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Vazamentos da Lava Jato


Povo dirá se estamos certos, diz Bolsonaro após diálogos vazados de Moro

Bolsonaro e Moro assistiram juntos ao jogo entre Flamengo e CSA, em 12 de junho, em Brasília - Reprodução
Bolsonaro e Moro assistiram juntos ao jogo entre Flamengo e CSA, em 12 de junho, em Brasília Imagem: Reprodução

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

05/07/2019 11h59Atualizada em 10/09/2019 15h49

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) convidou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para acompanhá-lo na final da Copa América, domingo, no Rio de Janeiro. O gesto foi anunciado horas após a revista Veja, em parceria com o site The Intercept Brasil, divulgar novos diálogos envolvendo o ministro e procuradores da operação Lava Jato.

Bolsonaro voltou a defender Moro e afirmou que a opinião popular será dada no estádio, durante a decisão entre Brasil e Peru. "O povo vai dizer se nós estamos certos ou não", disse o pesselista após evento militar, em Brasília.

Nos diálogos revelados pela Veja e pelo The Intercept Brasil, são mostradas novas evidências de que o ex-juiz orientou a investigação do Ministério Público Federal na Lava Jato, pedindo inclusão de provas e sugerindo a mudança de datas de operações, e mostrou contrariedade na delação de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara.

A revista ainda acusa Moro de ter omitido informações solicitadas pelo ministro do STF Teori Zavascki, morto em 2017, para manter um inquérito na 13ª Vara Federal, então chefiada pelo atual ministro da Justiça. Em nota, o ministro negou todas as denúncias feitas pela revista e questionou a autenticidade dos diálogos revelados.

Com o convite feito a Moro, Bolsonaro repete a estratégia adotada quando ocorreu o primeiro vazamento de diálogos pelo site The Intercept Brasil, em 9 de junho. Três dias depois, o presidente e o ministro assistiram juntos ao jogo entre Flamengo e CSA, pelo Campeonato Brasileiro, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Depois de Moro, o presidente voltou a usar a tática de levar ministros em partidas de futebol. Ele acompanhou a abertura da Copa América, em São Paulo, junto a ministros. Outro nome que foi convidado pelo presidente para ir a um jogo foi Onyx Lorenzoni (Casa Civil), o ministro que vem perdendo espaço na articulação política e tem sua substituição especulada por aliados. Ele assistiram à semifinal da Copa América entre Brasil e Argentina, na última terça-feira.

Bolsonaro já esteve acompanhado também do ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, e deputados aliados, em um amistoso da seleção contra o Qatar.

Na partida entre Brasil e Argentina houve vaias enquanto Bolsonaro caminhava pelo gramado. Hoje, o presidente justificou que as vaias não eram endereçadas a eles. O presidente disse que naquele momento a seleção Argentina entrava em campo e os torcedores vaiaram os jogadores.

"Houve vaia quando a seleção da Argentina entrou. E aí jogaram a câmera para cima de mim, queriam o quê? Eu, de paletó e gravata, no Mineirão enorme. Uma vaia estrondosa, de repente. Quem do outro lado sabia que era eu? Não sabia, a vaia foi para o pessoal da Argentina", disse. Ele afirmou que essa explicação ajuda a "desfazer mais uma fake news".

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