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Operação Lava Jato


Prefeito de Niterói é preso em desdobramento da Lava Jato no Rio

Adriano Vizoni/Folhapress - 16.mai.2018
Rodrigo Neves (PDT), prefeito de Niteroi Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress - 16.mai.2018

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

2018-12-10T07:58:43

2018-12-10T12:08:50

10/12/2018 07h58Atualizada em 10/12/2018 12h08

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), foi preso na manhã desta segunda-feira (10) pela Polícia Civil em uma operação em conjunto com o MP-RJ (Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro) que aponta desvios de R$ 10,9 milhões em recursos do transporte público do município, localizado na região metropolitana.

A operação é desdobramento da Lava Jato no estado e teve como ponto de partida a delação premiada de Marcelo Traça, ex-diretor da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro).

Ao todo, quatro pessoas foram presas preventivamente (sem prazo). A operação batizada de Alameda cumpre também 19 mandados de busca e apreensão.

O prefeito de Niterói, que foi preso, em sua residência no bairro de Santa Rosa, na zona sul da cidade, é suspeito de liderar o esquema.

Na chegada a Cidade da Polícia, na zona norte do Rio, para onde foi levado, Neves disse desconhecer as acusações. "Não sei nem quais são as acusações. Se vocês virem minha conta, meu sigilo fiscal está aberto, o sigilo telefônico está aberto”, declarou.

Segundo as investigações, ele recebeu 20% do equivalente ao reembolso da gratuidade de passagens de empresas de ônibus que atuam na cidade. O benefício é concedido a alunos da rede pública de ensino, idosos e pessoas portadoras de deficiência.

De acordo com o MP, o prefeito atrasava o pagamento de reembolso das gratuidades para pressionar as empresas a pagarem propina. Entre os anos de 2014 e 2018 foram desviados aproximadamente R$ 10,9 milhões dos cofres públicos.

“Primeiro, queria destacar que a gente em Niterói teve uma concorrência sobre transporte coletivo anterior à minha gestão. Segundo, em 2013, a primeira decisão que tomei foi unificar as tarifas de Niterói pela menor tarifa. Se não tivesse feito isso, a tarifa de Niterói hoje seria a mais de R$ 4,50, portanto bem superior à tarifa atual", afirmou Neves.

"Estou absolutamente perplexo. Trabalho desde os 18 anos de idade, 20 anos de vida pública. Não viajo para o exterior, tenho três filhos lindos, fecho minhas contas como qualquer cidadão de classe média, vivo em um imóvel simples, conhecido aqui em Niterói. Me estranha muito esse tipo de ocorrência", disse.

A sede da prefeitura de Niterói também é alvo de mandados de busca e apreensão. O prédio, localizado na região central, está fechado. Funcionários não podem ter acesso ao local.

O ex-secretário de Obras de Niterói, Domício Mascarenhas, também foi preso na operação. Ele foi apontado como o responsável pela arrecadação dos valores e pela negociação com os representantes dos consórcios.

Os outros dois detidos são empresários de ônibus. O UOL ainda não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos. Todos os acusados responderão por peculato e corrupção ativa e passiva.

Também são alvo de buscas as sedes de oito empresas de ônibus que prestam serviço no município, além de escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit, e do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro.

Com a prisão de Rodrigo Neves, caberá a Paulo Bagueira (SD), presidente da Câmara de Vereadores de Niterói, assumir a prefeitura. Vice de Neves, Comte Bittencourt (PPS) renunciou ao cargo para disputar as eleições deste ano como candidato a vice-governador do Rio na chapa de Eduardo Paes (DEM).

Neves começou na vida pública como vereador de Niterói, pelo PT, chegou a ser eleito deputado estadual e atualmente estava no segundo mandato como prefeito de Niterói.