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Internacional

Deputada cassada critica governo brasileiro: 'Indiferença é cumplicidade'

Sérgio Lima/Folhapress
Imagem: Sérgio Lima/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

07/04/2014 23h48

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, transmitido nesta segunda-feira (7) pela “TV Cultura”, a deputada venezuelana cassada María Corina Machado, uma das líderes da oposição no país, usou uma analogia política bastante conhecida dos brasileiros para explicar o processo governamental na Venezuela: a ditadura militar (1964-85). 

María Corina esteve no Brasil na semana passada, a convite do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), em um momento em que o país lembrava a passagem dos 50 anos do regime militar, após ter o mandato cassado pela Assembleia Nacional da Venezuela no último dia 21. 

O argumento da Assembleia foi o de que ela participou de uma sessão da OEA (Organização dos Estados Americanos) a convite do Panamá em que denunciou violações de direitos humanos cometidas pelo governo de Nicolás Maduro nos últimos dois meses, quando os protestos nos país se intensificaram. 

Desde então, ela tem feito duras críticas públicas ao que chama de ‘ditadura’ na Venezuela --e comparando-a ao caso brasileiro-- , e a um governo que tem violado, segundo ela sistematicamente,  os direitos humanos, e acabou se tornando a cara da oposição oficial atual ao governo venezuelano.

Questionada pelo jornalista Rodrigo Cavalheiro, do jornal “O Estado de S. Paulo”, por que, em suas manifestações como opositora tem instigado o Exército venezuelano a se rebelar contra um governo formalmente eleito e levada a refletir se essa medida não se caracterizaria golpe de Estado, a deputada afirmou que “na Venezuela já há um golpe de Estado em curso dentro do próprio Estado --e é isso que os governos latinos tem que entender”, acrescentou.

Em sua participação no programa, a deputada cassada se esquivou de criticar diretamente o governo brasileiro, como já havia feito em outras ocasiões, inclusive em entrevista ao UOL, mas voltou a instigar o Planalto e a diplomacia brasileira a agir contra Nicolás Maduro: 

“Maduro cruzou a linha vermelha em termos de violação dos direitos humanos, e é por isso que a essa altura a ‘indiferença é cumplicidade’, disse, em tom de reprovação à postura brasileira, e continuou: “Por isso, pedimos ao mundo, solidariedade, desde à OEA até países de grande influência e efeito na região [na América Latina], como o Brasil. Não peço interferência, mas que comecem a chamar as coisas pelo nome e na Venezuela não há democracia”, declarou María Corina.

O governo brasileiro tem passado ao largo de comentários sobre a tensão social e política que se instaurou na Venezuela há pouco mais de dois meses com protestos que se intensificam e que são marcados por enfrentamentos violentos. Pelo menos 39 pessoas já morreram.

Ingerência cubana

Sobre o motivo da cassação do mandato --apoiar formalmente uma intervenção militar na Venezuela-- María Corina respondeu ao jornalista Rogério Simões, da revista "Época", que "repudia a intervenção estrangeira", mas deu a entender que a prefere, em casos extremos, do que o que disse ser uma ingerência cubana na forma de governar de Nicolás Maduro.

"O governo cubano está infiltrado na Venezuela: na segurança, na inteligência, em cartórios, em registros mercantis e até em subestações elétricas temos a presença de funcionários do governo de Cuba". Em outro momento da entrevista, a deputada chegou a dizer que a "Presidência da República da Venezuela está a serviço dos cubanos".

'Pensar em candidatura neste momento seria criminoso'

Apesar de ter tomado a frente de uma oposição que parece estar um tanto dividida depois que Henrique Capriles inicou diálogos com Maduro --chegando a afirmar publicamente que qualquer tentativa de destituir Maduro sem que haja um nome iminente para substituí-lo seria um golpe de Estado, o qual não apoiaria--, María Corina rechaçou a possibilidade de estar se aproveitando da insatisfação de certos setores sociais para lançar campanha própria.

"Vejo que algum venezuelano a esta altura possa estar privilegiando uma candidatura ou um cargo político frente ao que está ocorrendo na Venezuela seria crime, e eu te asseguro que não é o caso", declarou. Para a deputada cassada, o país enfrenta um momento de resgatar com urgência uma democracia perdida e a dignidade de seus cidadãos.

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