Violência no Rio

É utopia achar que a intervenção vai resolver o problema da segurança, diz Pezão

Do UOL, em São Paulo

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), afirmou que a intervenção federal no Estado deverá servir como um grande "laboratório" para eventuais ações semelhantes que venham ser desenvolvidas em outras unidades da federação.

"Acho que cada vez mais Estados e cidades vão pedir essa parceria. Não tenho a utopia de que [a intervenção] vai resolver o problema da segurança, mas tenho certeza que será bem sucedida, reduzindo os índices de criminalidade e oferecendo treinamento para os nossos policiais", disse Pezão.

Na visão do governador fluminense, para evitar que uma eventual redução nesses índices não seja pontual, é necessário que a operação se prolongue além do prazo inicialmente previsto, que é até o dia 31 de dezembro.

Veja a íntegra da entrevista com o Pezão

"Mas isso vai depender de quem vai sentar nessa cadeira" disse, se referindo ao fato de que um novo governador será eleito e iniciará o mandato a partir de janeiro de 2019.

As declarações do governador foram feitas no programa "É Notícia", da Rede TV!, exibido na madrugada desta terça-feira (27). Esta foi a primeira entrevista longa do governador desde a decretação da intervenção.

Segundo o governador, partiu dele o pedido para a ação federal. Pezão disse estar "confortável" com a presença do interventor no Estado, o general Walter Souza Braga Netto.

Não tenho problema por isso [se referindo à perda de poder no setor de segurança]. Continuo sendo o ordenador de despesas das nossas forças de segurança

Luiz Fernando Pezão (MDB), governador do Rio de Janeiro 

O governador disse que pedia por uma ação federal no Estado havia mais de três anos. "As finanças do Rio sofreram muito com a queda no preço do petróleo e com a situação da Petrobras. Tínhamos quatro caminhos para seguir: manter a GLO [Operação de Garantia da Lei e da Ordem, atualmente em vigor no Rio de Janeiro], a GLO ampliada, essa proposta de intervenção ou não fazer nada", afirmou.

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Questionado sobre eventuais erros cometidos por sua gestão, Pezão disse que eles "podem ter existido", mas avaliou que eles teriam sido decorrentes da queda de arrecadação do Estado devido à crise econômica e à queda na cotação do petróleo, o que afetou o pagamento de royalties, uma das principais fontes de financiamento estadual. "Todos os governadores estão sofrendo com a queda de arrecadação, todos têm problemas com previdência".

Eleições

Para Pezão, a segurança pública será "o grande debate das próximas eleições", e negou que as forças policiais do Rio de Janeiro tenham problemas de infiltração do crime organizado. "São casos pontuais, sem diferença para outras corporações do país", afirmou.

Com relação a medidas atualmente em tramitação no Congresso para combate à criminalidade, o governador defende tornar crime hediondo o assassinato de policiais, além de endurecer as penas para porte de fuzil. "Atualmente, quem é flagrado com esse armamento fica, no máximo, um ano na cadeia e, depois, já está na rua de novo".

O governador disse ainda que, para combater o poder do crime organizado "é preciso discutir a questão da descriminalização das drogas, observando atentamente as experiências internacionais para ver que efeito isso terá sobre essa questão".

Pezão disse ainda que não se candidatará a nenhum cargo nas eleições de outubro. "Quero terminar meu mandato, descansar um pouco e procurar emprego na iniciativa privada. Vou dedicar a minha família e à minha saúde". Desde 2016, ele faz tratamento e acompanhamento de um câncer no sistema linfático.

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