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Veja: relator da Lava Jato no TRF-4 teria achado "provas fracas" contra réu

Sylvio Sirangelo/TRF4
Diálogo aponta que Gebran teria avaliado como fracas provas em um processo da Lava Jato Imagem: Sylvio Sirangelo/TRF4

Do UOL, em São Paulo

2019-07-12T12:34:09

2019-07-12T17:04:52

12/07/2019 12h34Atualizada em 12/07/2019 17h04

Novas mensagens envolvendo o procurador Deltan Dallagnol e outros membros da Lava Jato pelo aplicativo Telegram foram divulgadas hoje pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil. Em uma delas, o coordenador da força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) diz ter conversado sobre um processo com o relator das ações da operação na segunda instância, o desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Dallagnol atua na Lava Jato no lado da acusação em processos de primeira instância, enquanto Gebran é responsável por relatar e julgar (ao lado de outros dois desembargadores) as ações na segunda instância.

De acordo com os diálogos publicados pela Veja, o coordenador conversou em 2017 com o procurador regional Carlos Augusto da Silva Cazarré, que atua no MPF na segunda instância, a respeito do julgamento de um recurso de Adir Assad, operador de propinas em esquemas da Petrobras - réu que fora condenado em 2015 pelo então juiz Sergio Moro.

A conversa mostra o receio de Dallagnol com a possibilidade de Gebran absolver o condenado no TRF-4. "O Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad", escreveu Deltan.

Na época, Assad negociava um acordo de delação com o MPF. Se absolvido, a Lava Jato temia que ele interrompesse as negociações. Por isso, nas mensagens, Deltan fala em eventualmente "pedir pra adiar agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação".

Em mensagem a Cazarré, Dallagnol citou que havia tido duas conversas com Gebran "em encontros fortuitos". "E ele [desembargador] mostrou preocupação em relação à prova de autoria sobre Assad", comentou com o colega procurador.

Gebran, porém, acabou confirmando a condenação imposta pelo então juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça. Depoimentos de delatores que não haviam sido usados na sentença na primeira instância foram usados pelo desembargador na decisão no TRF-4.

Semanas após o julgamento no TRF-4, Assad assinou acordo de colaboração com o MPF.

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Outro lado

Procurados pelo UOL, TRF-4 e o MPF --tanto na primeira quanto na segunda instância-- informaram que não vão se manifestar. Também questionada, a defesa de Assad ainda não retornou.

À Veja, Dallagnol não quis se manifestar.

Gebran, por e-mail, disse à revista que por se tratar de uma questão processual, "somente autoriza manifestação nos autos, pelo que nunca externei opinião ou antecipei minha convicção sobre qualquer processo em julgamento".

Tanto o procurador quanto o desembargador ainda registraram à Veja que não atestam a veracidade dos diálogos.

Primeiro áudio de conversas interceptadas foi divulgado nesta semana por site

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