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Internacional

Israel diz que Hamas violou o próprio cessar-fogo e que ataques continuarão

Do UOL, em São Paulo

27/07/2014 11h21

O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou o pedido de cessar-fogo do Hamas, neste domingo (27), e disse que o próprio grupo não respeita a pausa proposta.

"Eles violaram seu próprio cessar-fogo. Dispararam mísseis logo após anunciarem que queriam uma pausa humanitária", disse em entrevista à rede norte-americana CNN. "Vamos continuar com as nossas operações. Vamos fazer o que for possível para proteger a população."

Netanyahu afirmou que Israel havia aceitado a proposta de extensão do cessar-fogo humanitário no sábado, inicialmente proposto para durar 12 horas, mas que o aumento de 4 horas na pausa não foi aceito pelo Hamas.

O novo cessar-fogo proposto pelo grupo islamita começaria às 14h no horário local (8h no horário de Brasília). O Exército de Israel informou que havia suspendido a trégua com o Hamas na faixa de Gaza após "disparos incessantes de mísseis" do movimento islâmico.

O primeiro ministro israelense disse que não se intimida com as críticas internacionais sobre o número de mortos do lado palestino do conflito e não se preocupa em estar "criando mais inimigos do que deixando mortos no caminho".

O número de palestinos mortos na ofensiva israelense subiu para 1.053 neste domingo, e o de feridos passa de 6.000, informou o Ministério da Saúde de Gaza. As últimas mortes foram registradas nos bombardeios israelenses nesta manhã em várias áreas da faixa.

"O que a gente pode fazer? O Hamas se esconde atrás de escolas e lares. Nós estaríamos reconhecendo a vitória de grupos terroristas se lhe dessemos imunidade por usarem pessoas como escudo", disse Netanyahu.

O premiê também afirmou que o objetivo da ofensiva israelense não é só acabar com os ataques aéreos do Hamas, mas também dar fim à rede de túneis clandestinos que abastecem a região de Gaza com suprimentos e com materiais para o Hamas atacar Israel.

"Nós queremos parar o lançamento de foguetes, mas também queremos acabar com o sistema de túneis. O Hamas pegou o dinheiro que doaram para reconstruir escolas e jardins de infância para criar túneis [em Gaza] para explodir os nossos jardins de infância."

Fim da ocupação 

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, está formando uma delegação para negociar uma proposta de paz no Cairo, capital do Egito, disse à CNN Mohammad Shtayyeh, um conselheiro de Abbas.  "Estamos trabalhando em um termo de paz nos termos palestinos, não nos termos do Hamas", disse.

O conselheiro reclamou da falta de cooperação de Israel, que estaria atacando Gaza para dificultar as negociações. Ele disse que o governo de Netanyahu aproveita o conflito para tirar Israel de uma questão diplomática difícil, que seria solucionada com o fim da ocupação militar de metade do território palestino.

"Israel quer sabotar essa reconciliação, porque teria que por fim às sanções à Palestina. Queremos o fim da miséria palestina. Os palestinos de Gaza não têm liberdade, eles não sabem como o mundo é. Queremos o fim da ocupação."

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados

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