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Operação Lava Jato


Após 1º áudio vazado de Deltan, Lava Jato chama mensagem de falsa acusação

Talita Marchao, Vanessa Alves Baptista e Vinicius Konchinski

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Curitiba

09/07/2019 18h12Atualizada em 09/07/2019 19h46

A força-tarefa da Lava Jato no MPF-PR divulgou nota em resposta ao primeiro áudio vazado pelo site Intercept Brasil com fala do coordenador da operação em Curitiba, Deltan Dallagnol. A Lava Jato afirmou que as "supostas mensagens têm sido usadas, editadas ou descontextualizadas, para embasar falsas acusações que contrastam com a realidade dos fatos".

No áudio, Dallagnol pede aos colegas para não divulgar informações sobre a liminar do ministro do STF Luiz Fux que derrubava a decisão do colega Ricardo Lewandowski de autorizar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedesse entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

No comunicado, a Lava Jato diz ainda que as "supostas mensagens atribuídas a integrantes da força-tarefa são oriundas de crime cibernético e não puderam ter seu contexto e veracidade verificados".

Dallagnol foi procurado pela reportagem para comentar a divulgação do áudio, mas não quis se pronunciar.

O áudio do procurador foi enviado pelo aplicativo Telegram no grupo Filhos do Januário 3 no dia 28 de setembro, às 23h33, segundo afirma o Intercept. Antes, ele avisou que mandaria informação "urgente" e em "segredo": "Quem quer saber ouve o áudio", diz na mensagem.

A preocupação do coordenador da Lava Jato em Curitiba era injustificada, já que a decisão de Fux já tinha sido publicada por sites especializados, como Jota e Consultor Jurídico, meia hora antes de ele dar a informação aos colegas. A Folha, que havia pedido a entrevista com Lula, divulgou reportagem sobre o veto às 23h53.

Diz no áudio: "Caros, o Fux deu uma liminar suspendendo a decisão do Lewandowski que autorizava a entrevista, dizendo que vai ter que esperar a decisão do plenário [...] Não vamos alardear isso aí. Não vamos falar para ninguém. Vamos manter, ficar quieto, para evitar a divulgação o quanto for possível. Porque, quanto antes divulgar isso, antes vai ter recurso do outro lado, antes isso aí vai para o plenário [...] O pessoal pediu para a gente não comentar aí publicamente e deixar que a notícia surja por outros canais pra... Pra evitar precipitar recurso de quem é... tem uma posição contrária à nossa".

O procurador também afirma que é a decisão de Fux é uma "notícia boa" depois de "tantas coisas ruins".

Desde cedo, naquele mesmo dia, a possibilidade de Lula dar entrevista já havia mobilizado os integrantes dos grupos da força-tarefa, segundo mensagens divulgadas pelo Intercept em 9 de junho. A procuradora Laura Tessler, por exemplo, chamou o caso de "revoltante" e "verdadeiro circo".

"Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E, depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas? E a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse? ", escreveu a procuradora Laura Tessler.

Para tentar amenizar eventuais benefícios da entrevista ao PT, o procurador Januário Paludo sugeriu, segundo mostram as mensagens divulgada pelo Intercept no dia 9 de junho, que ela fosse transformada em uma coletiva, com vários jornalistas. "Plano a: tentar recurso no próprio STF, possibilidade zero. Plano b: abrir para todos fazerem a entrevista no mesmo dia. Vai ser uma zona, mas diminui a chance da entrevista ser direcionada", escreveu.

"Sei lá, mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad", disse Tessler.

Outros procuradores sugeriram que a Polícia Federal interviesse para que a entrevista acontecesse depois das eleições. A entrevista acabou sendo realizada apenas no dia 26 abril deste ano após o presidente do Supremo, Dias Toffoli, revogar em abril a decisão de Fux.

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