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Internacional

Ataque israelense destrói única usina de energia de Gaza

Bombeiro tenta apagar fogo no depósito de combustível de usina de energia de Gaza - Mahmud Hams/AFP
Bombeiro tenta apagar fogo no depósito de combustível de usina de energia de Gaza Imagem: Mahmud Hams/AFP

Do UOL, em São Paulo

29/07/2014 09h34Atualizada em 29/07/2014 10h13

O depósito de combustível da única usina de energia da faixa de Gaza foi atingido nesta terça-feira (29) por disparos do Exército israelense, interrompendo o suprimento de eletricidade para a Cidade de Gaza e várias outras partes do enclave palestino de 1,8 milhão de habitantes.

Uma grossa coluna de fumaça emergia das instalações, que suprem dois terços das necessidades de energia do território, e os contêineres de combustível estavam em chamas.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

"A usina de energia se foi", disse seu diretor, Mohammed al-Sharif. Ele afirmou que a equipe local de combate a incêndios não tinha os equipamentos adequados para extinguir o fogo.

De acordo com o gerente geral da usina, Jamal Dersawi, a faixa de Gaza, que já sofre períodos de blecaute e tem suprimento limitado de eletricidade, apresentará falta de energia "maciça". "Isso afetará 1,8 milhão de pessoas de Rafah a Beit Hanoun."

O gerente ainda declarou que os funcionários da usina estão com medo de permanecer no local, devido à possibilidade de novos ataques. 

A usina já havia sido atingida na semana passada e operava com cerca de 20% de sua capacidade, o que garantia apenas algumas horas por dia de eletricidade para os moradores de Gaza.

Ataques mais intensos

O ataque aconteceu horas depois que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou sobre uma campanha "prolongada" contra o Hamas em Gaza.

Segundo o canal de notícias americano NBC, Israel realizou 76 ataques entre a noite de segunda-feira (28) e a manhã desta terça-feira (29), um dos mais intensos bombardeios desde que a ofensiva do país teve início na faixa de Gaza. Mais de 100 morreram durante os bombardeios desta madrugada.

Em um discurso transmitido pela televisão na segunda-feira (28), o primeiro-ministro enfatizou a necessidade de destruir túneis escavados sob a fronteira entre Gaza e Israel para impedir que integrantes do Hamas cheguem a Israel.

Um dos líderes do Hamas, Ismail Haniyeh, teve sua casa, que estava desocupada, destruída. "A destruição de muros não vai quebrar nossa vontade, e vamos continuar resistindo até ganhar a liberdade", disse ele após o bombardeio, segundo um site do Hamas.

Mais de 20 mil pessoas fugiram de suas casas nas últimas horas, somando-se aos 200 mil desabrigados e refugiados desde o início dos ataques, em 8 de julho. 

Os novos refugiados são majoritariamente das regiões de Izzet Abed Rabbo e Zaitun, respectivamente no norte e leste de Gaza. Eles receberam ordens das forças israelenses para saírem de suas casas devido a iminentes bombardeios. 

Autoridades palestinas dizem que 1.115 palestinos, a maioria civis, foram mortos nos combates desde 8 de julho, enquanto Israel perdeu 53 soldados e três civis - dois israelenses e um trabalhador tailandês.

O porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos, Chris Gunness, disse no Twitter que membros da agência foram mortos. A ONU está atualmente cuidando de 182.604 palestinos em seus 82 abrigos em Gaza, de acordo com ele.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação com o relato de que Israel estaria jogando folhetos para residentes no norte de Gaza, alertando para que saíssem do local. Ele disse que as agências da ONU não tinham recursos para ajudar esse fluxo adicional de refugiados. Israel diz que emite os alertas para evitar fazer vítimas civis.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou Israel de agir como um "cão raivoso" e pediu que os muçulmanos ajudem a armar os palestinos para lutar contra o que chamou de "genocídio". (Com agências internacionais) 

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados