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Operação Lava Jato


Na sede da PF, militância critica e vizinhos festejam transferência de Lula

Manifestantes em frente à sede da PF em Curitiba após o anúncio da transferência de Lula - Vinícius Konchinski/UOL
Manifestantes em frente à sede da PF em Curitiba após o anúncio da transferência de Lula Imagem: Vinícius Konchinski/UOL

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

07/08/2019 16h39

A ordem judicial para transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da carceragem da PF (Polícia Federal) em Curitiba para o presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, reacendeu um clima de animosidade no bairro em que o petista está preso.

Enquanto militantes se reúnem na Vigília Lula Livre para protestar contra "mais um ato de perseguição da Justiça contra o ex-presidente", vizinhos da Superintendência da PF torcem para partida de Lula e o fim "da baderna que os sem-terra fazem todos os dias".

"A gente está cansado (sic)", disse a aposentada Tereza Czepaniki, 83, moradora do bairro Santa Cândida "desde que nasceu". "Eles [os militantes] não obedecem as regras. Espero que eles vão embora."

"Eles passam todo dia aqui enchendo o saco", reclamou o também aposentado Arlito Weingantur, 76. "Me incomoda essa movimentação toda. Que Lula vá para qualquer lugar, mas longe daqui."

Lula deve ser transferido para Tremembé, em São Paulo

UOL Notícias

Sem grandes manifestações públicas

Também por conta do clima tenso, a organização da vigília, que demonstra seu apoio a Lula desde que ele foi preso, há 487 dias, já pediu aos presentes que não se manifestem em áreas públicas hoje. A vigília tem uma estrutura montada num terreno exatamente em frente à PF. Nesta tarde, ela reúne cerca de 50 pessoas -mais gente do que costuma reunir ultimamente.

A mobilização dos militantes pró-Lula é intensa por conta das decisões judiciais sobre o local de prisão do ex-presidente. No início desta tarde, todos os presentes na vigília se reuniram para saudar Lula. Em discurso, a presidente do CUT-PR (Central Única dos Trabalhadores no Paraná), Regina Cruz, disse que a Justiça quer "humilhar" o ex-presidente.

"Vamos resistir aqui a mais esse ato de perseguição", complementou. "Também vamos onde o presidente estiver."

O ex-presidente nacional da CUT, Arthur Henrique, está hoje em Curitiba para participar de uma roda de conversa com integrantes da vigília. Disse que a notícia de hoje mudou seus planos. A prioridade dele agora é reforçar a resistência.

"Estamos preocupados com a segurança de Lula", disse Henrique. "Essa decisão é uma demonstração clara de perseguição ao ex-presidente."

Lula, por meio de sua defesa, já recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a sua transferência. Nesta tarde, os advogados do petista protocolaram uma petição em que pedem, inclusive, a liberdade do ex-presidente.

Lula está preso desde abril de 2018. Ele cumpre pena por corrupção no caso do tríplex no Guarujá.

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