwyer.

Obama afirmou que a maioria dos militares que conduziram a avaliação no monte Sinjar deixarão o Iraque dentro de alguns dias.

Os Estados Unidos enviaram 130 militares para Arbil, capital do Curdistão iraquiano, para analisar as opções, que iam de um corredor de segurança para os yazidis até um resgate aéreo. Uma equipe de menos de 20 pessoas voou ao local para avaliar a situação.

O Departamento de Estado dos EUA afirmou acreditar que entre quatro e cinco mil pessoas permaneceram na elevação estreita e árida, mas que até duas mil já viviam ali e podem querer ficar.

Entenda a violência no Iraque

  • O que está acontecendo?

    Desde que as tropas americanas saíram do Iraque, em 2011, o grupo islâmico EI vem rapidamente ocupando cidades do país. Desde junho, já tomou Mosul, segunda maior cidade e bastião da resistência à ocupação dos EUA e aliados, e partes de Tikrit, cidade de Saddam Hussein próxima da capital Bagdá

  • Quem está atacando?

    O EI (Estado Islâmico), um grupo islamita sunita que surgiu da união de diversos grupos que lutaram contra a ocupação do Iraque pelos EUA e que recentemente criou um califado nas áreas sob o seu controle no Iraque e no Levante (parte de Síria e Líbano). Seu principal líder foi Al-Zarqawi, morto em 2006. Hoje a liderança tem vários nomes, mas o principal é Al-Baghdadi

  • O que é um califado?

    É uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre

  • Qual a força do EI?

    O grupo, que recebe grandes doações ocultas de dinheiro, tem milhares de militantes, inclusive "jihadistas" americanos e europeus, e se aproveita da disputa entre o governo de Maliki, apoiado pelos xiitas, e a minoria sunita para conquistar espaço. Acredita-se que seja patrocinado por governos da região. Embora seja considerado um braço da Al-Qaeda, se rebelou e foi expulso pelo líder Al-Zawahiri

  • Qual o papel dos EUA?

    Alegando risco de genocídio, o presidente dos EUA, Barack Obama, determinou o bombardeio de áreas controladas pelos militantes do EI no norte do país. Os EUA também estão fornecendo armas e munição aos curdos para que combatam o movimento

  • Quem está na mira do EI?

    Cerca de 50 mil membros da minoria yazidi, que estão isolados em montanhas no noroeste do Iraque, sem comida nem água, depois de terem fugido de suas casas, e cristãos, que chegaram a ser crucificados. Mulheres tem sido forçadas a se submeter à mutilação genital e usar véus cobrindo o corpo inteiro

  • O Iraque pode se dividir?

    Apesar de o governo central de Bagdá ainda controlar oficialmente as províncias do país, é possível que haja a fragmentação em ao menos três territórios. Isso porque a divisão do Iraque entre árabes sunitas, xiitas e curdos já está bem avançada

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