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Prefeito de Salvador defende cantor-deputado acusado de apologia ao crime

Igor Kannário subiu no trio usando um uniforme de policial e cassetete  - Thiago Martins/Agnews
Igor Kannário subiu no trio usando um uniforme de policial e cassetete Imagem: Thiago Martins/Agnews

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

03/03/2019 17h14

Em coletiva de imprensa sobre o Carnaval no início da tarde de hoje, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), saiu em defesa do cantor e deputado federal Igor Kannário, acusado de fazer apologia ao crime durante desfile no circuito Barra-Ondina, na noite da última sexta-feira (1º).

Na ocasião, o músico subiu ao trio vestindo um uniforme de policial, levando consigo um cassetete com a inscrição "comando da paz". Os dizeres são atribuídos a uma organização criminosa, que se utilliza das iniciais CP em sua atuação no tráfico de drogas na capital.

O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) durante coletiva de imprensa sobre o Carnaval na cidade - Valter Pontes/Secom/PMS
O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) durante coletiva de imprensa sobre o Carnaval na cidade
Imagem: Valter Pontes/Secom/PMS

Após o polêmico episódio, a Aspra (Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares do Estado da Bahia) informou que processará o artista por apologia ao crime e por promover uma facção criminosa.

Kannário refutou as acusações e justificou que a vestimenta, intitulada "PM do Futuro", era uma homenagem à Polícia Militar baiana.

Indagado por jornalistas, ACM Neto, por sua vez, minimizou o imbróglio. "Eu o defendo. Igor Kannário me procurou antes do Carnaval e disse que ia fazer um Carnaval falando de paz, de segurança. E aí, agora, querem criticar o cara. Me perdoe, mas isso é uma hipocrisia absurda", declarou o gestor.

Discussão com PM em micareta

Não é a primeira fez que Igor Kannário causa mal-estar com a corporação durante um evento carnavalesco.

Em um dos episódios, ocorrido em junho de 2017 na micareta em Feira de Santana (a 100 km de Salvador), o artista se envolveu numa discussão com uma policial militar ao dizer que, por ser vereador (cargo que ocupava naquele ano), era mais autoridade do que a agente.

"PFem, você é só uma PFem. Eu sou mais autoridade que você, eu sou vereador. Me respeite, me respeite. Procure seu lugar", bradou ele do alto do trio.

À época, Kannário afirmou que agiu sob "violenta emoção" e só teria questionado a policial porque ela agia com violência em meio aos foliões.

Kannário, o autoproclamado "Príncipe do Gueto", chegou a ser indiciado por desacato a funcionário público em apuração da Polícia Civil.

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