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Operação Lava Jato


Ex-governador do Paraná, Beto Richa é preso em Curitiba

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

25/01/2019 09h11Atualizada em 25/01/2019 15h26

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi preso na manhã desta sexta-feira (25) em Curitiba. Ele foi alvo de um mandado de prisão preventiva (sem prazo) determinada pelo juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba. O pedido foi feito pelo MPF (Ministério Público Federal) em um desdobramento da Operação Integração -uma fase da Operação Lava Jato que investigou irregularidade em concessões de rodovias no Paraná.

Richa é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. De acordo com um de seus advogados, Pedro Ribeiro Giamberardino, o ex-governador declara-se inocente das acusações.

Ao falar com o UOL por volta das 9h, ele confirmou o cumprimento da ordem de prisão nesta manhã, mas disse que ainda não havia tido acesso a decisão da Justiça e que, por isso, ainda não iria comentar os próximos passos da defesa. Giamberardino afirmou que Richa estava acompanhado de dois advogados da equipe.

Mais tarde, por volta do meio-dia, a defesa de Richa divulgou uma nota onde afirma que "os fatos que conduziram à prisão do ex-governador são antigos". "Sobre eles, todos os esclarecimentos foram por ele devidamente esclarecidos, não restando qualquer dúvida quanto à regularidade de todas as condutas praticadas, no exercício de suas funções" (leia mais abaixo).

Richa já havia sido preso no ano passado em outra operação, motivada por outro processo. À época, ele era candidato ao Senado e acabou não sendo eleito. Na ocasião, a mulher do tucano, Fernanda Richa, seu irmão Pepe Richa e seu ex-chefe de gabinete Deonlison Roldo também foram presos. Richa foi solto poucos dias depois após um habeas corpus do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Richa é acusado de ter recebido pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas; defesa nega - Hélvio Romero/Estadão Conteúdo
Richa é acusado de ter recebido pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas; defesa nega
Imagem: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

A etapa anterior da Operação Integração, que levou Richa para a prisão nesta sexta-feira, havia sido deflagrada em setembro do ano passado para apurar irregularidades na concessão de rodovias federais do Anel de Integração, no interior do Paraná. O esquema movimentou R$ 35 milhões em propinas, entre 1999 e 2015, e abrangeu a gestão de diversos governadores do estado no período, segundo as investigações.

Dirceu Pupo Ferreira, contador de Fernanda Richa, também é alvo do mandado de prisão preventiva.

De acordo com o MPF, Richa é acusado de ter recebido pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie pelas concessionárias de pedágio do Paraná e por outras empresas que mantinham interesses no governo.

"Há evidências de que parte do dinheiro (R$ 142 mil) foi lavada mediante depósitos feitos diretamente em favor da empresa Ocaporã Administradora de Bens, que, embora estivesse formalmente em nome de Fernanda Richa, esposa do ex-governador, e de seus filhos, na realidade era controlada por Beto Richa", afirma o MPF em nota. 

"O restante dos recursos, aproximadamente R$ 2,6 milhões, foi lavado pelo ex-governador com o auxílio de Dirceu Pupo Ferreira, por meio da aquisição de imóveis", diz o MPF. "Os bens foram comprados com propinas e colocados em nome da empresa Ocaporã Administradora de Bens. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, Ferreira solicitava que os vendedores lavrassem escrituras públicas de compra e venda por um valor abaixo do realmente pactuado entre as partes. A diferença entre o valor da escritura e o acordado era paga em espécie, de forma oculta, com propinas."

Na ordem de prisão preventiva, o juiz afirma que o MPF trouxe novos elementos ao caso, que justificam a ação desta sexta-feira. De acordo com o MPF, Ferreira teria tentado coagir testemunhas para ocultar informações sobre o patrimônio da família Richa. Assim, a acusação pediu a prisão dos dois por "conveniência da instrução criminal", já que os suspeitos estariam tentando atrapalhar as investigações. 

Richa é suspeito de usar o dinheiro proveniente de propina para comprar pelo menos três imóveis no valor total de R$ 4,3 milhões  (dos quais R$ 2,9 milhões pagos em dinheiro) por meio de sua empresa familiar. Em troca das vantagens indevidas, ele teria tomado medidas, enquanto governador, que beneficiaram de forma ilegal pelo menos uma concessionária de rodovias do estado. Ferreira é acusado de ajudar o ex-governador a lavar o dinheiro sujo. 

"Os elementos apresentados pelo MPF na presente representação, somados aos elementos que já haviam sido analisados (...), caracterizam indícios suficientes da participação de Beto Richa e de Dirceu Pupo Ferreira no esquema criminoso investigado", afirma o juiz na ordem de prisão.

"O fato concreto apresentado pelo MPF é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva."

Procurados pelo UOL, os advogados de Beto Richa dizem, em nota, que os fatos já haviam levado à prisão do governador antes, e o STF decidiu que as prisões eram ilegais e por isso ele foi solto. Para os advogados, o pedido de prisão do MPF tem "o evidente objetivo de desrespeitar os julgamentos proferidos pela Suprema Corte, sobre o tema". 

"O pedido se lastreia em ilações do MPF, exclusivamente suportadas em falsas e inverídicas informações prestadas em sede de colaboração premiada, por criminosos confessos", diz a nota.

A defesa afirma que vai recorrer do pedido de prisão, que não atenderia "nenhum dos pressupostos" previstos em lei.

Procurados pelo UOL, os advogados de Beto Richa dizem, em nota, que os fatos já haviam levado à prisão do governador antes, e o STF decidiu que as prisões eram ilegais e por isso ele foi solto. Para os advogados, o pedido de prisão do MPF tem "o evidente objetivo de desrespeitar os julgamentos proferidos pela Suprema Corte, sobre o tema". 

"O pedido se lastreia em ilações do MPF, exclusivamente suportadas em falsas e inverídicas informações prestadas em sede de colaboração premiada, por criminosos confessos", diz a nota.

Também em nota, o PSDB disse que "tomou conhecimento dos fatos pela imprensa e, por isso, prefere aguardar os desdobramentos, mas reitera seu apoio e confiança na justiça brasileira, na expectativa de que o ex-governador Beto Richa consiga provar sua inocência".

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