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Em novo álbum, BaianaSystem foge de atmosfera urbana e explora parcerias

Guilherme Zauith/UOL
Baiana System lança disco e se prepara para Carnaval agitado Imagem: Guilherme Zauith/UOL

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

15/02/2019 16h58

Gestado sob a atmosfera da bucólica Ilha de Itaparica (BA), "O Futuro Não Demora", terceiro disco do grupo BaianaSystem, chega às plataformas digitais como uma prévia do repertório que embalará o catártico Navio Pirata no Carnaval.

Produzido em parceria com Daniel Ganjaman e lançado hoje, o álbum foi concebido após um minucioso processo de maturação, que incluiu uma espécie de retiro criativo na terra de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014).

Ali, distante da balbúrdia urbana que o catapultou para além-Salvador, o grupo aportou até chegar à fórmula que foge totalmente à essência do premiado "Duas Cidades"- segundo EP da Baiana, gravado em São Paulo.

"Toda a produção ocorreu ao longo de 2018, um período que nos possibilitou fazer um disco com um caráter de obra mesmo, de construção, com início, meio e fim", detalha Roberto Barreto, dono da inconfundível guitarra baiana, uma das marcas da trupe comandada por Russo Passapusso.

Composto por 13 faixas, o novo trabalho é divido em "lado A" e "lado B", tal como um vinil. Não à toa, ganhará em breve uma versão em LP.

Evocada no imaginário soteropolitano como a banda que mistura pagodão com batida eletrônica, a BaianaSystem corrobora em "O Futuro Não Demora" estar além de meras rotulações.

Numa concepção livre a experimentações, continua a incorporar nas composições uma gama de ritmos e diferentes elementos, com espaço para o ijexá, embolada, samba-reggae, arranjos de orquestra, percussão e berimbau.

Reprodução
Capa do disco "O Futuro Não Demora", do BaianaSystem Imagem: Reprodução
Participações

Ao dialogar com questões cotidianas, como diáspora e conflitos territoriais, "O Futuro Não Demora" também mostra-se um álbum literalmente agregador. Entre as parcerias um tanto improváveis, apresenta para o público do século 21 Antônio Carlos e Jocafi, ícones da música popular brasileira que embalaram trilhas de telenovelas na década de 1970.

A dupla figura na canção "Água" e é coautora de "Salve", outra emblemática canção do disco, na qual, junto do já de casa BNegão, rende homenagem a Zulu Nation, Nação Zumbi, Ilê Aiyê e à Orkestra Rumpilezz.

Num dos pontos altos da sinergia sonora, "Sulamericano" traz versos do francês Manu Chao, numa clara referência à ligação da banda com as culturas latina e da América Central. Curumin, Edgard e o rapper Vandal completam os nomes que engrossam tal conexão intermusical.

Carnaval cheio

Em meio ao lançamento do novo disco, a BaianaSystem se prepara para cumprir um agenda cheia no Carnaval. É uma das atrações mais aguardadas do Furdunço, evento de pré-folia de Salvador que, embora aconteça oficialmente nos dias de 23 e 24 de fevereiro, abrirá uma edição especial para receber a banda em 28/2, primeiro dia de folia oficial na capital.

Em seguida, o grupo desembarcará no Recife, onde toca na festa momesca em 2 e 3 de março. Já em 9 de março, o Navio Pirata do grupo invadirá, pela segunda vez, a folia de São Paulo. A concentração está marcada para o meio-dia, na avenida Tiradentes.

Confira a programação:

15 de fevereiro (esta sexta), Brasília - Setor Bancário Sul

23 de fevereiro, Salvador- Baile Arapuca, na Área Verde do Othon

28 de fevereiro, Salvador - Furdunço/Navio Pirata

2 de março, Recife - Parador

3 de março, em Recife - Polo Lagoa do Araçá

4 de março, Rio de Janeiro - Jóquei Clube Brasileiro

9 de março, São Paulo - Navio Pirata