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Vazamentos da Lava Jato


Procurador pagou outdoor pró-Lava Jato no PR, e CNMP arquivou investigação

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba - Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

26/08/2019 13h01

O procurador Diogo Castor de Mattos teria confessado ao corregedor-geral do Ministério Público Federal que pagou por um outdoor para promover a operação Lava Jato. O caso, no entanto, teria sido dado como encerrado sem investigação formal. A informação foi publicada hoje (26) pelo site The Intercept Brasil.

Um outdoor com mensagem de apoio à Lava Jato foi instalado em março deste ano, próximo ao Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Nove procuradores da operação apareciam na imagem.

"Bem-vindo à República de Curitiba. Terra da Operação Lava Jato, a investigação que mudou o país. Aqui a lei se cumpre. 17 de março - 5 anos de Operação Lava Jato - O Brasil Agradece", estampava a peça.

Em mensagens obtidas pelo site The Intercept, o corregedor-geral do MPF, Oswaldo Barbosa, pediu explicações à Lava Jato, mas a operação negou participação no caso. Pouco tempo depois, o procurador Diogo Castor de Mattos, confessou que custeou a publicação da imagem e pediu licença da força-tarefa por questões médicas. A Lava Jato aceitou o afastamento.

Ainda segundo a publicação, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, intermediou conversas para proteger Barbosa e abafar o caso. Cerca de 20 dias depois da confissão de Castor de Mattos chegar à corregedoria do MPF, a representação foi arquivada e mantida sob sigilo.

As mensagens

Em março deste ano, Oswaldo Barbosa procurou Dallagnol pelo Telegram para perguntar sobre a peça, mas o chefe da força-tarefa negou envolvimento no episódio.

"O outdoor existe, mas não sabemos quem o colocou ou pagou. Como imaginou corretamente, jamais faríamos isso? seria caso de internação, não de corregedoria rs", disse Dallagnol.

Embora convencido da não participação de membros da Lava Jato no episódio, Barbosa pediu para que os procuradores tentassem remover a peça da rua.

"Deltan, verifique quem colocou este outdoor sem autorização no órgão de fiscalização, pois está repercutindo muito, inclusive no CNMP", afirmou.

"Oi Oswaldo, agradeço a preocupação, mas tenho dúvidas sobre nossa atribuição para apurar isso porque não é ato ilícito sob prisma civil ou criminal. Se fizermos algo, seria questionável. Mesmo se descobríssemos quem fez, não sei o que poderíamos fazer com a informação, por não ser nada ilegal em princípio. Parece-me que o adequado a nós é simplesmente esclarecer que não é nosso ou do nosso conhecimento a quem questionar. Creio que o Estadão já perguntou até. Fique à vontade aí para buscar a informação. Acredito que há atribuição correcional se houver notícia pública de que fomos nós, e parece que há. Se houver a apuração, seria importante tornar público o resultado, porque desmentiria a falsa acusação lançada por blogs. Abraços", respondeu Deltan.

Após a saída de Castor Mattos da operação, os procuradores teriam debatido os efeitos de um vazamento.

"Pessoal, só lembrando a todos: em respeito ao Diogo, o ideal é que o assunto seja tratado com sigilo total. Ele já fez a comunicação à Corregedoria, então agora é com as instâncias competentes. Digo isso para evitarem qualquer comentário em grupos de colegas ou rodas de amigos", afirmou Paulo Galvão.

Dallagnol e Laura Tessler concordaram com a análise de Galvão.

"E evitar comentar com os servidores?o pessoal tá curioso e querendo pescar mais detalhes sobre as razões do afastamento", apontou Tessler.

"Isso, por favor. Esse assunto tem que ficar aqui. Não podemos falar com colegas, porque falarão com outros, que falarão com outros, e estaremos expondo o colega e a própria operação". disse Deltan.

O outro lado

O Intercept afirma ter questionado o MPF sobre a ausência de um procedimento para investigar a conduta de Castor de Mattos e se alguma providência foi ou será tomada. A resposta foi de que a corregedoria não comentaria informações obtidas "mediante violação da garantia constitucional do sigilo das comunicações telemáticas", e que o caso é protegido por sigilo.

O site também questionou o MPF em Curitiba, mas os procuradores não responderam.

Já Outdoormídia, empresa que emitiu o recibo da peça, disse que "veiculou o pedido do cliente".

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