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Operação Lava Jato

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2 meses

Moro não reconhece mensagens sobre processo de Lula e vê 'origem ilícita'

Ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro não reconhece autenticidade de mensagens reveladas hoje - Ueslei Marcelino
Ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro não reconhece autenticidade de mensagens reveladas hoje Imagem: Ueslei Marcelino

Do UOL, em São Paulo

01/02/2021 17h39

O ex-juiz Sergio Moro afirmou que não reconhece a autenticidade das mensagens trocadas entre ele e procuradores da Lava Jato, reveladas hoje com a decisão do ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski de levantar o sigilo de um documento com 50 páginas de conversas. As mensagens dizem respeito ao processo pelo qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado e preso em 2018.

Assim como já havia feito quando parte das conversas começou a ser publicada pelo site The Intercept Brasil, em 2019, Moro voltou a afirmar que não pode reconhecer que as mensagens são suas porque não tem registro guardado delas.

"Não reconheço a autenticidade das referidas mensagens, pois como já afirmei anteriormente não guardo mensagens de anos atrás", afirmou o também ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em nota.

Moro reforçou que vê nas mensagens uma "origem ilícita", uma vez que elas teriam sido obtidas por hackers que invadiram celulares dele e de procuradores da Lava Jato, incluindo o de Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

"As referidas mensagens, se verdadeiras, teriam sido obtidas por meios criminosos, por hackers, de celulares de procuradores da República, sendo, portanto, de se lamentar a sua utilização para qualquer propósito, ignorando a origem ilícita", diz a nota assinada pelo ex-juiz.

Moro ainda afirmou que "todos os processos julgados na Lava Jato foram decididos com correção e imparcialidade", e disse que interações entre juízes, procuradores e advogados "são comuns" no meio jurídico, não havendo nestes atos "nada de ilícito".

Perícia vê autenticidade

Uma perícia feita a pedido da defesa do ex-presidente Lula atestou a autenticidade do material das conversas (veja a íntegra aqui). Assinada pelo perito Cláudio Wagner, ela reúne diálogos entre 3 de setembro de 2015 a 8 de agosto de 2017.

Segundo explicou ao UOL Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, a perícia diz que o material corresponde ao que foi entregue pela Polícia Federal por determinação do STF. A Lava Jato e Moro sempre contestaram a autenticidade dos arquivos.

As mensagens reúnem trechos de conversas em que Deltan elogia um pedido de prisão decretado por Moro - "ficou ótima a decisão", diz Dallagnol ao então juiz - e um episódio em que o ex-ministro de Bolsonaro diz ao então chefe da Lava Jato de Curitiba que havia recebido um contato de uma pessoa que estaria "disposta" a prestar informações contra um dos filhos de Lula.

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