Cientistas criam glândulas lacrimais e salivares em laboratório
Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (2) a criação de glândulas salivares e lacrimais usando células-tronco de camundongos, marcando um avanço na busca pelo desenvolvimento de órgãos de reposição produzidos por bioengenharia.
O trabalho demonstra potencial para o tratamento de glândulas com mau funcionamento que causam as síndromes de "olho seco" ou "boca seca", que afetam dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, afirmaram.
Uma equipe chefiada por Takashi Tsuji, da Universidade de Ciência de Tóquio, criou as glândulas em laboratório para produzir células precursoras e transplantaram os órgãos primitivos nos camundongos.
As duas glândulas transplantadas se ligaram ao tecido adjacente, conectando-se a dutos e fibras nervosas, afirmaram.
As glândulas lacrimais produziram lágrimas e a glândula salivar respondeu normalmente ao estímulo da comida, além de proteger os camundongos de infecções orais. As glândulas funcionaram no longo prazo, o que nos ratos corresponde ao marco de 18 meses, acrescentaram os pesquisadores.
A falha em lubrificar a pálpebra, uma condição denominada xerose corneal, pode ser perigosa para a visão. Milhões de pessoas têm xerostomia, caracterizada pela falta de saliva, que pode levar a problemas de deglutição e a infecções na boca, destacou o estudo publicado na revista científica Nature Communications.
"Alguns problemas precisam ser resolvidos até que o uso de glândulas secretoras bio-manipuladas se torne factível", alertou a equipe de Tsuji, indicando a necessidade de construir um banco de células-tronco apropriado.
Trabalhos anteriores feitos pela mesma equipe resultaram na regeneração de órgãos "ectodérmica", fazendo o tecido recriar cabelos e dentes.
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