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Operação Lava Jato


OAS diz que assumiu obra problemática na Bolívia após pedido de Lula

O presidente boliviano, Evo Morales, com Lula, em evento no Rio, em 2010  - Rafael Andrade - 28.mai.10/Folhapress
O presidente boliviano, Evo Morales, com Lula, em evento no Rio, em 2010 Imagem: Rafael Andrade - 28.mai.10/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

16/09/2019 08h22

O empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, disse ao negociar acordo de delação que a construtora assumiu uma obra problemática na Bolívia para agradar o ex-presidente Lula (PT). A informação é do jornal Folha de S.Paulo, que analisou com o site The Intercept Brasil uma proposta de delação compartilhada por procuradores da operação Lava Jato no aplicativo Telegram e enviada ao site.

A obra em questão seria a construção de uma estrada entre as cidades de Potosí e Tarija, que foi iniciada pela Queiroz Galvão em 2003 e teve o contrato rompido em 2007 depois que o governo de Evo Morales fez cobranças relativas a fissuras em pistas recém-construídas.

De acordo com Leo Pinheiro, Lula queria evitar um estremecimento nas relações do Brasil com o governo boliviano. Assim, o ex-presidente teria articulado um financiamento do BNDES e prometido à OAS a obtenção de um outro contrato na Bolívia como compensação para a construtora assumir a obra considerada problemática.

Leo Pinheiro cita um encontro com Lula no qual ele informou que a obra seria deficitária. Na resposta, o ex-presidente disse, segundo o relato, que Evo estaria disposto a "compensar economicamente a empresa, adjudicando um outro contrato em favor da OAS".

O depoimento ainda diz que a Bolívia autorizou a transferência do contrato e licitou um outro trecho em que a OAS saiu vencedora. A construtora assumiu a obra em 2009, mas Pinheiro relata que a área técnica do BNDES colocou entraves ao financiamento. Assim, o contrato foi cancelado pela Bolívia já durante o Governo Dilma Rousseff.

Segundo Pinheiro, "apelos de Lula" ainda ajudaram a empresa a retirar seus equipamentos e obter uma devolução de garantias pelo acordo rompido. O custo total da obra pela Bolívia nesta obra foi de US$ 226 milhões (cerca de R$ 925 milhões na cotação atual).

Em nota publicada pela "Folha de S.Paulo", a defesa de Lula disse que "a mentira negociada é estratégia da Lava Jato para promover uma perseguição política contra o ex-presidente" e que o ex-presidente jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida.

A delação de Léo Pinheiro foi homologada neste mês pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, caberá ao Ministério Público e à Justiça decidir se há algum indício de irregularidades nos episódios.

Na reportagem de hoje, a Folha de S.Paulo ainda publica relatos de Leo Pinheiro de que palestras de Lula na Costa Rica e no Chile visavam "influenciar governos". Léo Pinheiro está preso desde 2016 e foi o principal acusador em relação ao caso do triplex do Guarujá, pelo qual Lula foi condenado.

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