Violência no Rio

Com 12 mortes em 8 dias, Rocinha terá ação militar 'se necessário', diz porta-voz da intervenção

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O porta-voz do CML (Comando Militar do Leste) e do Comando Conjunto da intervenção federal no Rio de Janeiro, coronel Carlos Frederico Cinelli, afirmou nesta sexta-feira (30) que, "se for necessário, as Forças Armadas vão desencadear operações" na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, onde ocorreram 12 mortes nos últimos oito dias devido a episódios de violência.

Segundo ele, uma possível ação militar na comunidade está "no radar" do secretário de Segurança, general Richard Nunes. Cinelli disse que "dados estão sendo processados", mas "é importante lembrar que a Polícia Militar está presente no local".

"A comunidade da Rocinha é emblemática no Rio de Janeiro. Pelo tamanho e também pela localização dela. Isso certamente está no radar de preocupação do secretário de Segurança. E ele, se necessitar do Comando Conjunto, vai solicitar o apoio e nós vamos desencadear o apoio que for necessário", afirmou.

Na tarde de ontem (29), o morador Davidson Farias de Sousa, 28, morreu ao ser baleado na varanda de casa. No momento em que foi alvejado, estava com o filho ainda bebê no colo. Ele chegou a ser socorrido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da favela, mas não resistiu aos ferimentos. A Divisão de Homicídios assumiu o caso e investiga a origem do disparo.

Questionado se a situação da Rocinha seria uma prioridade para os órgãos mobilizados na intervenção federal no estado, Cinelli declarou: "As prioridades que a Secretaria de Segurança estabeleceu contemplam a Rocinha. Não só pelo posicionamento geográfico, mas pelo tamanho da comunidade. Mas em termos de vidas humanas, não há maior ou menor prioridade. Todas são importantes."

O coronel esteve na manhã de hoje na praia de Copacabana, na zona sul da cidade, para lançar uma campanha que objetiva estimular a população a denunciar atividades criminosas e fornecer informações que possam ser úteis para as autoridades. Quatro faixas foram afixadas em diferentes pontos da orla, entre os quais o Forte de Copacabana, com os canais de contato do Disque-Denúncia.

"Às vezes o cidadão não é um especialista em segurança pública, mas ele tem um sentimento de que alguma coisa está errada. Tem um carro parado ali durante muito tempo, e ele desconfia. Alguma movimentação estranha em um local. Ele liga para o Disque-Denúncia, manifesta o que ele está vendo e essa informação será processada", comentou.

Patrulhamento

Cinelli informou que o patrulhamento urbano realizado pela Polícia do Exército será mantido. O trabalho, que teve início nesta semana, concentra-se basicamente na zona sul carioca --são oito pontos distribuídos pela orla. Cada grupo de combate --ou "fração constituída"-- é composto por nove militares, sendo um sargento e oito soldados. Eles não possuem uma base fixa, isto é, estão sempre se movimentando pelo terreno patrulhado.

"E, como vocês podem perceber, o patrulhamento é dinâmico e mesclado. Com deslocamento das viaturas e também pausas estáticas em determinados pontos a critério dos comandantes de batalhão", disse.

Além do deslocamento em terra, há também vigilância aérea, com emprego de helicópteros do Exército. As aeronaves captam e enviam imagens para o CICC (Centro Integrado de Comando e Controle) e para o Comando Conjunto (situado no Palácio Duque de Caxias, sede do CML). Nesses locais, estão os órgãos de inteligência mobilizados na intervenção federal.

Cinelli disse ainda que serão fechados neste domingo (1º) os primeiros relatórios operacionais da Polícia do Exército em relação ao trabalho de patrulhamento. No entanto, observou ele, o conjunto de dados dificilmente será disponibilizado em função de seu valor estratégico.

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