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Países árabes prometem acompanhar Obama "até o fim" contra EI

Da Efe, em Nova York

24/09/2014 00h07

Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos prometeram nesta terça-feira (23) ao presidente americano, Barack Obama, que acompanharão os Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico "até o final", um dia após os primeiros ataques coordenados sobre posições do grupo jihadista na Síria. 

11.ago.2014 - Cidades sob controle do Estado Islâmico no Iraque e na Síria - Arte UOL - Arte UOL
Cidades sob controle do Estado Islâmico ou sob ameaça de ataques na Síria e Iraque
Imagem: Arte UOL

Obama se reuniu com representantes desses cinco países árabes e com o primeiro-ministro do Iraque, Haidar al Abadi, por ocasião de sua participação nas sessões da Assembleia Geral da ONU, e saiu do encontro com a sensação que a posição de todos eles está "unificada", segundo uma fonte diplomática americana. 

"Houve uma rotunda unanimidade na mesa. Todos os que estavam nessa mesa estão envolvidos nisto a longo prazo", assegurou aos jornalistas a fonte, que pediu anonimato.

"O presidente recebeu uma mensagem de 'Estamos com o senhor e estamos com o senhor até o final'", ressaltou o funcionário. 

Da reunião participaram o rei Abdullah da Jordânia, e os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Saud al-Faisal; do Bahrein, o xeque Khalid Bin Ahmed Bin Mohammed al-Khalifa; do Catar, Khalid bin Mohammed Ao-Attiyah; e dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Abdullah Bin Zayed Al-Nahyan.


Em entrevista à imprensa antes da reunião, Obama afirmou que a luta contra os grupos jihadistas não será algo "rápido" nem "fácil", mas permitirá demonstrar a "mensagem muito clara" da comunidade internacional contra o radicalismo islâmico. 

"Graças aos esforços desta coalizão que quase não tem precedentes, acho que temos a oportunidade de enviar agora uma mensagem muito clara que o mundo está unido", declarou.

O secretário de Estado americano, John Kerry, assegurou hoje que mais de 50 países já se uniram à coalizão internacional contra o EI que impulsiona o governo americano, entre eles a Turquia. 

Entre os últimos países em comprometer-se de uma forma ou outra a apoiar a iniciativa estão México, Tunísia, Suíça, Cingapura, Geórgia e Taiwan, segundo um documento divulgado pelo Departamento de Estado.

Os Estados Unidos preferem deixar que cada país anuncie seus compromissos concretos para a aliança, que além do aspecto militar trabalhará para pressionar economicamente o EI e evitar que recrute mais combatentes estrangeiros.

Entenda a violência no Iraque

  • O que está acontecendo?

    Desde que as tropas americanas saíram do Iraque, em 2011, o grupo islâmico EI vem rapidamente ocupando cidades do país. Desde junho, já tomou Mosul, segunda maior cidade e bastião da resistência à ocupação dos EUA e aliados, e partes de Tikrit, cidade de Saddam Hussein próxima da capital Bagdá

  • Quem está atacando?

    O EI (Estado Islâmico), um grupo islamita sunita que surgiu da união de diversos grupos que lutaram contra a ocupação do Iraque pelos EUA e que recentemente criou um califado nas áreas sob o seu controle no Iraque e no Levante (parte de Síria e Líbano). Seu principal líder foi Al-Zarqawi, morto em 2006. Hoje a liderança tem vários nomes, mas o principal é Al-Baghdadi

  • O que é um califado?

    É uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre

  • Qual a força do EI?

    O grupo, que recebe grandes doações ocultas de dinheiro, tem milhares de militantes, inclusive "jihadistas" americanos e europeus, e se aproveita da disputa entre o governo de Maliki, apoiado pelos xiitas, e a minoria sunita para conquistar espaço. Acredita-se que seja patrocinado por governos da região. Embora seja considerado um braço da Al-Qaeda, se rebelou e foi expulso pelo líder Al-Zawahiri

  • Qual o papel dos EUA?

    Alegando risco de genocídio, o presidente dos EUA, Barack Obama, determinou o bombardeio de áreas controladas pelos militantes do EI no norte do país. Os EUA também estão fornecendo armas e munição aos curdos para que combatam o movimento

  • Quem está na mira do EI?

    Cerca de 50 mil membros da minoria yazidi, que estão isolados em montanhas no noroeste do Iraque, sem comida nem água, depois de terem fugido de suas casas, e cristãos, que chegaram a ser crucificados. Mulheres tem sido forçadas a se submeter à mutilação genital e usar véus cobrindo o corpo inteiro

  • O Iraque pode se dividir?

    Apesar de o governo central de Bagdá ainda controlar oficialmente as províncias do país, é possível que haja a fragmentação em ao menos três territórios. Isso porque a divisão do Iraque entre árabes sunitas, xiitas e curdos já está bem avançada