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"Deixem o campo de batalha enquanto é possível", diz Obama na ONU sobre EI

Do UOL, em São Paulo

24/09/2014 12h09Atualizada em 24/09/2014 12h55

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira (24), na Assembleia Geral da ONU, que é “hora de o mundo, especialmente as comunidades muçulmanas, explicitamente, forçadamente e consistentemente rejeitar a ideologia da Al Qaeda e do Estado Islâmico”.

Obama prometeu ainda manter a pressão militar sobre os militantes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), por meio de uma coalizão de países aliados, e chamou outras nações a se juntarem ao esforço de combater os extremistas no Iraque e na Síria.

E fez um alerta aos que apoiam o EI para que "deixem o campo de batalha enquanto ainda é possível". 

"Aqueles que se juntaram ao EI deveriam deixar o campo de batalha enquanto podem. Aqueles que continuam a combater em nome de uma causa de ódio irão descobrir que vão ficar cada vez mais sozinhos. Porque nós não iremos sucumbir às ameaças, e nós iremos demonstrar que o futuro pertence àqueles que constroem, não àqueles que destroem."

Boa parte do discurso de Obama dirigido aos representantes dos países participantes da 69ª reunião anual das Nações Unidas, em Nova York (EUA), foi dedicado ao posicionamento dos Estados Unidos quanto ao combate do terrorismo.

“Ao olharmos para o futuro, uma questão arrisca um ciclo de conflito que poderia inviabilizar tal progresso [alcançado até aqui], que é o câncer do extremismo violento que tem devastado tantas partes do mundo muçulmano.”

Obama disse que o terrorismo não é “uma arma nova”, que tem sido usado por aqueles que “não puderam prevalecer, seja por persuasão ou exemplo”, por todos os tipos de grupos que “falharam em chegar ao poder por meio do apoio popular”.

“Mas, neste século, nós temos encarado tipos mais letais e ideológicos de terroristas, que perverteram uma das grandes religiões do mundo”.

O presidente, no entanto, reforçou que não haverá presença militar norte-americana em solo.

“Não temos a intenção de enviar tropas dos EUA para ocupar terras estrangeiras. Em vez disso, nós apoiaremos iraquianos e sírios na luta para reconquistar suas comunidades. Nós usaremos nosso poderio militar em uma campanha de ataques aéreos para frear o EI. Treinaremos e equiparemos as forças que lutam em solo contra esses terroristas. Trabalharemos para cortar seu financiamento e para interromper o fluxo de combatentes para dentro e fora da região. Até aqui, 40 nações já se ofereceram para se unir a essa coalizão. Hoje, eu peço ao mundo que se junte a esse esforço.” 

Crítica aberta à Rússia

Também foram citados no discurso do presidente Obama alguns dos conflitos atuais envolvendo nações no mundo árabe, no Oriente Médio e na Europa. Obama foi incisivo em novamente criticar as ações russas na Ucrânia.

“A agressão russa na Europa faz lembrar dos dias quando grandes nações esmagavam as pequenas em busca de ambições territoriais. A brutalidade dos terroristas na Síria e no Iraque nos forçam a olhar no coração da escuridão. (...) Mas elas também são sintomas de um problema maior, a falha de nosso sistema internacional de acompanhar um mundo interconectado. (...) Com frequência demais, nós falhamos em impor as normas internacionais quando era conveniente o fazer.”

Como exemplo, Obama apontou a Rússia como um país não praticante dessas regras globais, ao anexar a Crimeia, pertencente ao território da Ucrânia, em março deste ano, “contra a vontade do governo de Kiev”, e ao “incentivar separatistas violentos e um conflito que matou milhares”.

Desde o fim de 2013, quando foi deposto o presidente ucraniano Viktor Yanukovich, a Ucrânia, principalmente sua região leste, vem enfrentando tentativas separatistas em prol da Rússia, que nunca assumiu dar apoio ao movimento.

“Esta é uma visão de mundo no qual o poder faz o direito, um mundo onde as fronteiras de uma nação podem ser redesenhadas por outra (...). A América apoia algo diferente. Nós acreditamos que o direito faz o poder, que nações maiores não deveriam ser capazes de ameaçar as menores, que as pessoas deveriam ser capazes de escolher seu próprio futuro. Essas são verdades simples, mas que devem ser defendidas. A América e nossos aliados vamos apoiar o povo da Ucrânia enquanto eles desenvolvem sua democracia e economia.” (Com agências internacionais)

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