Clique Ciência: Por que acordamos com a voz rouca?

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Você acorda assustado com o telefone tocando, atende, tenta disfarçar que não estava dormindo, mas não adianta. Do outro lado da linha a pessoa percebe que tirou você da cama. Mas por que será que a nossa voz acorda mais grave quando acordamos?

A resposta é uma só: assim como muitas partes do corpo, nossas cordas vocais também aproveitam a noite de sono para descansar e não despertam tão rápido quanto gostaríamos.

"Quando a gente acorda, fica com um discreto edema nas pregas vocais, porque elas ficaram em repouso. Aí, quando a gente acorda, a voz fica mais grave por conta dessa retenção de líquido", diz Marta Assumpção de Andrada e Silva, fonoaudióloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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Em média, a voz começa a voltar ao normal depois de dez minutos que você acordou, mas esse período pode demorar um pouco mais, caso de pessoas que vivem sozinhas ou demoram para começar a falar.

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Não dormir bem, roncar ou respirar pela boca durante a noite também podem alterar a voz por um tempo maior, já que, nesses casos, ela não se recupera do modo com que deveria.

Por conta do acúmulo de líquido nas cordas vocais, a fonoaudióloga que o período da manhã não é o melhor momento para as atividades que exijam muito delas. "Uma professora, por exemplo, não deve falar alto nas primeiras horas do dia, porque ninguém tem projeção de volume às 7h da manhã. É preciso, antes, fazer um aquecimento, movimentar as cordas vocais", diz a especialista, que destaca que os professores são os que mais apresentam problemas de voz.

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Outras condições que alteram a voz

Em alguns casos, a voz não volta ao normal após os primeiros minutos do dia e as alterações podem estar associadas a problemas de saúde.

"Quando você está gripado, as vias aéreas ficam com edemas e as cordas vocais também retêm líquido e não conseguem se esticar totalmente (movimento associado ao tom agudo), então a voz fica mais grave", explica.

O nariz também pode ficar tampado por secreção decorrente de um resfriado ou uma alergia. Nesse caso, resta pouco espaço no interior do rosto (que funciona como uma espécie de caixa acústica) para que a onda sonora reverbere. Por esse motivo, a voz costuma ficar estranha quando temos uma sinusite, por exemplo.

Nesses casos, recomenda a fonoaudióloga, deve-se evitar fazer esforços com a voz. "Chás e pastilhas podem mascarar o problema. Por isso, o ideal é que os profissionais não cantem enquanto estiverem gripados, e, no caso dos professores, evitem aulas expositivas por muito tempo, ou podem acabar machucando as pregas vocais", afirma a médica.

Quando se trata das mulheres, outro fator pode acabar afetando a qualidade da voz: os hormônios. Isso porque durante a tensão pré-menstrual muitas costumam reter mais líquidos, causando também edemas nas cordas vocais. "Ouço com frequência no meu consultório professoras que reclamam de mais cansaço na voz neste período", diz.

Cuidados com a voz

De modo geral, a professora da Santa Casa diz que é preciso usar a voz com moderação e beber bastante água. Lavar o nariz com soro fisiológico (e não usar medicamentos descongestionantes) também pode ajudar.

Além disso, antes de encarar uma apresentação oral ou qualquer atividade em que você precise falar alto ou por muito tempo, vale a pena investir em alimentos leves e de fácil digestão, como frutas e verduras. Por outro lado, evite leite e derivados, como queijos e iogurtes, que engrossam a saliva, refrigerantes e comidas gordurosas ou com muito sal.

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