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Vazamentos da Lava Jato

Denúncia contra Lula tem pontos divergentes de reportagem citada por Deltan

Do UOL, em São Paulo

10/06/2019 15h18Atualizada em 10/09/2019 17h54

Mensagens atribuídas ao procurador da República Deltan Dallagnol, reveladas pelo site The Intercept, sugeriram que a força-tarefa da Lava Jato tinha dúvidas sobre a solidez da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá (SP), quatro dias antes de ela ser oferecida ao então juiz Sergio Moro, em 2016.

Após ler reportagem publicada pelo jornal "O Globo" em 2010, Deltan, chefe da força-tarefa, mostrou-se mais confiante em apresentar a acusação e decidiu citar o texto na denúncia. No entanto, a matéria e a peça de acusação apresentam informações destoantes.

O texto, intitulado "Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado", foi publicado quando a OAS assumiu obras paradas da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop).

Ele diz que Lula e a esposa, Marisa Letícia, eram donos de uma cobertura na praia das Astúrias e esperavam há cinco anos a conclusão da obra.

Na época, a assessoria de imprensa do então presidente confirmou a informação: "Procurada, a Presidência confirmou que Lula continua proprietário do imóvel", diz a reportagem.

A declaração de bens feita por Lula à Justiça Eleitoral em 2006 e citada pelo jornal fala em "Participação Cooperativa Habitacional Apartamento em construção no Guarujá", mas não especifica se o apartamento em questão era um tríplex. No documento, o petista mencionava apenas que R$ 47.695.38 já haviam sido pagos.

Outro ponto divergente é a unidade que pertenceria ao ex-presidente. A matéria do Globo atribuiu a Lula a propriedade de um tríplex na torre que fica nos fundos do condomínio.

"A segunda torre, se construída como informa a planta do empreendimento, lançado no início dos anos 2000, pode acabar com parte da alegria de Lula: o prédio ficará na frente do imóvel do presidente, atrapalhando a vista para o mar do Guarujá, cidade do litoral paulista", diz trecho da reportagem.

No entanto, a denúncia feita pelos procuradores afirma que o tríplex de Lula seria o 164 da torre A, com vista para o mar, que ainda não havia sido construída quando a reportagem foi publicada. A jornalista Tatiana Farah, responsável pelo texto, não se manifestou sobre o assunto.

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AFP

Moro citou reportagem na sentença

Na sentença em que condenou o ex-presidente pelo caso, Moro classificou a reportagem como "bastante relevante do ponto de vista probatório" por ter sido feita em 2010, quando Lula não era alvo de nenhuma investigação. O petista sempre negou as acusações.

O então magistrado também citou a resposta da Presidência, que não desmentiu a reportagem.

"A matéria em questão é bastante relevante do ponto de vista probatório, pois foi feita em 10/03/2010, com atualização em 01/11/2011, ou seja, quando não havia qualquer investigação ou sequer intenção de investigação envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva ou o referido apartamento tríplex. Não havia, por evidente, como a jornalista em 2010 ou 2011 antever que, no final de 2014, ou seja, três anos depois, a questão envolvendo o ex-presidente e o apartamento tríplex seria revestida de polêmica e daria causa à uma investigação criminal", escreveu o então magistrado.

"(...) A informação, por forma desconhecida vazou, foi publicada e não foi desmentida. Aliás, segundo a referida matéria "a Presidência confirmou que Lula continua proprietário do imóvel" (apartamento tríplex)", destacou Moro em outro trecho.

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